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NEY???

É! Ney Matogrosso, sim, senhor!
Hoje me dei conta de que, realmente, com o passar dos anos, vamos ficando cada vez mais e mais parecidos com os nossos pais. Talvez isso seja inevitável, quem sabe… Fato é que [ai que raiva dessa expressão, ando usando muito... coisa mais jacu!!!], esta semana, me peguei “apreciando” a voz de Ney Matogrosso (realmente linda, única…). Ai ai ai… e como zoei da coitada de minha mãe aquela vez em que ela foi no show do dito cujo, no Guaíra! Ê lê lê!
Coisa boa os termos como referência… esses dois seres de outro mundo chamados PAI e MÃE! Só podem ser de outro mundo, porque não vejo a menor possibilidade física de um corpo humano abrigar um coração tão imenso como o deles. Ultrapassa, porque não tem limites. Como sei disso? Porque também sou mãe. Antes não sabia.
Como dizia uma propaganda de tevê, “quando nasce uma criança, nasce também uma mãe”. Traduzindo: nasce um ser capaz de AMAR. Detalhe: INCONDICIONALMENTE. O maior amor do mundo é este amor…
Hummm… voltando ao Ney… acho que gosto de perceber que estou ficando parecida com meus dois anjos (ou et´s?). Gosto de perceber a genética mostrando sua força… a herança do caráter dos dois refletida em minhas atitudes… o amor que recebo extrapolado ao que dôo a meu filho!
Uma singela e meiga [!] homenagem, atrasada, ao Dia das Mães, e adiantada, ao Dia dos Pais!
Add comment 14 Maio 2009
Caleidoscopiando!

Você sabia [estilo Guia dos Curiosos!] que para que uma pessoa pudesse ver todos os desenhos formados por um caleidoscópio feito com 20 pedaços de vidro, algo que gera dez novos desenhos por minuto, levaria 500 bilhões de anos? Não sei quem fez esse cálculo [coisas da internet!] muito menos como chegaram a essa conclusão [matemática nunca foi o meu forte!], fato é que o caleidoscópio, esse brinquedinho inglês com mais de 200 anos, pode nos ensinar um bocado!
O que me fez pensar num caleidoscópio hoje foi a bagunça que se instalou em minha casa, em questão de minutos! Almofadas e travesseiros jogados no meio da sala. Farelo de bolacha no sofá. Vum-vuns e mais vum-vuns pelo corredor. Papel, caneta, lápis espalhados. Filmes, livros, gibis embaralhados. Até que…. no chão recém limpo… de repente… terra! Meu vaso de Melissa virado no chão. Por uns segundos paro, estagnada, digerindo. Não tiro meus olhos dos seus olhos. Meus lábios começam a se mordiscar. Jááá pro quarto e não quero ouvir neeem mais uuum pio seu! Rs… [ Essa do pio é herança da pré-escola. Tive uma professora que adorava acabar com a farra dos passarinhos! ]
Não lembro se alguma vez avisei ao pequeno que não deveria ficar pulando de um sofá para o outro nem fazer de cavalinho o braço do sofá, para evitar que se machucasse e derrubasse minhas plantas. Talvez tenha avisado, sim… São tantas coisas a dizer, tantos cuidados, tantos “olha isso-olha aquilo”…
Enquanto chora e esperneia no quarto, aproveito para jantar num relativo sossego [casa com criança não se pode dar ao luxo do silêncio]. A ausência de alguém pulando, dançando, girando, perguntando, perguntando, perguntando, gritando, cantando, jogando, batuc, batucan, batucando, falando, falando, falando… é momento raro, portanto, bem valorizado!
Depois de jantar ao som de resmungos e soluços, parto pra “conversa elucidativa”. Meu filho, pare de chorar e me diga o que você fez de errado? Você viu o que aconteceu com a florzinha? A mamãe já tinha te avisado sobre isso… [já?]
Moomõõe, q-qu-quero v-vo-voltar p-pra s-sa-sala…. Tá, Felipe, vai. Mas o que vc aprendeu com isso tudo? N-não vou m-mais f-fa-fazer i-is-isso… Ok…. vai.
Dormiu no sofá, me olhando com aqueles zóinhos de cachorrinho pidão, implorando por um sorriso que o fizesse dar aquelas suas gargalhadas deliciosas. E sorri. Rs… Te amo, momõe…. Te amo, meu anjo!
E fiquei a pensar o que ele pensou na hora de pensar sobre o que tinha feito de “errado”. Que ângulo suas ideiazinhas formaram dentro do caleidoscópio de sua mente? Qual o desenho que seu raciocínio de três anos formou? Foi o mesmo desenho que vi no meu caleidoscópio? Certo que não… isso exigiria alguns bilhões de anos…
Por isso é bom espreitarmos o mundo pelo buraco do caleidoscópio! Eficiente exercício de compreensão.
