Posts filed under 'memórias'

Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)


1 comment 13 Junho 2008

Parabéns, coleguinhas!

Comemoração hoje! Dia do jornalista! Meu dia, com todo o orgulho do mundo! Uma profissão linda que, apesar das pedras no meio do caminho, me faz sentir mais humana. Encaro o jornalismo como minha essência: a velha, utópica e persistente vontade de mudar/melhorar o mundo! Um meio de educar, protestar, denunciar, elogiar e, sempre, inspirar!
 
Como uma espécie de Ação de Graças, homenageio e agradeço hoje a todos aqueles que cruzaram o meu caminho e, de uma forma ou de outra, enriqueceram-me. Faço questão de citar nomes. Seu Ário Taborda Dergint, que fortaleceu em mim o amor às artes. Helô [Heloísa Covolan] e HT [Hélio Teixeira]: generosos mestres meus, que mostraram-me o jornalismo e ensinaram-me muito mais do que a vida acadêmica. Grande Professor Pena, o mestre da ética, a quem tínhamos vontade de aplaudir a cada aula encerrada na faculdade. Ainda lá atrás, Professor Senzi, na 6ª ou 7ª série do Colégio Marista Santa Maria, que guardo com carinho pelas lições de amor ao português! Professoras Nanci Gonçalves da Nóbrega [da PUC-Rio] e Clarice Alves Martins [da PUC-PR e da aula particular de regência verbal em Guaratuba!], musas inspiradoras do amor à vida!
 
Também são muitos os “grandes nomes”, lógico. O primeiro de todos, Clarice. A conheci em sonho, ainda adolescente. Uns dias mais tarde descobri que aquela moça com quem me encontrei era a tal Lispector. A ela devo o meu despertar às letras. Também Machado de Assis, o melhor início que eu poderia ter. 
 
A todos os citados e aos demais amigos que, com participações diferentes em minha vida porém não menos importantes, me engradeceram e ainda me fazem crescer todos os dias, minha profunda admiração!

2 comments 7 Abril 2008

Cazuza não combina com praia

No radinho, na tenda montada na beira da praia, “Boas Novas”. Duas gurias conversam. “Cazuza não combina com praia”, diz uma delas. Bingo! Um tema para o trabalho que eu deveria entregar para conclusão da disciplina de música, da pós-graduação de Leitura de Múltiplas Linguagens!
Realmente, “eu vi a cara da morte e ela estava viva”1 não combina com praia, mas talvez a guria tenha generalizado demais, porque “eu preciso dizer que eu te amo”2 ou “eu quero a sorte de um amor tranqüilo”3 são trechos que podem, sim, ressoar harmonicamente com as areias brancas de uma bela praia enquanto outra-guria-bobinha-sonha-acordada-em-uma-rede-pendurada-entre-dois-coqueiros.
A música é o clima. E a temperatura pode ser das mais baixas ou estar entre as mais altas, vai depender da música. Tudo na vida, coisas e pessoas, o universo enfim, tudo tem seu ritmo e é influenciado pelos ritmos ao redor. Nem refiro-me aqui ao mérito de freqüência de ondas, busco apenas enfatizar a importância da música em nossas vidas, a influência – negativa ou positiva – em nosso cotidiano.
A música nos envolve, desperta sentidos e faz oscilarmos entre diversos estados físicos e emocionais. Sendo assim, como arma poderosa, é utilizada em igrejas para fortalecer a fé de fiéis – e convencer infiéis! -; serve de instrumento de tratamentos psicólogicos; é utilizada em criadouros de animais para acalmá-los; é insistemente indicada a gestantes, a fim de que venha ao mundo um bebê tranqüilo, esperto e com ouvidos aguçados; entre muitos outros empregos.
Cada ouvinte traz uma bagagem musical e sensorial distinta. Para uns, “segue o seco sem sacar que o caminho é seco”4 é uma estrada longa e estafante, enquanto para outros, “ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais”5 é a estrada solitária e serena. “Longe de casa a mais de uma semana”6 pode trazer uma melancolia inexplicavelmente gostosa, da mesma agradável e despretensiosa sensação ao ouvir “eu gosto tanto de você que até prefiro esconder”7. Talvez este encare com revolta quando se escuta algo sobre “nas favelas, no senado“8, enquanto aquele sinta remorso ou algo parecido ao ouvir alguém anunciar “sou uma gota d’água, sou um grão de areia“9. Alguns deixam de acreditar que tudo é pra sempre quando percebem que “mudaram as estações”10, porém, mantêm uma ilusão, de bobeira mesmo, achando que detalhes “a toda hora vão estar presentes”11. Às vezes, a música convida a bailar pelas lembranças da infância, como quando chega um certo “ursinho querido”12 ou pelas lembranças de um tio querido que faz pensar na família maravilhosa que se tem, ao ouvir, sabe-se lá o porquê, “você não é doce de côco mas enjoei de você”13! Algumas canções têm o poder de nos remeter a lugares especiais guardados no coração, lugares que abrigam o que éramos e o que somos na essência… tais como quando o trio “começa na Ponta Grossa e termina ali na praça…”14. E pra alguns é tão fácil abrir a boca e cantarolar, em alto e bom som, quando no radinho toca “enquanto você se esforça pra ser”15, da mesma maneira que é até difícil respirar quando uma voz feminina, nada tímida, faz ressoar “por isso cuidado meu bem”16. Na música, alguns sabem a hora certa de perguntar “Do You Wanna Dance”17 e outros de dizer que, dançando bem ou mal, “na nossa festa vale tudo”18. E a saudade em “vai minha tristeza e diz a ela que sem ela não pode ser“19. E a prévia saudade, antecipada, em “menininha, não cresça mais não, fique pequenininha na minha canção”20.
Música é paixão pela vida. E é por isso que me emociono a cada vez que meu filho, com menos de dois anos, liga o som, aponta para um de seus cd´s de músicas preferido e escuta “Leão! Leão! Leão! És o rei da criação!”21 e dança comigo. E é por isso que me emociono a cada vez que escuto um fugidio “Pau, Edra, Im, Inho, Esto, Oco, Ouco, Inho, Acro, Idro, Ida, Ol, Oite, Orte, Aço, Zol…”22 Fugidio… tal como nossa alma, que escapa e viaja, quando envolvida por música. Pulsante… tal como as batidas de nosso coração, aceleradas ou retardadas pela música. Fluido… tal como nossa respiração.

