Posts filed under 'inspiração'

Lição de vida crucial

A árvore dos problemas

Certo fazendeiro resolve contratar um carpinteiro para uma série de reparos em sua propriedade. O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil. O pneu de seu carro furou, fazendo com que ele deixasse de ganhar uma hora de trabalho. Sua serra elétrica quebrou, e aí ele cortou o dedo. Como se não bastasse, no final do dia, seu carro não funcionou. Assim, o fazendeiro resolve oferecer carona para casa.

Percorrida a viagem, o carpinteiro convidou-o a entrar e conhecer sua família. Quando os dois se dirigiam à porta da casa, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou as pontas dos galhos com as duas mãos. Ao abrir a porta de casa, o carpinteiro já parecia outro: os traços tensos do seu rosto transformaram-se em um grande sorriso. Ele abraçou os filhos e beijou a esposa. Após uma alegre refeição, o fazendeiro agradeceu e despediu-se de todos.

O carpinteiro acompanhou seu convidado até o carro. Assim que passaram pela árvore, o fazendeiro questionou seu anfitrião sobre o motivo pelo qual ele tocara na planta antes de entrar em casa. – Ah! Esta é a minha planta dos problemas. Eu sei que não posso evitar todos os problemas no meu trabalho, mas eles não devem chegar até os meus filhos e minha esposa.

Então, toda noite, eu deixo meus problemas nesta árvore quando chego em casa, e só os pego de volta no dia seguinte. E o senhor quer saber de uma coisa? Toda manhã, quando volto para buscar meus problemas, eles não são nem metade daquilo que eu lembro de ter deixado na noite anterior.

* Fonte: Gazeta do Povo, 31/10/2009 às 12:16

Add comment 1 Novembro 2009

Oração dos Anônimos

deus
Paizinho, que eu seja solidária nos caminhos da vida,
que eu descubra as tantas maneiras de auxiliar e ser útil,
que eu me sinta livre para compartilhar nobres valores,
que eu faça de todos os momentos ocasiões para avançar nos sentimentos de união,
que eu tenha sensibilidade para dar mais atenção aos meus semelhantes,
e que eu possa, assim, crescer nas trilhas do coração.

Paizinho, que eu tenha como espelho as grandes virtudes da humanidade,
que eu reforce diariamente as minhas atitudes positivas,
pois somente assim crescerei como coletividade.

Paizinho de amor, que meu ventre expanda infinita criatividade
para pintar minhas músicas internas,
para ver desenhos em nuvens,
para tirar do peito as mais belas palavras,
para enxergar as mil nuances do arco-íris,
para representar e festejar toda Sua beleza.

Paizinho, que minhas mentalizações diárias tenham o poder da mudança.
Que eu me lembre, na velocidade de cada pensamento, que atrairei aquilo que irradiar.
Que meu sorriso e meus abraços sejam constantes e sinceros.

Pai, que eu potencialize o valor de meus sonhos,
que eu busque alternativas para ajudar a curar o chão que piso,
que eu tenha fé e acredite nas essências de meus irmãos,
e que, com toda força que recebi de ti, eu seja consciente de minhas responsabilidades como ser sagrado.

* Oração inspirada e baseada no texto do anjito Lelo, em www.aloualem.blogspot.com.

1 comment 13 Outubro 2009

II

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Add comment 30 Agosto 2009

I

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Add comment 30 Agosto 2009

Eu JUUUURO que é melhor!

Se eles são bonitos,
sou Alain Deloin,
se eles são famosos,
sou Napoleão!

Brrrrrrbrbbrrrbrrrrrbbrrrrrrrrrrrrrr
tr´rrrrrr´rrrrr´rrrrr´áá´aáááá

Add comment 15 Julho 2009

cinco mil quinhentos e cinquenta e cinco

cinco
mil
quinhentos
e
cinquenta
cinqüenta
cincoenta
e
cinco

Add comment 8 Julho 2009

a FOFOCA, agora, liberada!

Maravilha! Que alívio poder assumir com todas as letras SOU FOFOQUEIRA! Que delícia poder gritar as quatros cantos AMO UMA FOFOCA! Verdade!!! A mais pura verdade, do mais fundo do meu íntimo! A-DO-RO aquela conversinha cheia de segundas, terceiras e quartas intenções ao lado da pia da cozinha! Humm… e aquelas cheias de moral no meio do cafezinho do meio da tarde?! Hummm… Melhor que essas, só aquelas beeem apimentadas de mesa de boteco… ahh, aquelas sim!

Mas antes que eu esqueça, deixa eu te contar a última da vizinha do quinto andar: disse que descobriu uma fofoca pra lá de maldosa rodando por aí! E me contou, acredita?! Já sabe qual é? Quer que eu conte? Ai, mas jure que não vai comentar com ninguém! Andam falando que ela…. ééé… bem isso…. que ela ó… lá pra’quelas bandas… ééé…. meniiina, hoje em dia tá uma loucura mesmo… a gente não sabe mais por quem pôr a mão na fogo… Deeeeus me livre!

Bah, mas deixa eu te contar mais essa: sabe aquele escritor, liiindo, dos olhos azuis, que descreve a alma feminina como nenhuuuma mulher seria capaz? Qual o nome dele mesmo? Lembra? Esqueci… Então, aqueeele! Confessou em praça pública (aliás, que praça, hein?!) que o pai era um fofoqueiro de marca maior! Acredita? Não, é? Pois sim!