A terra ainda está ali…. vou limpar agora.
Add comment 7 Abril 2009
No ninho…

Dias ensolarados, tardes luminosas, noites estreladas de brilho intenso no céu platinado. Dias de recolhimento, menos conversas e mais olhares, mais sensações e percepções, menos atitudes expressivas e mais reflexões. É importante respeitar o momento propício à introspecção. Tempo de aconchego, de ninho. Uma chance a mais de nos conectarmos com a Roda Sagrada da Vida. A oportunidade de percebermos a Mãe Terra nos envolvendo, na brisa suave e no tapete dourado de folhas secas que cobre o chão. Cores quentes nos mostrando novos caminhos. A Natureza se prepara para o inverno. As aves e os animais ficam mais silenciosos. Tudo convida ao descanso. É o outono que chega!
Com ele, novos aromas pelo ar! O salgado do verão cede lugar ao cheiro de bolo saindo do forno! A brincadeira na areia dá lugar ao sono no colo de mãe, na casa anoitecendo com as luzes do céu. A respiração da criança orienta o ritmo da casa. Cheiro de mãe. Aconchego entre os seios, lembrança do alimento primeiro. O lanche durante a brincadeira agora é mesa posta para o café da tarde. O rosa das flores agora é canela embrenhando-se pela casa.
Silêncio nas casas, silêncio nas mentes. Agora, nossos corações voltam-se para nós mesmos e pedimos a Mabon, Deus do Amor, proteção aos que amamos e força para superarmos o porvir, a escuridão do inverno. O fogo queima, em gratidão, os nomes das mulheres que nos antepassaram e, assim, resgatamos a energia acolhedora daquela que cuida e protege. Desde o Alban Elfed, “Luz do Outono” ou “Dia do Equilíbrio”, comemorado em 21 de março, nos voltamos ao agradecimento e nos aconselhamos com nossos sábios ancestrais. Nesta época, a Mãe Terra nos sopra a magia amarela e laranja e faz amadurecer os frutos que serão guardados para o inverno que se aproxima. É momento de colheita e de reserva de alimentos. É tempo de alinhar-se com a natureza para o equilíbrio dos corações!
Add comment 6 Abril 2009
Aberturas no Equinócio
— Pra Brasília, por favor!
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Quarta visão. Câmeras são instrumentos do olhar, mas somente cumprem seu papel maior quando nossa visão do meio é ativada. As câmeras fotográficas, de alguma forma, nos estimulam a abrir cada vez mais esse “olho d´alma”. Nos estimulam a ver mais longe, mais perto, mais focado, mais fora de foco, mais colorido, mais preto-e-branco, mais macro, mais micro…
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Um imenso Morpho menelaus tenuilimbata, mais conhecido como borboleta-azul-praia-grande, da mesma família que borboleteou nossa infância pelos arredores do Santa Maria, nos recebe na Ilha do Mel. As boas-vindas no trapiche!
Essa borboleta é cultuada pela tradição indígena do Brasil como a “alma do índio morto” e voa somente nos meses de março e abril.
Tento fotografá-la mas… desapereceu pelo caminho como se fosse uma entidade mágica, uma fada ou, realmente, a alma de um índio morto.
O dia começou, então, num azul brilhando!
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Nossos pézinhos começam a nos guiar pela Ilha Mágica, sob o comando do coração. Uma parada para catar conchinhas na areia. Vício e delícia antiga. Peço licença e seleciono três jóias de Gaia. Também um pedaço de madeira ou osso que, observando agora, me lembra um garfo estilizado. Garfos alimentam.
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Placas. Fotos. Nuvens. Fotos. Siris. Fotos.
Plantas. Fotos. Ondas. Fotos. Nós. Fotos.
[...]
Banho de mar.
Crianças na arrebentação.
Crianças conversando a vida.
Crianças desfiando a vida.
Crianças brincando de correr, entre vaga-lumes…
[...]
Segue a caminhada. Farol e Fortaleza em relevo na parede de uma casa.
[...]
Vaga-lumes me iluminam (o dia todo a poesia prevalece e “Vagalumes”, música-presente, toma conta de mim).
E foi até estranho, a gente nem deu conta,
Talvez na outra ponta, alguém pudesse pensar:
Menino vaga-lume, flor, menino estrela, a brisa mais forte veio te buscar…
[...]
Forte de Nossa Senhora dos Prazeres. Pedras imponentes. Natureza fortaleza. E por de cima do muro, a gente enxerga o mundo.
[...]
Na natureza, na santa paz de Deus… “desce do coqueiro que o almoço tá esfriaaando”! O garçom acena pra saírmos do mar. Ducha doce no meio do verde. Um peixinho à dorê, no molho vermelho, acompanhado de salada e batata souté. Simplesmente de lamber os beiços (com o perdão do termo)!
