Posts filed under 'Luz'
Lição de vida crucial
Certo fazendeiro resolve contratar um carpinteiro para uma série de reparos em sua propriedade. O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil. O pneu de seu carro furou, fazendo com que ele deixasse de ganhar uma hora de trabalho. Sua serra elétrica quebrou, e aí ele cortou o dedo. Como se não bastasse, no final do dia, seu carro não funcionou. Assim, o fazendeiro resolve oferecer carona para casa.
Percorrida a viagem, o carpinteiro convidou-o a entrar e conhecer sua família. Quando os dois se dirigiam à porta da casa, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou as pontas dos galhos com as duas mãos. Ao abrir a porta de casa, o carpinteiro já parecia outro: os traços tensos do seu rosto transformaram-se em um grande sorriso. Ele abraçou os filhos e beijou a esposa. Após uma alegre refeição, o fazendeiro agradeceu e despediu-se de todos.
O carpinteiro acompanhou seu convidado até o carro. Assim que passaram pela árvore, o fazendeiro questionou seu anfitrião sobre o motivo pelo qual ele tocara na planta antes de entrar em casa. – Ah! Esta é a minha planta dos problemas. Eu sei que não posso evitar todos os problemas no meu trabalho, mas eles não devem chegar até os meus filhos e minha esposa.
Então, toda noite, eu deixo meus problemas nesta árvore quando chego em casa, e só os pego de volta no dia seguinte. E o senhor quer saber de uma coisa? Toda manhã, quando volto para buscar meus problemas, eles não são nem metade daquilo que eu lembro de ter deixado na noite anterior.
* Fonte: Gazeta do Povo, 31/10/2009 às 12:16
Add comment 1 Novembro 2009
Oração dos Anônimos

Paizinho, que eu seja solidária nos caminhos da vida,
que eu descubra as tantas maneiras de auxiliar e ser útil,
que eu me sinta livre para compartilhar nobres valores,
que eu faça de todos os momentos ocasiões para avançar nos sentimentos de união,
que eu tenha sensibilidade para dar mais atenção aos meus semelhantes,
e que eu possa, assim, crescer nas trilhas do coração.
Paizinho, que eu tenha como espelho as grandes virtudes da humanidade,
que eu reforce diariamente as minhas atitudes positivas,
pois somente assim crescerei como coletividade.
Paizinho de amor, que meu ventre expanda infinita criatividade
para pintar minhas músicas internas,
para ver desenhos em nuvens,
para tirar do peito as mais belas palavras,
para enxergar as mil nuances do arco-íris,
para representar e festejar toda Sua beleza.
Paizinho, que minhas mentalizações diárias tenham o poder da mudança.
Que eu me lembre, na velocidade de cada pensamento, que atrairei aquilo que irradiar.
Que meu sorriso e meus abraços sejam constantes e sinceros.
Pai, que eu potencialize o valor de meus sonhos,
que eu busque alternativas para ajudar a curar o chão que piso,
que eu tenha fé e acredite nas essências de meus irmãos,
e que, com toda força que recebi de ti, eu seja consciente de minhas responsabilidades como ser sagrado.
* Oração inspirada e baseada no texto do anjito Lelo, em www.aloualem.blogspot.com.
1 comment 13 Outubro 2009
Da lavanderia… A ALMA!
Fones de ouvido e o radinho FM.
Soool lindo, céu azul, alma verde e rosa e vermelha, descendo a ladeira,
e o quá-quá-rá-quá-quá quem riu quá-quá-rá-quá-quá fui eu
abriu a boca e mostrou os dentes.
Na calçada, chegou Elizeth. Voz torta já, a mulher.
Perna lá outra cááááá ooolha a rua, sua doida!
Vivendo, a mulher. Sei lá, o limãozinho vai bem, também.
Mas fico com água! Vivendo, a mulher.
Na outra esquina, a voz de vento Cáétãno, vinagre balsâmico.
Sem avisar, a carioca estoura a avenida no maior show da Terra.