Maravilha, não? Que bênção daquela criatura ter nascido numa família assim, movida à fofoca! Família como a minha: sempre com uma fofoquinha (= histórinha maliciosa não-maldosa) que não faz - e  nem pretende fazer! – mal à ninguém!!! Uma família na qual, simplesmente e com a maior bondade do mundo, de geração a geração, CONTA-SE HISTÓRIAS! Amém!   ; ] 

* A liberdade veio da boca do Chico! Ele mesmo! O Buarque! Em Mesa literária HOJE na Flip, na linda e apaixonante Parati! “Papai gostava de contar muitas histórias e gostava muito de fofoca. [...] Reunia os amigos e contava coisas escabrosas”, confessou. Então, me identifiquei instantaneamente! Também descendo de uma família onde a CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS, nossas ou dos outros, é uma constante! Rs… E talvez, ou provavelmente, ou certamente, seja essa uma de minhas grandes inspirações para fazer nascer de dentro de minha caixola as minhas próprias histórias! E essa conversa toda, essa ladainha, esse falatório que não tem fim, sem dúvida, é uma bênção!
** A joaninha apareceu de novo! Ela sempre aparece quando surge na tela a palavra “Parati”! Mágico, como tudo o é!

1 comment 3 Julho 2009

A dádiva de enxergar… e não apenas ver

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Na casa florida de minha vó
tem um punhado de terra
que dá verde
que dá gosto,
que tudo gera!

[ Lindas Dálias do quintal de minha Linda Vó Carmen! ]

1 comment 1 Julho 2009

Da lavanderia… A ALMA!

Fones de ouvido e o radinho FM.
Soool lindo, céu azul, alma verde e rosa e vermelha, descendo a ladeira,
e o quá-quá-rá-quá-quá quem riu quá-quá-rá-quá-quá fui eu
abriu a boca e mostrou os dentes.

Na calçada, chegou Elizeth. Voz torta já, a mulher. 
Perna lá outra cááááá ooolha a rua, sua doida!
Vivendo, a mulher. Sei lá, o limãozinho vai bem, também.
Mas fico com água!
Vivendo, a mulher.

Na outra esquina, a voz de vento Cáétãno, vinagre balsâmico.

Sem avisar, a carioca estoura a avenida no maior show da Terra.
E aí, me irmão, não tem voz que fique enclausurada, não tem mão que não batuque o pandeiro da coxa, não tem pé que não arrisque uns passinhos na calçada quebrada… nããão, não, ninguém ali mais feliz mesmo…
nem o que viu os braços abertos equilibristas de pés no meio-fio, nem o que ganhou do vento a música da voz desafinada da guria verde e vermelha e amarela, nem o que espiou da janela o sorriso e as cores dela…

Que beleza! Quanta beleza vinda de um só bloco… de um monobloco!

E dá os 4km. Chão. Alma. Vento. Cheiro de sabão. Calçada lavada.

No portão de casa, um aviso: atenção, menina, ao dobrar uma esquina!
Atenção! Atenção! Atenção para o refrão!
Que cheiro de sabão!

1 comment 15 Junho 2009

Essa imagem me fez lembrar…

… de quando recém-mamãe, passava teeempo admirando os pézinhos deliciosamente pequenos e gorduxos de Felipe, pensando “que caminhos ainda hão de percorrer estes pézinhos?”, e abençoando-os, abençoando-os, abençoando-os…

1 comment 14 Maio 2009

Esse texto me fez lembrar…

1 comment 14 Maio 2009

NEY???

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É! Ney Matogrosso, sim, senhor!

Hoje me dei conta de que, realmente, com o passar dos anos, vamos ficando cada vez mais e mais parecidos com os nossos pais. Talvez isso seja inevitável, quem sabe… Fato é que [ai que raiva dessa expressão, ando usando muito... coisa mais jacu!!!], esta semana, me peguei “apreciando” a voz de Ney Matogrosso (realmente linda, única…). Ai ai ai… e como zoei da coitada de minha mãe aquela vez em que ela foi no show do dito cujo, no Guaíra! Ê lê lê!
Coisa boa os termos como referência… esses dois seres de outro mundo chamados PAI e MÃE! Só podem ser de outro mundo, porque não vejo a menor possibilidade física de um corpo humano abrigar um coração tão imenso como o deles. Ultrapassa, porque não tem limites. Como sei disso? Porque também sou mãe. Antes não sabia.
Como dizia uma propaganda de tevê, “quando nasce uma criança, nasce também uma mãe”. Traduzindo: nasce um ser capaz de AMAR. Detalhe: INCONDICIONALMENTE. O maior amor do mundo é este amor…
Hummm… voltando ao Ney… acho que gosto de perceber que estou ficando parecida com meus dois anjos (ou et´s?). Gosto de perceber a genética mostrando sua força… a herança do caráter dos dois refletida em minhas atitudes… o amor que recebo extrapolado ao que dôo a meu filho!

Uma singela e meiga [!] homenagem, atrasada, ao Dia das Mães, e adiantada, ao Dia dos Pais!