SELEÇÃO
1. Boas Novas, Cazuza.
2. Preciso Dizer Que Te Amo, Dé/Bebel Gilberto/Cazuza.
3. Todo Amor Que Houver Nessa Vida, Cazuza/Frejat.
4. Segue o Seco, Carlinhos Brown/Marisa Monte.
5. Ando Devagar, Zé Ramalho.
6. A Dois Passos do Paraíso, Evandro Mesquita/Ricardo Barreto.
7. Apenas Mais Uma De Amor, Lulu Santos/Nelson Motta.
8. Que País É Este?, Renato Russo.
9. Pais e Filhos, Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá.
10. Por Enquanto, Renato Russo.
11. Detalhes, Roberto Carlos/Erasmo Carlos.
12. Ursinho Pimpão, T.Landa/T.Cruz/Edgard Poças.
13. Doce de Côco, Cláudio Fontana/Wanderley Cardoso.
14. Hino da Banda de Guaratuba, Heitor Valente/César Costa Filho.
15. Maluco Beleza, Raul Seixas/Claudio Roberto.
16. Como Nossos Pais, Belchior.
17. Whisky à Go-Go, Michael Sullivan/Paulo Massadas.
18. Dancin Days, Nelson Motta/Ruban Barra.
19. Chega de Saudade, Vinicius de Moraes.
20. Valsa Para Uma Menininha, Vinicius de Moraes/Toquinho.
21. O Leão, Arca de Noé, Fagner/Vinicius de Moraes.
22. Águas de Março, Tom Jobim.

[Postado originalmente em 17.01.2008, às 16:20, no blog-se.]

1 comment 3 Abril 2008

Porrada na mesa – Da importância de uma mão pesada

Nunca fui uma aluna brilhante. Mediana, com médias sempre beirando o seis, ou pra cima ou pra baixo, cresci me digladiando com a matemática. Aquilo não era número, era grego. Porém, tive alguém que batia – socava! – na mesa onde eu estudava, choramingando, a maldita matemática. E dá-lhe porrada, dá-lhe porrada [ na mesa! ] até eu compreender logaritmo, funções, geometria… até análise combinatória perfurar as grossas paredes de meu cérebro e conseguir um lugarzinho naquele monte de caraminholas.

DA IMPORTÂNCIA DE UMA MÃO…
O braço firme que sustentava aquela mão era de meu pai. E graças a ele, naquele vai-e-vem de choramingos meus e de porradas dele, nunca “rodei” de ano no colégio. Aprendi matemática na marra! Essas aulas particulares com meu pai vieram à lembrança esta semana pelo aparecimento de um outro “professor maluco” em minha vida! Assim como meu pai, ele também foi bancário. Está me orientando para uma prova de concurso para a carreira… bancária! Com ele, as mesas da sala de aula também estão sofrendo… Coincidência ou não, um bom sinal! Sinal de resultados, de entendimento. Acredito que sim!
(…)
Brincadeiras à parte… espero um dia também ser assim… de alguma forma poder retribuir a dedicação e o conhecimento compartilhado por meus “professores” de toda a vida, bancários e não-bancários.. ser uma boa e velha mão pesada na vida de alguém!

[Postado originalmente em 04.12.2007, às 17:54, no blog-se.]


1 comment 3 Abril 2008


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