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Menino Grande e a Caixa dos Dias
Menino Grande tinha uma agenda. Um pedaço de papel onde anotava todos os seus compromissos. Sempre à noitinha, antes de dormir, sentava-se à beira da cama e listava:
- compras no mercado
- relatório pro chefe
- carta no correio
- ligar para Tia Juju
- vacina do cachorro
Porém, de nada, ou quase nada, adiantava sua agendinha. Menino Grande estava sempre no Mundo da Lua, como dizia sua mãe. Os dias iam passando, as páginas da pequena agenda virando, e sua listinha apenas crescendo, acumulando tarefas por fazer.
- compras no mercado
- relatório pro chefe
- carta no correio
- ligar para Tia Juju
- vacina do cachorro
- pagar conta de luz
- aniversário da Rosinha
- emprestar livro pro JP
Ele até lia suas anotações durante o dia, mas com a cabeça nas nuvens, logo as esquecia! Esquecia na cozinha a lista de compras do mercado; esquecia onde havia anotado o número de telefone da Tia Juju; esquecia em qual pasta havia guardado o relatório da reunião; esquecia do cafuné do cachorro e, assim, esquecia de levá-lo ao veterinário; esquecia de pegar o livro na prateleira; esquecia de escrever a carta; esquecia de separar o dinheiro para pagar a conta; esquecia de comprar um presente para a Rosinha…
Até que um dia, cansado de tanto esquecimento, Menino Grande pensou que seria muito mais fácil se os dias virassem caixas! Na caixa do dia 1º ele guardaria a lista de compras do mercado. Dia 2 era o dia da reunião, então guardaria o relatório nessa caixa. Dia 5 era dia de pagamento, então já deixaria ali o dinheiro para pagar a conta! No dia 14 sobraria tempo para ir ao correio, então deixaria naquela caixa o papel e o lápis! Ah, já deixaria o cachorro na caixa do dia 20, pois nesse dia estava marcada a vacina no veterinário!
Por entre as caixas gigantes, do tamanho mesmo dos dias, Menino Grande percorreria! Pularia de uma para outra, a cada 24 horas. E assim seriam seus dias: QUADRICULADOS, BEM ORGANIZADOS E SEMPRE EM DIA!
1 comment 3 Julho 2009
Da respiração, do pensamento e da estética
A palavra ESTÉTICA está diretamente ligada à percepção e sensação (por sua origem grega). Na Filosofia, a teoria estética tem como objeto de estudo a natureza do belo, a fim de determinar o que provoca, no homem, sentimentos de harmonia, afinidade, admiração etc. É também um dos fundamentos da arte. A estética, do belo ou do feio, do harmônico ou do ridículo, detona emoções positivas ou negativas.
Porém, o conceito de estética não delimita-se apenas ao corporal. Há uma estética no bairro em que moramos, na rua pela qual caminhamos, na maneira como dispomos nossos móveis, nas cores e formas das cidades… Até a natureza tem sua estética. Mas, acima de tudo, há uma ESTÉTICA INTERIOR.
No caos da vida, corremos o risco de viver constantemente num estado de frenesi. Há um excesso de atividades, de exigências e de informações que acarretam num também excesso de sensações! E, na grande maioria das vezes, essas sensações vem desordenadas. Aí então instala-se o caos interno. E, seguramente, nosso desequilíbrio estético, interno e externo, torna-se visível.
Ninguém vive as 24 horas do dia em estado de tranqüilidade extrema. Temos nossas oscilações. No entanto, é fundamental fazermos uma opção de vida: se desejamos viver no ritmo biológico do ser humano “natural, embrionário”, ou se nos deixaremos levar pelo ritmo do ser humano “social”, o ser humano inserido na insanidade do caos.
Pra quem escolher fazer parte do primeiro grupo, a primeira tarefa é aprender a RESPIRAR. É inacreditável o conforto estético interno – e, conseqüentemente, externo – que a simples CONSCIÊNCIA de nossa respiração pode causar. É fascinante o controle das emoções e a organização dos pensamentos que esta prática proporciona. E é notório, fisicamente, um estado de espírito leve.
Portanto, “decore sua alma” (como diz um amigo), inspire e expire todos os instantes de sua vida, para que sua estética seja sempre a do belo, refletindo o melhor de sua essência!
1 comment 2 Abril 2009
“Simplicidade é isso:
… quando o coração busca uma coisa só.”
Amigos, texto bom do Rubem Alves no site do Gabriel Chalita. Aliás, o site todo é recheado de coisas boas, de um pouco de luz! Vale a pena!
Bjooos a todos!
Add comment 16 Julho 2008
Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!
“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)
1 comment 13 Junho 2008
Pergunta a Dona Tita
Ontem, no Jô, Dona Tita. Uma senhorinha com seus mais de 100 anos. De espírito jovem, disse que queria nascer de novo agora, com a sabedoria e as experiências acumuladas. E declamou a poesia preferida, decorada [perdi a aversão do “decorado” quando entendi que é algo vindo “de coração”]: o Velho Mestre. Então me vi aos 100 também [na verdade, não preciso e acho que não quero ir tão longe...], a sussurrar, volta e meia, para mim mesma, “são demais os perigos desta vida para quem tem paixão, principalmente quando……….” [...]
Me questiono, por fim: a entrevista foi fraca ou o melhor de toda nossa andança por aí é realmente assim: simples e brejeiro, como as perguntas a Tita?
[Postado originalmente em 15.12.2007, às 00:04, no blog-se.]
2 comments 3 Abril 2008