Add comment 14 Maio 2009

DAS VANTAGENS DE SER BOBO

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando.” Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente: Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era a de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo nem nota que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a frase célebre: “Até tu, Brutus?” Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! Os bobos, com suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita o ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cimas das casas. É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector, 12 de setembro de 1970.

1 comment 24 Abril 2009

Ahhhh….. dia lindo!!!

menina
Acho que, além das próprias crianças, somente quem não se desligou da criança que foi um dia é que sente o cheiro gostoso de um dia ensolarado como o de hoje, sente a brisa refrescante de um azul-celeste sem nuvens, entende o linguajar dos passarinhos voando por entre os galhos das árvores, conversa com o vento, fala com um cachorro através do olhar, brinca com os aviões cruzando o céu, voa com as borboletas, desabrocha com as flores, pulsa com as cores do mundo……………….. [DEPOIS QUE VOLTAR DO MEU "DIA DE SPA" TERMINO O TEXTO!]

1 comment 18 Abril 2009

… e foram felizes para sempre!

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A histórinha de ontem à noite era sobre Luciana e suas brincadeiras na pracinha!
Ela encontrava os amigos e ia interagindo de maneiras diferentes com cada um deles!
Luciana correu,
pulou corda,
virou estrelinha,
deu cambalhota, 
pulou amarelinha,
cantou na roda,
fez carinho no gato,
ficou amiga do pato,
se embalou na balança,
fez castelos de areia,
deu duas lambidas no sorvete, 
deu tchau pro homem da perna de pau,
se enfeitou com uma flor no cabelo,
seguiu uma borboleta,
fez novos amigos.

Pensam que assim terminou a história?!
[...]
Momõe…. “e eles foram felizes para sempre”!

[...]
Fui dormir, então, pensando na tal felicidade! Esse meu filho…. !!!

* Leitura antes do Fê nanar: Luciana na Pracinha, de Fernanda Lopes de Almeida e Agostinho Gisé. São Paulo: Ática, 1994.

1 comment 16 Abril 2009

Dupla Espiral

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Hoje recebi um presente especial! Uma linda menininha, de olhinhos negros orientais, me ofereceu uma belíssima flor desabrochando! A flor era um degradè do branco ao cor-de-rosa, com sutis tons de amarelo. “Uma Flor-de-Lótus”, disseram-me mais tarde!

A Flor-de-Lótus, como diz a lenda, é obra da união entre fogo, ar, terra e água. Composta de fragmentos de cada um, é símbolo da perpetuação do encontro dos quatro elementos.  A terra alimenta suas raízes. A água faz crescer sua haste. O ar tonifica suas pétalas. O calor do fogo dá as mais belas cores às suas corolas. 

Tal como a Fênix, que renasce das cinzas, a Flor-de-Lótus é exemplo do belo que brota do lodo. Resplandece nas águas, imaculada, e serve ao homem como símbolo de pureza e perfeição humana. Tal como a Dupla Espiral,  a Flor-de-Lótus, quando refletida n´água, mostra o equilíbrio para que o homem siga pelo Caminho do Meio, transite entre os três mundos.

As pétalas da Flor-de-Lótus abrem-se para o sol assim como nossa alma abre-se para o entendimento!

Criança linda, lhe agradeço o presente divino! A beleza e a força! A inspiração! A elevação!

 

Add comment 8 Abril 2009

Da respiração, do pensamento e da estética

A palavra ESTÉTICA está diretamente ligada à percepção e sensação (por sua origem grega). Na Filosofia, a teoria estética tem como objeto de estudo a natureza do belo, a fim de determinar o que provoca, no homem, sentimentos de harmonia, afinidade, admiração etc. É também um dos fundamentos da arte. A estética, do belo ou do feio, do harmônico ou do ridículo, detona emoções positivas ou negativas.
Porém, o conceito de estética não delimita-se apenas ao corporal. Há uma estética no bairro em que moramos, na rua pela qual caminhamos, na maneira como dispomos nossos móveis, nas cores e formas das cidades… Até a natureza tem sua estética. Mas, acima de tudo, há uma ESTÉTICA INTERIOR.
No caos da vida, corremos o risco de viver constantemente num estado de frenesi. Há um excesso de atividades, de exigências e de informações que acarretam num também excesso de sensações! E, na grande maioria das vezes, essas sensações vem desordenadas. Aí então instala-se o caos interno. E, seguramente, nosso desequilíbrio estético, interno e externo, torna-se visível.
Ninguém vive as 24 horas do dia em estado de tranqüilidade extrema. Temos nossas oscilações. No entanto, é fundamental fazermos uma opção de vida: se desejamos viver no ritmo biológico do ser humano “natural, embrionário”, ou se nos deixaremos levar pelo ritmo do ser humano “social”, o ser humano inserido na insanidade do caos.
Pra quem escolher fazer parte do primeiro grupo, a primeira tarefa é aprender a RESPIRAR. É inacreditável o conforto estético interno – e, conseqüentemente, externo – que a simples CONSCIÊNCIA de nossa respiração pode causar. É fascinante o controle das emoções e a organização dos pensamentos que esta prática proporciona. E é notório, fisicamente, um estado de espírito leve.
Portanto, “decore sua alma” (como diz um amigo), inspire e expire todos os instantes de sua vida, para que sua estética seja sempre a do belo, refletindo o melhor de sua essência!

