Posts filed under 'poesia'

Hora do Almoço…

Tangerina Ponkan meia-estação: bastante popular, apresenta frutos grandes, fáceis de descascar, com gomos que também se separam facilmente. Tem paladar bastante agradável.


Add comment 4 Julho 2008

Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)


1 comment 13 Junho 2008

Pra quem não gosta de Caetano

Ou odeia-se ou ama-se. Com Caetano Veloso não tem meio termo. E eu estava entre os partidários do primeiro time! Estava. Depois de assistir ao show Un Caballero de Fina Estampa tive de me render ao grupo dos que o veneram! O dvd não é nenhuma novidade, foi gravado em 1995 num show no Metropolitan, no Rio de Janeiro, e lançado em 2001. Mesmo assim, vale a pena indicar!

Caetano está incrível e o repertório divino, mesclando músicas cantadas em espanhol com canções brasileiras, inclusive releituras de Orlando Silva, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Fazem parte Lábios Que Beijei, Canção de Amor, O Samba e o Tango, Haiti, Vuelvo Al Sur, La Barca, além das clássicas e maravilhosas Chega De Saudade, O Leãozinho, Itapuã e um arrombo de palco com Soy Loco Por Ti, América!

Há quem diga que se existe uma regra na carreira de Caetano Veloso é a de não ter regra alguma. Talvez seja por isso, uma espécie de provocação adolescente, que ele faz exatamente o oposto do que esperam dele. O disco Fina Estampa, de 1994, inspirador do show do dvd, é um exemplo: antes mesmo de ser lançado, foi previsto pela crítica como um fiasco de vendas e de público. De tanto sucesso, rendeu, além do dvd, um cd ao vivo!

Filmado em película de cinema e gravado em som digital, Un Caballero de Fina Estampa é um bem-composto de música, poesia, pintura, excelente direção e fotografia e todo tipo de arte ao qual levar a sensibilidade do público. Pra começar, logo na capa, um fragmento de um mural pintado pelo artista mexicano Diego Rivera. Cultura completa!

Este e outros textos meus comporão o Jornal El Domingez, distribuído no Café Domingez, nova casa da boa música e da boa comida, recheadas de cultura, que abrirá em breve no Largo da Ordem (Dr, Muricy, 1111)!


Add comment 11 Junho 2008

Sexta-feira…

…11 da noite. Entro no carro. Ligo o som. Não recordo a estação que escolho… música latina. Sem dúvida da melhor qualidade. Entre outros, Chico Alvarez. E não precisou mais de um segundo para que aquelas melodias cubanas me inebriassem. Desço do carro, abro a porta e estou em casa. Cansada. No curto trajeto, muita dança com alma e olhar latinos de Frida Kahlo.


Add comment 8 Junho 2008

Para mim, para minha mãe, para a mãe de minha mãe, para a mãe da mãe de…

Hoje (05 de maio) é aniversário de meu filho, Felipe. Dois aninhos! Em minha oração antes de dormir, ontem, peguei o livro “Uma Idéia Toda Azul” e o abri aleatoriamente, mentalizando que o conto em que eu abrisse seria uma homenagem minha a ele, algo que lhe enviasse boas energias! O escolhido por minhas mãos foi “Um Espinho de Marfim”.
 
Durante a caçada do rei, comecei a entender o recado. Eu, a princesa. Meu menino, o unicórnio. A vida, o rei. “Que animal era aquele de olhos tão mansos retido pela artimanha de suas tranças?” 
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Logo despertou minha atenção a prisão do unicórnio com a rede de ouro feita dos próprios cabelos da mãe, ops, da princesa. Uma prisão bonita, mas ainda uma prisão. O amor, quando muito muito cheio de cuidados e proteção, quando dono, também aprisiona. 

Quanto demorou a princesa para conhecer o unicórnio?
Quantos dias foram precisos para amá-lo?
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Como jamais conhecer o menino?
(Lispector, 1981, p. 142)

Do contrário da narradora da felicidade clandestina de Clarice, a princesa de Marina não precisou esperar o tempo de o unicórnio se deteriorar para conhecê-lo. Não precisou se afastar do animal. Ela se aproximou, olhou bem em seus olhos e o conhecimento - ou reconhecimento - veio de imediato. Com ele, o amor.
 
Em Marina, bastou o olhar. E o olhar com o coração. O unicórnio, livremente, fez-se entender pelo olhar, unicamente. Em Clarice, o olhar era inútil. O menino, em sacrifício próprio… “com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o compreenderá, senão ninguém irá para o seu silêncio ninguém o conhece se ele não disser e contar”
(Lispector, 1981, p. 139)
 
O sacrifício presente nas três obras: na minha, na de Marina e na de Clarice. O sacrifício de três mães em nome de seus filhos, cumprindo a missão que o coração as impõe: amá-los acima de tudo, acima de si mesmas. Três mães em vida, em prosa e em poesia. Uma não menos mágica que a outra.
 

Leia:
COLASANTI, Marina. Um Espinho de Marfim, em Uma Idéia Toda Azul. São Paulo: Global, 2006.
LISPECTOR, Clarice. Menino a Bico de Pena, em Felicidade Clandestina. 1981. 

1 comment 6 Maio 2008

Para Felipe. Ponto.

Bola de Meia, Bola de Gude


Há um menino, há um moleque
Morando sempre em meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade,
palavra, respeito, caráter, bondade
Alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente
insiste em viver
E não posso aceitar
sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão…

 

 Milton Nascimento e Fernando Brant

Add comment 6 Maio 2008

Às lágrimas e ao bate-pé

Choro (o). Choro (eu).
Ele chora.
Ele tira e põe o choro.
E quanta melodia boa.

Às vezes, na mesa de bar,
o choro é de chorar.
Tudo vai do clima.
Vai da conversação.

E se todos querem choro…
Mas se não é nada daquilo…
Chora-se em outras bandas!
Sartei!

DC

[Arrisquei um poeminha...
minha homenagem ao Dia Nacional do Choro, ontem, dia 23 de abril!]

Add comment 24 Abril 2008

Momento Flaneur [com o celular]

Que bonito ver o entardecer
Que bonito ver o sol se pôr
De Salvador
Dali
de Salvador
De lá de lá de cima do mar
De cima do mar

[ Dali de Salvador, Antônio Pedro/Evandro Mesquita, por Blitz ]

1 comment 9 Abril 2008

Pergunta a Dona Tita

Ontem, no Jô, Dona Tita. Uma senhorinha com seus mais de 100 anos. De espírito jovem, disse que queria nascer de novo agora, com a sabedoria e as experiências acumuladas. E declamou a poesia preferida, decorada [perdi a aversão do “decorado” quando entendi que é algo vindo “de coração”]: o Velho Mestre. Então me vi aos 100 também [na verdade, não preciso e acho que não quero ir tão longe...], a sussurrar, volta e meia, para mim mesma, “são demais os perigos desta vida para quem tem paixão, principalmente quando……….” [...]

Me questiono, por fim: a entrevista foi fraca ou o melhor de toda nossa andança por aí é realmente assim: simples e brejeiro, como as perguntas a Tita?

[Postado originalmente em 15.12.2007, às 00:04, no blog-se.]

2 comments 3 Abril 2008


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