E aí, me irmão, não tem voz que fique enclausurada, não tem mão que não batuque o pandeiro da coxa, não tem pé que não arrisque uns passinhos na calçada quebrada… nããão, não, ninguém ali mais feliz mesmo… nem o que viu os braços abertos equilibristas de pés no meio-fio, nem o que ganhou do vento a música da voz desafinada da guria verde e vermelha e amarela, nem o que espiou da janela o sorriso e as cores dela…
Que beleza! Quanta beleza vinda de um só bloco… de um monobloco!
E dá os 4km. Chão. Alma. Vento. Cheiro de sabão. Calçada lavada.
No portão de casa, um aviso: atenção, menina, ao dobrar uma esquina!
Atenção! Atenção! Atenção para o refrão!
Que cheiro de sabão!
1 comment 15 Junho 2009
Minha Querência na Quaresma
A Quaresma é, em resumo, a preparação dos cristãos para a grande festa da Páscoa. Durante este período, os fiéis são convidados a um período de penitência e meditação, por meio da prática do jejum (privação e purificação), da caridade e da oração. Começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na tarde da Quinta-feira Santa, quando se inicia o Tríduo Pascal. Para alguns, é uma época de esforços pessoais na tentativa de se tornarem seres-humanos melhores, hasteando a bandeira da justiça, da paz e do amor entre os homens. É um empurrãozinho, digamos assim, já que esses esforços podem – e devem – acontecer nos 365 dias do ano, não apenas nesses 40! Por exemplo, este ano, meu propósito inicial para a Quaresma era [era!] não falar palavrões. Ao menos, reduzi-los. Confesso que, por maiores que tenham sido meus esforços, não alcancei este objetivo! Às vezes eles precisam extravasar e dão uma escapulida!
Fato é que, de um jeito ou de outro, vivenciei com intensidade a Quaresma deste ano. Apesar de católica por batismo, vivo de acordo com a espiritualidade que meu coração manda [e , admito, ele é muito mais à vontade com os costumes pagãos! Por sinal, de onde originam muitas das festas cristãs]! Mesmo não concordando com diversos preceitos da tradição católica, sigo alguns caminhos dela. A Quaresma é um entre os quais acho interessante. Recolhimento para reflexão sobre nós mesmos, sobre nossa vida, sobre nossa relação com Deus [ou como prefira chamar essa Luz Maior] e com o mundo é sempre válido.
Neste ano, uni a Quaresma uma palavra da qual gosto muito: QUERÊNCIA. Querência de espaço, de delimitar território, de fixar morada, de enraizar-se, de encontrar um lugar que seja seu. Querência de querer, de bem-querer. A essência da palavra “querência” está diretamente ligada a “coração”. Querência são os nossos lugares no mundo e em nós mesmos, matéria e espírito. São os lugares em que crescemos como pessoas, os lugares onde criamos, onde nos energizamos, nos iluminamos, onde readquirimos nossos poderes.
Foi isso que trabalhei nestes 40 e poucos dias. Foram estes lugares – de fortaleza, de força, de conhecimento e crescimento, de gratidão, de amor e verdade – que encontrei, em mim mesma e nos outros! Foram estes lugares que reaprendi a encontrar! Foram estas querências que reaprendi a querer!
Add comment 9 Abril 2009
Dupla Espiral

Hoje recebi um presente especial! Uma linda menininha, de olhinhos negros orientais, me ofereceu uma belíssima flor desabrochando! A flor era um degradè do branco ao cor-de-rosa, com sutis tons de amarelo. “Uma Flor-de-Lótus”, disseram-me mais tarde!
A Flor-de-Lótus, como diz a lenda, é obra da união entre fogo, ar, terra e água. Composta de fragmentos de cada um, é símbolo da perpetuação do encontro dos quatro elementos. A terra alimenta suas raízes. A água faz crescer sua haste. O ar tonifica suas pétalas. O calor do fogo dá as mais belas cores às suas corolas.