1 comment 2 Abril 2009

Aberturas no Equinócio

— Pra Brasília, por favor!
[...]
Quarta visão. Câmeras são instrumentos do olhar, mas somente cumprem seu papel maior quando nossa visão do meio é ativada. As câmeras fotográficas, de alguma forma, nos estimulam a abrir cada vez mais esse “olho d´alma”. Nos estimulam a ver mais longe, mais perto, mais focado, mais fora de foco, mais colorido, mais preto-e-branco, mais macro,  mais micro…
[...]

[...]
Um imenso Morpho menelaus tenuilimbata, mais conhecido como borboleta-azul-praia-grande, da mesma família que borboleteou nossa infância pelos arredores do Santa Maria, nos recebe na Ilha do Mel. As boas-vindas no trapiche!
Essa borboleta é cultuada pela tradição indígena do Brasil como a “alma do índio morto” e voa somente nos meses de março e abril.
Tento fotografá-la mas… desapereceu pelo caminho como se fosse uma entidade mágica, uma fada ou, realmente, a alma de um índio morto. 
O dia começou, então, num azul brilhando!
[...]
Nossos pézinhos começam a nos guiar pela Ilha Mágica, sob o comando do coração. Uma parada para catar conchinhas na areia. Vício e delícia antiga. Peço licença e seleciono três jóias de Gaia. Também um pedaço de madeira ou osso que, observando agora, me lembra um garfo estilizado. Garfos alimentam. 
[...]
Placas. Fotos. Nuvens. Fotos. Siris. Fotos.
Plantas. Fotos. Ondas. Fotos. Nós. Fotos.
[...]
Banho de mar.
Crianças na arrebentação.
Crianças conversando a vida.
Crianças desfiando a vida.
Crianças brincando de correr, entre vaga-lumes…

[...]
Segue a caminhada. Farol e Fortaleza em relevo na parede de uma casa.
portal[...]
Vaga-lumes me iluminam (o dia todo a poesia prevalece e “Vagalumes”, música-presente, toma conta de mim).
E foi até estranho, a gente nem deu conta,
Talvez na outra ponta, alguém pudesse pensar:
Menino vaga-lume, flor, menino estrela, a brisa mais forte veio te buscar…

[...]
Forte de Nossa Senhora dos Prazeres. Pedras imponentes. Natureza fortaleza. por de cima do muro, a gente enxerga o mundo.
[...]
Na natureza, na santa paz de Deus… “desce do coqueiro que o almoço tá esfriaaando”! O garçom acena pra saírmos do mar. Ducha doce no meio do verde. Um peixinho à dorê, no molho vermelho, acompanhado de salada e batata souté. Simplesmente de lamber os beiços (com o perdão do termo)!
[...]
Maré alta. Mas o medo não vence, pois não “tamos” só… O voo dos pássaros contagia. A cor e a temperatura d´água convencem. Não precisamos do pôr-do-sol do Farol, porque também no Istmo a poesia prevalece. A paz. No Passa-Passa ficamos. E ali demos a volta ao mundo!
E quando a gente apaga, tudo fica escuro!
No trapiche, a incerteza da ida. Na ruela das pousadas, delicadamente iluminada, a vontade de ficar. Garoa, como em toda boa viagem. As conversas mansas. Sotaque gostoso do caiçara. Escuridão plena. Apenas os pontos de luzes lá looonge, depois do horizonte. Sentadas na ponta do trapiche, sorriso no rosto e na alma, sorvemos os pingos da chuva. E a conversa também vai ficando looonge… só os pingos e a paz. O barquinho vem se aproximando. A metáfora real da passagem, agora com mais bagagem. Sozinhas na barca, travessia única, gratidão.

Na despedida, companhia:
estrelas vagalumes dentro de uma caixa! Aquele serzinho, tão presente pela música durante todo o dia, agora pousado em minha mão, caminhando por mim, seguindo comigo para casa… ME ILUMINANDO!
[...]
… um final de semana cheio de presentes… diz “tia” Renata (herança da infância, pais de amigas serão sempre tios)! A bênção de estarmos num lugar maravilhoso, na companhia da melhor amizade, no convívio de uma bonita família, rodeadas de “coincidências” pelo caminho, integradas com os cinco elementos e abraçadas pela Mãe Terra e pelo Pai Cosmos, de mãos dadas com a Irmã Lua e o Irmão Sol… DIAS-PRESENTES DE DEUS!
[...]
Pra temperar os sonhos e curar as febres,
Inserir nas preces do nosso sorriso,
Brincando entre os campos das nossas idéias,
Somos vaga-lumes a voar perdidos…
A voar perdidos…

  • Trechos de “Vagalumes”,  d´O Teatro Mágico. Mais um presente que recebi nesses dias de março!

Add comment 1 Abril 2009

Uma Zélia de Amor

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Tecelagem primitiva em lã de carneiro. Pela delica destreza das mãos e pela força melódica dos pés de Dona Zélia Scholz, o novelo de lã vai se formando. E dele, os xales, os tapetes, os acolchoados e a singeleza de uma sabedoria acumulada por anos e anos nos “tempos pra filosofar” ao comando do tear.

