Posts filed under 'prosa'

Barthes é Perfeito

Estou fascinada por este carinha incrível chamado Barthes.
Roland Barthes está fundamentando com tal maestria e perfeição minha monografia [de conclusão de pós-graduação] que eu jamais suporia que encontraria tanto e tão perfeito respaldo para minhas idéias.  Em suas narrativas, parece que sinto Barthes sentindo. Parece que me torno Barthes, como se me embrenhasse por entre suas veias, ainda vivas, e passasse a sentir, ver e ouvir tudo o que ele narrou sentir, ver e ouvir.  Barthes está ordenando e preenchendo minhas idéias e esse complemento está sendo maravilhoso. Por isso achei que deveria escrever algo sobre esse Pensador da Vida em todas as suas nuances. Todas mesmo. No mínimo detalhe do meu dia-a-dia, encontro algo de Barthes. Por exemplo, neste final de semana que passou eu estava com muita vontade de jogar conversa fora em algum barzinho da cidade, rever os amigos e beber uma caipirinha boa pra espantar o frio! Mas, ao mesmo tempo, também era grande a vontade de fazer nada, de ficar em casa, de pijama, com os pés pro alto, só lendo, lendo, lendo… ao som de uma musiquinha boa que me embriagasse e espantasse o frio! Uma briga interna. Resposta para isso? Barthes me deu! ”Que corpo? Temos vários. Tenho um corpo digestivo, um corpo nauseabundo, um corpo com dor de cabeça, e assim por diante: sexual, muscular, humoral e sobretudo emotivo. Por outro lado (…) tenho um corpo parisiense (esbelto, fatigado) e um corpo camponês (repousado, pesado)” (Barthes, 1975, p. 70-71). Perfeito!


Add comment 7 Julho 2008

Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)


1 comment 13 Junho 2008

Pra quem não gosta de Caetano

Ou odeia-se ou ama-se. Com Caetano Veloso não tem meio termo. E eu estava entre os partidários do primeiro time! Estava. Depois de assistir ao show Un Caballero de Fina Estampa tive de me render ao grupo dos que o veneram! O dvd não é nenhuma novidade, foi gravado em 1995 num show no Metropolitan, no Rio de Janeiro, e lançado em 2001. Mesmo assim, vale a pena indicar!

Caetano está incrível e o repertório divino, mesclando músicas cantadas em espanhol com canções brasileiras, inclusive releituras de Orlando Silva, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Fazem parte Lábios Que Beijei, Canção de Amor, O Samba e o Tango, Haiti, Vuelvo Al Sur, La Barca, além das clássicas e maravilhosas Chega De Saudade, O Leãozinho, Itapuã e um arrombo de palco com Soy Loco Por Ti, América!

Há quem diga que se existe uma regra na carreira de Caetano Veloso é a de não ter regra alguma. Talvez seja por isso, uma espécie de provocação adolescente, que ele faz exatamente o oposto do que esperam dele. O disco Fina Estampa, de 1994, inspirador do show do dvd, é um exemplo: antes mesmo de ser lançado, foi previsto pela crítica como um fiasco de vendas e de público. De tanto sucesso, rendeu, além do dvd, um cd ao vivo!

Filmado em película de cinema e gravado em som digital, Un Caballero de Fina Estampa é um bem-composto de música, poesia, pintura, excelente direção e fotografia e todo tipo de arte ao qual levar a sensibilidade do público. Pra começar, logo na capa, um fragmento de um mural pintado pelo artista mexicano Diego Rivera. Cultura completa!

Este e outros textos meus comporão o Jornal El Domingez, distribuído no Café Domingez, nova casa da boa música e da boa comida, recheadas de cultura, que abrirá em breve no Largo da Ordem (Dr, Muricy, 1111)!


Add comment 11 Junho 2008

Para mim, para minha mãe, para a mãe de minha mãe, para a mãe da mãe de…

Hoje (05 de maio) é aniversário de meu filho, Felipe. Dois aninhos! Em minha oração antes de dormir, ontem, peguei o livro “Uma Idéia Toda Azul” e o abri aleatoriamente, mentalizando que o conto em que eu abrisse seria uma homenagem minha a ele, algo que lhe enviasse boas energias! O escolhido por minhas mãos foi “Um Espinho de Marfim”.
 
Durante a caçada do rei, comecei a entender o recado. Eu, a princesa. Meu menino, o unicórnio. A vida, o rei. “Que animal era aquele de olhos tão mansos retido pela artimanha de suas tranças?” 
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Logo despertou minha atenção a prisão do unicórnio com a rede de ouro feita dos próprios cabelos da mãe, ops, da princesa. Uma prisão bonita, mas ainda uma prisão. O amor, quando muito muito cheio de cuidados e proteção, quando dono, também aprisiona. 

Quanto demorou a princesa para conhecer o unicórnio?
Quantos dias foram precisos para amá-lo?
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Como jamais conhecer o menino?
(Lispector, 1981, p. 142)

Do contrário da narradora da felicidade clandestina de Clarice, a princesa de Marina não precisou esperar o tempo de o unicórnio se deteriorar para conhecê-lo. Não precisou se afastar do animal. Ela se aproximou, olhou bem em seus olhos e o conhecimento - ou reconhecimento - veio de imediato. Com ele, o amor.
 
Em Marina, bastou o olhar. E o olhar com o coração. O unicórnio, livremente, fez-se entender pelo olhar, unicamente. Em Clarice, o olhar era inútil. O menino, em sacrifício próprio… “com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o compreenderá, senão ninguém irá para o seu silêncio ninguém o conhece se ele não disser e contar”
(Lispector, 1981, p. 139)
 
O sacrifício presente nas três obras: na minha, na de Marina e na de Clarice. O sacrifício de três mães em nome de seus filhos, cumprindo a missão que o coração as impõe: amá-los acima de tudo, acima de si mesmas. Três mães em vida, em prosa e em poesia. Uma não menos mágica que a outra.
 

Leia:
COLASANTI, Marina. Um Espinho de Marfim, em Uma Idéia Toda Azul. São Paulo: Global, 2006.
LISPECTOR, Clarice. Menino a Bico de Pena, em Felicidade Clandestina. 1981. 

1 comment 6 Maio 2008

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