Tal como a Fênix, que renasce das cinzas, a Flor-de-Lótus é exemplo do belo que brota do lodo. Resplandece nas águas, imaculada, e serve ao homem como símbolo de pureza e perfeição humana. Tal como a Dupla Espiral, a Flor-de-Lótus, quando refletida n´água, mostra o equilíbrio para que o homem siga pelo Caminho do Meio, transite entre os três mundos.As pétalas da Flor-de-Lótus abrem-se para o sol assim como nossa alma abre-se para o entendimento!
Criança linda, lhe agradeço o presente divino! A beleza e a força! A inspiração! A elevação!
Add comment 8 Abril 2009
Aos meus amigos Viajantes!

De tempos em tempos, descem à terra seres especiais que carregam Chaves de Ouro: são os Viajantes do Tempo. O mais famoso deles é MelcZdec. É alguém como o personagem Melquíades, de García Marquez, em Cem Anos de Solidão. Cigano, andarilho, vai e volta. Sábio, relata, na trama, a aparição da família Buendía, a origem de tudo, em pergaminhos míticos que alcançam a ordem do sagrado.
Os Viajantes do Tempo são aqueles seres, personificados, capazes de grandes transformações. Têm o dom de iluminar, renovar, fazer renascer. Às vezes, quando o mundo necessita de uma reviravolta antes da perdição total no meio do caos, ocorre um movimento intenso de Viajantes do Tempo entre nós. Nesses períodos, há um enxame de nascimentos de crianças que trazem a centelha de luz e desenvolvem, mais tarde, atividades que envolvam as artes, o belo, a criatividade. Eles veem, plantam sementes de amor, concretizam suas tarefas, cumprem sua missão, e se vão, deixando para nós um mundo mais iluminado.
O Renascimento, após a obscuridade da Idade Média, é um exemplo desses períodos. Foi uma época marcada pelo aparecimento de grandes artistas, doutores, alquimistas etc. Nesse nosso tempo de agora – império da ganância, do medo, do desrespeito ao próximo, da desconfiança, da violência, da ignorância, da irresponsabilidade ambiental, da irracionalidade coletiva… – contamos, mais uma vez, com a ajuda desses Viajantes! Aos olhos dos corações mais sensíveis, é fácil notar a presença deles no meio de nós! Sejam famosos, grandes homens da humanidade, consagrados pela História… ou anônimos, pessoas grandes sempre dispostas a dar um sorriso de paz, um olhar atento, um terno abraço, um silêncio amigo, uma boa palavra…
Há quem os chame de Nação do Arco-íris ou Seres Índigos ou… não importa! Integram um grupo de seres de luz e, graças a eles, há esperança para a humanidade! As características dos Viajantes do Tempo são:
- DEVOÇÃO (doação, dedicação extrema ao trabalho);
- FORTALEZA (têm a força de olhar para si mesmos e reconhecer sombra e luz);
- HONRADEZ (respeito aos outros, mas primeiro a si mesmo);
- LEVEZA (flexibilidade, nem tanto ao céu nem tanto à terra);
- ORGULHO (do que são, sabem se posicionar);
- MEDIUNIDADE (reconhecimento dos poderes sutis que todos temos);
- MISERICÓRDIA (abertura de coração, compaixão consigo mesmo e com os outros);
- GRATIDÃO (a si mesmo e aos outros); e,
- INTELIGÊNCIA (enxergar com desapego, sem julgar. Ver com todas as nossas visões. Abertura total. Respeitar. Olhar duas vezes, sem impulsos nem impaciências).
Isso é o sagrado, porque esse perfil engloba o AMOR e a VERDADE!
E eu escrevo sobre isso hoje para despertar a atenção de todos para que percebam os Viajantes do Tempo que nos cercam! E, principalmente, escrevo para AGRADECER a todos os meus amigos, a todas as grandes pessoas que cruzaram e cruzam meu caminho e que, sem dúvida, trazem a centelha divina! Reconheço essa luz em cada gesto, em cada sorriso, em cada abraço, em cada palavra, em cada olhar! OBRIGADA POR ENGRANDECEREM MINHA JORNADA!!!