O jovem se aproxima e acha tudo “irado”. Quer pegar, quer conversar, quer saber como funciona. A criança, acanhada, observa de longe e se escusa do convite de Dona Zélia de sentir a intensidade da força que sua mão aplica na lã para formar o fio. Pela recusa do garoto (por desinteresse ou timidez), ela inicia um breve discurso sobre – concluí depois – o amor. Usa a lã de carneiro como metáfora da família e de todas as nossas relações. “Sem união”, diz ela, “é impossível formar o fio”. Neste caso, não somente a união faz a força, mas a força faz a união. A união das micropartículas de lã possibilita a existência de um fio forte e rijo. Por outro lado, é preciso que Dona Zélia aplique determinada força para que se consiga criar e manter essa união.

É assim no nosso dia-a-dia. Somos seres dependentes de uniões. Sem elas não construímos nada, nem externo nem interno a nós. E, para superar todas as agruras da vida, sem dúvida, precisamos de “determinada” força para nos mantermos unidos. É um caminho de mão dupla. Foi isso que, em outras palavras, Dona Zélia nos ensinou hoje.

Por fim, agradeço suas palavras e sua atenção e a parabenizo pelo trabalho. Mas, como se não bastasse sua própria presença entre nós e o seu dispôr em nos proporcionar aquele momento de  bênção, ela se despede nos agradecendo por “vê-la”. Com aquele sorriso de senhorinha meiga, nos conta que muitos passam, alguns a enxergam e poucos a vêem. Que pena dos desapercebidos…

Por isso minha conclusão de que o discurso de Dona Zélia foi, simplesmente, sobre o amor. Porque, como o igualmente sábio principezinho, pela fala de Saint-Exupéry, afirma que “só se vê bem com o coração”, Dona Zélia afirmou e provou que só o amor mesmo é capaz de unir, de nos dar forças e de nos fazer ver!

 

* Dona Zélia Scholz pode ser encontrada todos os domingos (“menos os que chovem” diz ela!) na feirinha do Largo da Ordem! Vale a pena bater um dedinho de prosa com essa criaturinha meiga e abençoada, que adora usar o tempo do tear, “quando a cabeça está vazia, para filosofar”!

1 comment 15 Março 2009

wdsc02106dÉ O QUE DESEJO À VIDA DE TODOS, ESSE ANO E SEMPRE!

Na língua havaiana, ALOHA significa muito mais do que “alô” e “adeus” ou “amor”. Seu significado maior é: compartilhar (alo) com alegria (oha) da energia da vida (ha) no presente (alo). Ao compartilharem essa energia, vocês se tornarão conectados ao Poder Divino que os havaianos chamam de MANA. E o uso amoroso deste Poder incrível é o segredo para se obter saúde, felicidade, prosperidade e sucesso verdadeiros.

Um grande ano a todos nós!

*Trecho retirado do belo texto “O Espírito de Aloha”, de autoria de Serge Kahili King e tradução de Ivonete R. Mascara (Vivi). Vale a pena ler na íntegra: <www.huna.org/html/portas.html>.

Add comment 20 Janeiro 2009

Eu e meu mundinho cor-de-rosa…

“Falam por aí que eu vivo num mundo à parte, onde não existem maldades e onde tudo dá certo no fim… Falam por aí que eu sou ingênua demais e prefiro acreditar num mundo do meu jeito que não existe, onde tem príncipe encantado e onde tudo tem o seu lado bom… Falam por aí que eu me decepcionarei muito com a vida real. Eu bem sei disso. Basta assistir um dia de telejornal ou escutar as fofocas de rua [...] e eu me decepciono sim com muitas coisas da vida real.” *

Mas… ainda assim, prefiro acreditar no meu mundinho! Prefiro viver um dia de cada vez, com toda intensidade possível! Prefiro conversar com cachorros de rua, ver desenho em nuvens, receber visita de beija-flor e tomar banho de mangueira! Esse é meu mundinho… onde acredito na amizade, acredito no pote de ouro no final do arco-íris, acredito no amor verdadeiro, acredito no perdão e no esquecimento, acredito no ‘deixa pra lá’, acredito no rosa, no amarelo, no azul e no verde… no vermelho… no branco, no cinza e no preto também! Um mundinho onde os sentimentos não ficam guardados em mim, nem só pra mim. Um mundinho leve, alegre, colorido e em paz!

É o que desejo para todos nessa virada de ano!

Abraaaaçooosss!
Dani


[* trecho retirado do blog eueomeumundinho.zip.net, de Luana Morais.]

1 comment 15 Dezembro 2008

Juan Esteves POR Danielle Salmória

Como prometido (eu prometo muita coisa….. é um problema isso!), mais uma das entrevistas publicadas em 2007 na antiga revista Social Foto Clube, da qual eu era Jornalista Responsável e Diretora de Redação. Essa é uma entrevista concedida a mim por Juan Esteves, competentíssimo fotógrafo desse nosso Brasilzão (tenho mania de usar superlativos pra elogiar o Juan… mas é “merecidíssimo”).
Segue a  matéria…

——————————-

Caro leitor, com o trecho abaixo, dito por Juan durante nossa conversa, sinta o ritmo, o rumo e o clima desta entrevista organizadamente desorganizada! É apenas uma preparação para o que vem pela frente!