[...]
Maré alta. Mas o medo não vence, pois não “tamos” só… O voo dos pássaros contagia. A cor e a temperatura d´água convencem. Não precisamos do pôr-do-sol do Farol, porque também no Istmo a poesia prevalece. A paz. No Passa-Passa ficamos. E ali demos a volta ao mundo!
E quando a gente apaga, tudo fica escuro!
No trapiche, a incerteza da ida. Na ruela das pousadas, delicadamente iluminada, a vontade de ficar. Garoa, como em toda boa viagem. As conversas mansas. Sotaque gostoso do caiçara. Escuridão plena. Apenas os pontos de luzes lá looonge, depois do horizonte. Sentadas na ponta do trapiche, sorriso no rosto e na alma, sorvemos os pingos da chuva. E a conversa também vai ficando looonge… só os pingos e a paz. O barquinho vem se aproximando. A metáfora real da passagem, agora com mais bagagem. Sozinhas na barca, travessia única, gratidão.
Na despedida, companhia: estrelas vagalumes dentro de uma caixa! Aquele serzinho, tão presente pela música durante todo o dia, agora pousado em minha mão, caminhando por mim, seguindo comigo para casa… ME ILUMINANDO!
[...]
… um final de semana cheio de presentes… diz “tia” Renata (herança da infância, pais de amigas serão sempre tios)! A bênção de estarmos num lugar maravilhoso, na companhia da melhor amizade, no convívio de uma bonita família, rodeadas de “coincidências” pelo caminho, integradas com os cinco elementos e abraçadas pela Mãe Terra e pelo Pai Cosmos, de mãos dadas com a Irmã Lua e o Irmão Sol… DIAS-PRESENTES DE DEUS!
[...]
Pra temperar os sonhos e curar as febres,
Inserir nas preces do nosso sorriso,
Brincando entre os campos das nossas idéias,
Somos vaga-lumes a voar perdidos…
A voar perdidos…
- Trechos de “Vagalumes”, d´O Teatro Mágico. Mais um presente que recebi nesses dias de março!
Add comment 1 Abril 2009
Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!
“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)
1 comment 13 Junho 2008
Para mim, para minha mãe, para a mãe de minha mãe, para a mãe da mãe de…
Hoje (05 de maio) é aniversário de meu filho, Felipe. Dois aninhos! Em minha oração antes de dormir, ontem, peguei o livro “Uma Idéia Toda Azul” e o abri aleatoriamente, mentalizando que o conto em que eu abrisse seria uma homenagem minha a ele, algo que lhe enviasse boas energias! O escolhido por minhas mãos foi “Um Espinho de Marfim”.
Durante a caçada do rei, comecei a entender o recado. Eu, a princesa. Meu menino, o unicórnio. A vida, o rei. “Que animal era aquele de olhos tão mansos retido pela artimanha de suas tranças?” (Colasanti, 2006, p. 26)
Logo despertou minha atenção a prisão do unicórnio com a rede de ouro feita dos próprios cabelos da mãe, ops, da princesa. Uma prisão bonita, mas ainda uma prisão. O amor, quando muito muito cheio de cuidados e proteção, quando dono, também aprisiona.
Quanto demorou a princesa para conhecer o unicórnio?
Quantos dias foram precisos para amá-lo?
(Colasanti, 2006, p. 26)
Como jamais conhecer o menino?
(Lispector, 1981, p. 142)
Do contrário da narradora da felicidade clandestina de Clarice, a princesa de Marina não precisou esperar o tempo de o unicórnio se deteriorar para conhecê-lo. Não precisou se afastar do animal. Ela se aproximou, olhou bem em seus olhos e o conhecimento – ou reconhecimento – veio de imediato. Com ele, o amor.
Em Marina, bastou o olhar. E o olhar com o coração. O unicórnio, livremente, fez-se entender pelo olhar, unicamente. Em Clarice, o olhar era inútil. O menino, em sacrifício próprio… “com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o compreenderá, senão ninguém irá para o seu silêncio ninguém o conhece se ele não disser e contar” (Lispector, 1981, p. 139)
O sacrifício presente nas três obras: na minha, na de Marina e na de Clarice. O sacrifício de três mães em nome de seus filhos, cumprindo a missão que o coração as impõe: amá-los acima de tudo, acima de si mesmas. Três mães em vida, em prosa e em poesia. Uma não menos mágica que a outra.
Leia:
COLASANTI, Marina. Um Espinho de Marfim, em Uma Idéia Toda Azul. São Paulo: Global, 2006.
LISPECTOR, Clarice. Menino a Bico de Pena, em Felicidade Clandestina. 1981.
1 comment 6 Maio 2008