1 comment 7 Abril 2009
No ninho…

Dias ensolarados, tardes luminosas, noites estreladas de brilho intenso no céu platinado. Dias de recolhimento, menos conversas e mais olhares, mais sensações e percepções, menos atitudes expressivas e mais reflexões. É importante respeitar o momento propício à introspecção. Tempo de aconchego, de ninho. Uma chance a mais de nos conectarmos com a Roda Sagrada da Vida. A oportunidade de percebermos a Mãe Terra nos envolvendo, na brisa suave e no tapete dourado de folhas secas que cobre o chão. Cores quentes nos mostrando novos caminhos. A Natureza se prepara para o inverno. As aves e os animais ficam mais silenciosos. Tudo convida ao descanso. É o outono que chega!
Com ele, novos aromas pelo ar! O salgado do verão cede lugar ao cheiro de bolo saindo do forno! A brincadeira na areia dá lugar ao sono no colo de mãe, na casa anoitecendo com as luzes do céu. A respiração da criança orienta o ritmo da casa. Cheiro de mãe. Aconchego entre os seios, lembrança do alimento primeiro. O lanche durante a brincadeira agora é mesa posta para o café da tarde. O rosa das flores agora é canela embrenhando-se pela casa.
Silêncio nas casas, silêncio nas mentes. Agora, nossos corações voltam-se para nós mesmos e pedimos a Mabon, Deus do Amor, proteção aos que amamos e força para superarmos o porvir, a escuridão do inverno. O fogo queima, em gratidão, os nomes das mulheres que nos antepassaram e, assim, resgatamos a energia acolhedora daquela que cuida e protege. Desde o Alban Elfed, “Luz do Outono” ou “Dia do Equilíbrio”, comemorado em 21 de março, nos voltamos ao agradecimento e nos aconselhamos com nossos sábios ancestrais. Nesta época, a Mãe Terra nos sopra a magia amarela e laranja e faz amadurecer os frutos que serão guardados para o inverno que se aproxima. É momento de colheita e de reserva de alimentos. É tempo de alinhar-se com a natureza para o equilíbrio dos corações!
Add comment 6 Abril 2009
Aberturas no Equinócio
— Pra Brasília, por favor!
[...]
Quarta visão. Câmeras são instrumentos do olhar, mas somente cumprem seu papel maior quando nossa visão do meio é ativada. As câmeras fotográficas, de alguma forma, nos estimulam a abrir cada vez mais esse “olho d´alma”. Nos estimulam a ver mais longe, mais perto, mais focado, mais fora de foco, mais colorido, mais preto-e-branco, mais macro, mais micro…
[...]

[...]
Um imenso Morpho menelaus tenuilimbata, mais conhecido como borboleta-azul-praia-grande, da mesma família que borboleteou nossa infância pelos arredores do Santa Maria, nos recebe na Ilha do Mel. As boas-vindas no trapiche!
Essa borboleta é cultuada pela tradição indígena do Brasil como a “alma do índio morto” e voa somente nos meses de março e abril.
Tento fotografá-la mas… desapereceu pelo caminho como se fosse uma entidade mágica, uma fada ou, realmente, a alma de um índio morto.
O dia começou, então, num azul brilhando!
[...]
Nossos pézinhos começam a nos guiar pela Ilha Mágica, sob o comando do coração. Uma parada para catar conchinhas na areia. Vício e delícia antiga. Peço licença e seleciono três jóias de Gaia. Também um pedaço de madeira ou osso que, observando agora, me lembra um garfo estilizado. Garfos alimentam.
[...]
Placas. Fotos. Nuvens. Fotos. Siris. Fotos.
Plantas. Fotos. Ondas. Fotos. Nós. Fotos.
[...]
Banho de mar.
Crianças na arrebentação.
Crianças conversando a vida.
Crianças desfiando a vida.
Crianças brincando de correr, entre vaga-lumes…
[...]
Segue a caminhada. Farol e Fortaleza em relevo na parede de uma casa.
[...]
Vaga-lumes me iluminam (o dia todo a poesia prevalece e “Vagalumes”, música-presente, toma conta de mim).
E foi até estranho, a gente nem deu conta,
Talvez na outra ponta, alguém pudesse pensar:
Menino vaga-lume, flor, menino estrela, a brisa mais forte veio te buscar…
[...]