 

“Eu ainda não decidi o que vai ser exatamente, sabe? Porque tem duas séries. A outra, a Mato, título provisório ainda, são paisagens que fiz na Argentina agora. São árvores secas que fazem pontinhas e criaram… sabe quando você olha aquela barreira de árvores? Aí eu dupliquei, retirei algumas coisas e ficou uma faixa. Nessa faixa, aí sim, ao invés do nu entrar em destaque, ele entra quase transparente no meio… desse mato. Então, são duas coisas: um que é cortante e o outro funde. Então está criando uns conceitos meio… Agora quero ver se produzo outras duas com ferro também. Mas não é nenhuma coisa muito profunda, não, como pode parecer…” 

Calma! Persista na leitura! É isso mesmo! A coisa vai se organizando no decorrer da conversa! Com vocês, então, tcham-tcham-tcham: idéias, devaneios, lembranças, reflexões e muito papo furado com o espetacular – e boníssima gente – Juan Esteves!
 

SFC: CRENÇA
JE: Na melhora da fotografia, na continuidade do filme.  

SFC: OLHO X LENTE
JE: Sempre ver tudo. Olho x lente é isso, é você estar sempre olhando tudo, fotografando até sem a câmera para depois registrar, optar por fazer de novo… Esse é o olho-lente. 

SFC: P&B
JE: Sempre, sempre P&B. Não excluo cor, tenho trabalhos em cor também. Mas tenho uma identificação maior com P&B, com tonalidade, com o drama que ele causa, com a diferença que ele faz. O P&B, por mais simples que seja, não é banal como a cor. Eu penso em cor como forma, não como linguagem. Através da cor se diz coisas que você não diz com o P&B. Essa frase é do [Edward] Weston, está nos diários dele. Quando eu tenho a possibilidade de usar a cor como forma, eu uso. Agora mesmo estou trabalhando numa série chamada “Nus-dos-arames”, que pertence a uma suíte de nus, e algumas imagens são em cor. São objetos que se misturam com luz. Tem a série dos arames farpados, a série do mato, do céu… todas se fundem como se formassem outras criaturas, quase que retratos. Eu comecei este trabalho todo em P&B, como se fosse uma gravura. A idéia partiu de uma imagem de um rolo de arame velho que estava jogado no sítio e dali eu fui olhando uns cartemas com essa imagem e vieram umas asas e acabou entrando uma figura humana. Como o muro que estava pendurado também era velho, aparentou o método de açúcar na água forte [processo de gravura no qual queima-se o breu juntamente com o açúcar e isso gera bolhas na placa de metal]. O trabalho se assemelhou a esta técnica. Mexi nos contrastes e foi surgindo uma característica de buril, uma ferramenta da gravura. Então fui incentivado por uma amiga a experimentar a cor nesta série. Era uma série originalmente em P&B, mas passei a criar uma nova série alterando cores, isolando cores, contrastes, transparências, layers, essas coisas todas. Está ficando interessante. Meio pop. 

SFC: ARQUIVOS
JE: Estou reaproveitando coisas antigas que, sozinhas, não tinham sentido. Aprendi isso com o [Josef] Koudelka. Estive com ele na década de 90 . Ele vai fazer parte do meu livro novo de entrevistas, onde há um retrato que fiz do fotógrafo e uma foto do mesmo, além do perfil escrito por mim. Naquele ano ele estava revendo negativos, exclusivamente fazendo isso. Não é o meu caso, eu estou produzindo. Como fotógrafo desde os anos 60, ele fez três livros bárbaros, Ciganos, Exílios e o Chãos, este último, um livrão grande de paisagens panorâmicas, maravilhoso. E eu comecei a fazer isso. “Preciso de uma imagem que se encaixe nesta forma”. Então procuro no meu arquivo e acho. 

SFC: FIGURA HUMANA
JE: Sempre também, ela está em tudo. Eu comecei a brincar com isso como forma e era interessante, criando cartemas, sabe cartemas? Vai duplicando, colando e criando algo. Veio muito deste trabalho que eu expus recentemente em São Paulo, das colagens. Tem ali algumas imagens, mas não é o destaque. E aí eu comecei a fazer isso, mas sempre falta alguma coisa, que é a figura. Aliás, comecei a fotografar porque eu não conseguia me expressar como um artiiiiistaaa… [e a voz vai ficando fininha porque ele sai da mesa para buscar no buffet mais um pãozinho de queijo...] Eu desenhava muita figura, mas não tinha talento para isso. Então acabei indo para a fotografia, para conseguir representar essas figuras. 

[...]
 

Eu trabalho com essa parte gráfica. As exposições “Paulicéia Imaginada” [
inspirada na leitura de Paulicéia Desvairada, de Mario de Andrade] e “Colagens” são trabalhos sobre a cidade, o urbanismo, o caos de São Paulo. Eu reconstruí a cidade através de uma foto. Cada imagem é uma imagem diferente, mas ela parte de uma foto. É feita uma colagem sobre ela mesma. São cenas de tráfego, arquiteturas de ícones paulistanos etc. Tem uma série que pode ser vista no site da Lucia [www.luciaguanaes.com], fotógrafa brasileira que mora na França.  

Em outra ocasião, precisava de imagens para um livro sobre a comemoração de SP. Eu não tinha tempo para produzir nada. Enveredei então numa fase de reciclagem, acho que posso chamar assim. Peguei uma série de fotos que produzi para a exposição do Instituto Moreira Salles, “São Paulo 450 anos”. Era um totem encomendado para o aniversário da cidade. Os temas eram as luzes da cidade (néon, essas coisas…), o trânsito, os outdoors e as vitrines. Tudo noturno. Ficou uma leitura da cidade, do movimento… O totem, feito em duratrans, tinha 6 metros de altura por 1 de largura, e era iluminado por dentro. Foi composto acho que por 300 ou mais fotos. Fez um sucesso danado aquilo. 

Você brinca aqui, mexe ali e vira essa colagem. Comecei a pegar imagens que servissem para isso. Fiz o Municipal, a Estação da Luz, o Copan… Por exemplo, pega essa imagem do bolinho aqui [
aponta para o pãozinho de queijo], recorto aqui e coloco ele para cá, recorto e vou somando até que eu tenha essa mesa inteira de bolinhos… e reconstruo! A Estação da Luz, por exemplo, você olha e é a Estação, você reconhece. Mas começa a ver que ela está inteirinha, ao invés de ter duas torres ela tem seis… Está dando um ibope danado, não sei por quê, mas pegou. A Vivo comprou no final de 2006 umas 400 imagens para dar de brinde. A exposição começou na Graphias Casa da Gravura. A primeira série que eu fiz foi em hot transfer, num papel da Canson, o Debret,  transferindo a imagem a quente. Fica uma película e funde com o papel. Eu já tinha uma exposição lá agendada. Depois, a Vivo tinha uma brecha em sua galeria e me convidou para fazer esta exposição, meio em cima da hora. Eu já tinha esse material pronto e imprimi em Lambda print, maior. Depois foi para a faculdade de fotografia do Senac, e ele foi impresso numa Epson 9800. Fiquei com dois kits dessas imagens e, nessa brincadeira, eles acabaram comprando. Está vendendo bem nas galerias de São Paulo. É meio decorativo. 

SFC: VALORES, MERCADO
JE: A gente está passando por um momento interessante, de crescimento. O mercado está abrindo as portas, as quantidades de leilões tem aumentado muito, principalmente no exterior. Em janeiro de 2006 a Sotheby’s vendeu em um leilão em Amsterdã perto de 1 milhão e meio de dólares só de fotografia. Não é um número tão significativo, tinha Sebastião Salgado, Bresson… Os prints do Salgado foram vendidos a 30 mil reais cada um, do Bresson (sem assinatura) a 300 mil. Depois que ele morreu [2004], houve uma supervalorização do seu trabalho. O Bresson sempre vendeu barato suas fotos. Ele queria assim e nunca fez tiragens limitadas. Era uma crença, ele achava que dessa forma era mais democrático, que todo mundo poderia ter acesso. Não tinha essa coisa de ficar queimando negativo como o Brett Weston fez para valorizar os seus prints. Não era caro comprar fotos dele na Magnum. Aí ele morreu e… o mercado é meio autofágico. Os preços estão crescendo muito. Apesar disso, para o mercado brasileiro, ainda acho que os únicos que têm uma certa cotação hoje no exterior são apenas o Vik [Muniz], o Miguel Rio Branco, um pouquinho do Mário [Cravo]… O Salgado já é um problema diferente, porque não é uma fotografia de “arte”. Ele é um documentarista, então tem momentos da fotografia lindos e outros não! Não é todo mundo que quer colocá-lo na parede… Tem imagens que poderiam, tem aquelas nuvens, aquelas coisas lindas… Essa série nova dele com certeza venderá muito mais por causa dos bichos. Mas se pegar aquela série da África, Sael etc., tem colecionador que compra e põe na mapoteca. Enfim, o mercado tende a melhorar. Em São Paulo está bem animado, as galerias estão aumentando. Acho que tem um comércio intermediário, ou seja, você não vende tão caro mas… Outra coisa, hoje a impressão em jato de tinta está barateando muito o custo. É possível conseguir um custo bom. Eu estava conversando com o Orlando [Azevedo] esses dias, não adianta você gastar um dinheirão para fazer esses prints em fibra que já está difícil e não encontrar quem pague por isso. Então prefiro vender mais barato porque meu custo é menor. 