Forte de Nossa Senhora dos Prazeres. Pedras imponentes. Natureza fortaleza. E por de cima do muro, a gente enxerga o mundo.
[...]
Na natureza, na santa paz de Deus… “desce do coqueiro que o almoço tá esfriaaando”! O garçom acena pra saírmos do mar. Ducha doce no meio do verde. Um peixinho à dorê, no molho vermelho, acompanhado de salada e batata souté. Simplesmente de lamber os beiços (com o perdão do termo)!
[...]
Maré alta. Mas o medo não vence, pois não “tamos” só… O voo dos pássaros contagia. A cor e a temperatura d´água convencem. Não precisamos do pôr-do-sol do Farol, porque também no Istmo a poesia prevalece. A paz. No Passa-Passa ficamos. E ali demos a volta ao mundo!
E quando a gente apaga, tudo fica escuro!
No trapiche, a incerteza da ida. Na ruela das pousadas, delicadamente iluminada, a vontade de ficar. Garoa, como em toda boa viagem. As conversas mansas. Sotaque gostoso do caiçara. Escuridão plena. Apenas os pontos de luzes lá looonge, depois do horizonte. Sentadas na ponta do trapiche, sorriso no rosto e na alma, sorvemos os pingos da chuva. E a conversa também vai ficando looonge… só os pingos e a paz. O barquinho vem se aproximando. A metáfora real da passagem, agora com mais bagagem. Sozinhas na barca, travessia única, gratidão.
Na despedida, companhia: estrelas vagalumes dentro de uma caixa! Aquele serzinho, tão presente pela música durante todo o dia, agora pousado em minha mão, caminhando por mim, seguindo comigo para casa… ME ILUMINANDO!
[...]
… um final de semana cheio de presentes… diz “tia” Renata (herança da infância, pais de amigas serão sempre tios)! A bênção de estarmos num lugar maravilhoso, na companhia da melhor amizade, no convívio de uma bonita família, rodeadas de “coincidências” pelo caminho, integradas com os cinco elementos e abraçadas pela Mãe Terra e pelo Pai Cosmos, de mãos dadas com a Irmã Lua e o Irmão Sol… DIAS-PRESENTES DE DEUS!
[...]
Pra temperar os sonhos e curar as febres,
Inserir nas preces do nosso sorriso,
Brincando entre os campos das nossas idéias,
Somos vaga-lumes a voar perdidos…
A voar perdidos…
- Trechos de “Vagalumes”, d´O Teatro Mágico. Mais um presente que recebi nesses dias de março!
Add comment 1 Abril 2009
A ela.

Pela rua, a caminhada tem cor de praia. A noite, vazia, traz a temperatura do mar. Me traz a segurança da areia. Passos rápidos, ritmados. De repente o perfume. Adocicado. Misterioso. Morno. Indiferente. Altivo. Feminino. Já o senti antes. Atravesso uma quadra. E ele continua. Mais outra. E ele me puxa. E me puxa. Como um cordão de prata. Me conduz. É dela. Surge à minha frente, de azul e branco, esvoaçante. Cabelos longos. Venta. Nosso andar compassado. Mas a distância diminui. Ela para e isso me assusta. Na dúvida, caminho.
[...]
E encontro.
[...]
De duas, a unidade. O perfume em mim. Os cabelos longos. Meus (nossos). O vestido dançando no vento que não tem. O calor de duas almas no arrepio de frio. E assim, a força. E com ela, a lembrança de que são demais os perigos desta vida para quem tem paixão, principalmente quando uma lua surge de repente e se deixa no céu, como esquecida. Com ela, a certeza de que se ao luar que atua desvairado vem se unir uma música qualquer, aí então é preciso ter cuidado porque deve andar perto uma mulher. Com ela, a alegria de sentir que deve andar perto uma mulher que é feita de música, luar e sentimento e que a vida não quer, de tão perfeita. Com ela, o poder de uma mulher que é como a própria Lua: tão linda que só espalha sofrimento, tão cheia de pudor que vive nua.
* Em rosa, “meu” Soneto de Orfeu, de Vinicius, adaptado.
Add comment 26 Março 2009
E se a alma perguntar: quão mais longe?
Deves responder: do outro lado do rio,
Não este, o outro, logo adiante.
Alejandra Pizarnik
Add comment 11 Agosto 2008
Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!
“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)
1 comment 13 Junho 2008
Para mim, para minha mãe, para a mãe de minha mãe, para a mãe da mãe de…
Hoje (05 de maio) é aniversário de meu filho, Felipe. Dois aninhos! Em minha oração antes de dormir, ontem, peguei o livro “Uma Idéia Toda Azul” e o abri aleatoriamente, mentalizando que o conto em que eu abrisse seria uma homenagem minha a ele, algo que lhe enviasse boas energias! O escolhido por minhas mãos foi “Um Espinho de Marfim”.
Durante a caçada do rei, comecei a entender o recado. Eu, a princesa. Meu menino, o unicórnio. A vida, o rei. “Que animal era aquele de olhos tão mansos retido pela artimanha de suas tranças?” (Colasanti, 2006, p. 26)
Logo despertou minha atenção a prisão do unicórnio com a rede de ouro feita dos próprios cabelos da mãe, ops, da princesa. Uma prisão bonita, mas ainda uma prisão. O amor, quando muito muito cheio de cuidados e proteção, quando dono, também aprisiona.
Quanto demorou a princesa para conhecer o unicórnio?
Quantos dias foram precisos para amá-lo?
(Colasanti, 2006, p. 26)
Como jamais conhecer o menino?
(Lispector, 1981, p. 142)
Do contrário da narradora da felicidade clandestina de Clarice, a princesa de Marina não precisou esperar o tempo de o unicórnio se deteriorar para conhecê-lo. Não precisou se afastar do animal. Ela se aproximou, olhou bem em seus olhos e o conhecimento – ou reconhecimento – veio de imediato. Com ele, o amor.
Em Marina, bastou o olhar. E o olhar com o coração. O unicórnio, livremente, fez-se entender pelo olhar, unicamente. Em Clarice, o olhar era inútil. O menino, em sacrifício próprio… “com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o compreenderá, senão ninguém irá para o seu silêncio ninguém o conhece se ele não disser e contar” (Lispector, 1981, p. 139)
O sacrifício presente nas três obras: na minha, na de Marina e na de Clarice. O sacrifício de três mães em nome de seus filhos, cumprindo a missão que o coração as impõe: amá-los acima de tudo, acima de si mesmas. Três mães em vida, em prosa e em poesia. Uma não menos mágica que a outra.
Leia:
COLASANTI, Marina. Um Espinho de Marfim, em Uma Idéia Toda Azul. São Paulo: Global, 2006.
LISPECTOR, Clarice. Menino a Bico de Pena, em Felicidade Clandestina. 1981.
1 comment 6 Maio 2008
Para Felipe. Ponto.
Bola de Meia, Bola de Gude
Há um menino, há um moleque
Morando sempre em meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade
Alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão…
Milton Nascimento e Fernando Brant
Add comment 6 Maio 2008
Meu filho: minha vida!
Hoje escrevo apenas para homenagear meu menino amado! Não há nada no mundo mais belo e mágico do que um filho, simplesmente porque são as únicas pessoas capazes de, sincera e efetivamente, nos tornar melhores a cada dia!
Com ele, viro criança todas as noites, rolando no sofá de tanto rir! Com ele viajo pelo mundo da fantasia, inventando e reinventando histórias! Com ele aprendo o que é ser SER HUMANO, buscando ser alguém melhor a cada erro ou deslize que percebo ter cometido. Com ele aprendo que amar é nortear, mas deixar livre para voar! Com ele aprendo que muito mais importante que palavras e gestos, é o olhar!
FELIPE, MEU FILHO, OBRIGADA POR ESTAR NA MINHA VIDA E FAZER DELA ALGO MÁGICO E DIVINO! TE AMO MAIS QUE TUDO!
[Postado originalmente em 11.03.2008, às 11:28, no blog-se.]
11 comments 3 Abril 2008