SFC: IMPRESSÃO EXPOSIÇÃO PRESENÇA
JE: Essas impressões são no papel Sommerselt Velvet, da Epson, um papel de 250 gramas, de algodão puro, ácido free, impresso em Epson 9800, que é uma impressora de boca de 1,10 metros. Ali não é só impressão, é o conjunto do escaneamento, tratamento e impressão. Os negativos foram todos escaneados num scan Cézanne, que é um dos melhores scans. Essas fotos foram impressas a partir dos arquivos usados para o livro, que foram escaneados num tamanho muito maior que o necessário. Fizemos isso já pensando nas cópias da exposição. Só que é um trabalhão, porque no scan vem tudo o que não se vê na ampliação. Perde-se horas limpando o arquivo. Outro livro, o 55 Portraits, foi todo ampliado pelo Lab profissional da Fuji em 2000. Foi o último trabalho manual da Fuji, o último mesmo, encerraram e aposentaram o ampliador. Foi feito em cópia manual colorida em tom sépia, como o livro. Foram dois meses ampliando. Hoje, com o jato de tinta, uma das vantagens é que em dois dias a gente imprime uma exposição. Em vez de ficar desesperado como todo mundo ficava antigamente, enlouquecido na porta dos printers, era um inferno isso! Eu lembro do Bob Wolfenson ampliando fotos no dia de abertura da exposição. Mariozinho [Cravo] se trancou cinco dias para a retrospectiva dele no Masp com o Silvio Pinhatti. O Rubens Fernandes Junior não deixava ninguém entrar no laboratório até o trabalho acabar. Então é um estresse que ninguém merece. Fora ter de lidar com esses chatos: na maioria, são todos uns chatos esses printers manuais. Vivem querendo “interpretar” suas fotos! O pessoal ainda não está entendendo muito bem o printer de impressão a jato de tinta. O printer hoje tem semelhança com o antigo, mas a maior parte do trabalho está sendo feita pelo fotógrafo. Quer dizer, se você entregar o arquivo como você quer, não tem que orientar o cara. Ele enfia no computador, você calibra o seu, ele põe o sistema em como você está visualizando (as pessoas não estão calibrando, por isso a diferenças de cores na impressão). Eu uso o sistema Imac americano. No computador há 15 modos de visualizar. Se você padronizar o seu com o do printer em 10 minutos sai uma cópia de 1 metro, sem erro.  

[...] 
 

É o futuro, não tem como voltar atrás. Eu sou resistente e não pretendo largar o filme. Entrevistei recentemente o Alex Webb. Ele está usando Kodachrome e não pretende parar de usá-lo, não se vê usando digital. Diz que encontra facilmente o Kodachrome em qualquer lugar dos EUA. Eu uso o digital para alguns trabalhos corporativos. Mas para o pessoal, uso sempre a Hasselblad, 6×6 ou 4×5. Os “arautos” brasileiros do digital estão apregoando o fim do filme… Outro dia li uma besteira em um destes manuais de digital, dizia “o mundo é 100% digital”. Tremenda bobagem!  Eu uso bastante o computador, a própria impressão é digital, isso não tem jeito, mas filme é redondo e digital é quadrado, não é preciso se alongar na discussão. Um não é herança do outro. São modos diferentes de ver o mundo. Eu fiz agora um retrato do Alex Webb, fiz também em digital para poder agilizar por causa do fechamento da revista. Mas não deixei de fazer em filme! Em P&B eu tenho que mandar revelar o filme e demora mais. Às vezes o fechamento da revista não permite. Mas no livro de entrevistas com certeza usarei o P&B. Com o digital eu abro na tela e não é a mesma coisa. Apesar de ter feito em raw, resolução 30×40, não tem a mesma textura. Então, no P&B, é uma junção de scan bom, alta definição, bom tratamento, uma boa impressora e um bom papel. A Hahnemüle [
o Webb veio ao Brasil como “garoto propaganda” da Hahnemüle e da impressora HP] tem 12 tipos de papéis de algodão para foto. É impossível não ter um que seja maravilhoso para você. O que eu estou usando é um pouco mais amarelo do que o Sommerset, é um papel de 310 gramas. E tem maiores, tem de 350 gramas, o que já é um cartão. Para o mercado de arte é interessante, possibilita assinar a lápis… 

[...]
 

A impressão do livro Presença também foi bastante cuidadosa. Diferente do meu primeiro, 55 Portraits, que foi um P&B impresso em 4 cores, este foi impresso em duotone. Fiz uns ajustes pessoais. Mudei o preto normal para um “preto Senegal”, que é um preto que tem azul. A segunda cor é um “warm gray 11”, do pantone, que é um cinza quente, pouca coisa, só 11, mas se olhar na luz do dia percebe-se o calorzinho da  imagem. Também fizemos testes com o “cool gray”, que é mais neutro. Foi legal, aprendi muito com o acompanhamento na gráfica (os primeiros livros eu não acompanhei o processo todo). 
 

SFC: CLARO X ESCURO
JE: É uma herança familiar mesmo, desde pequeno eu acompanho essa história espanhola. Família de Aragão, veio para o Brasil no fim do século XIX. Meu bisavô fundou o centro espanhol em Santos. Adoro [Diego] Velázquez, adoro [Jusep] Ribera… todos os que fizeram parte do chamado Século da Luz, por volta de 1600. Eu gosto, talvez inconscientemente, de ver esta leitura. Lá em casa tinha muito quadros, muitos retratos. Meu avô abrigou um pintor espanhol durante muitos anos em sua casa e esse pintor hoje tem um pequeno museu em Madri, com seu nome, o Museu Antonio Hernandéz. Então ele sempre pintou a família inteira. Desde pequenininho eu tive meus tios, meus avós, irmãos dos meus avós, todos retratados. Eu gosto muito dos holandeses também, por exemplo, adoro Vermeer, porque ele tem uma luz muito próxima da entrada lateral que dá um contorno e um volume que me atrai bastante. E também porque tem uma certa facilidade de você trabalhar. Usei muito na primeira metade do meu trabalho como retratista, com 35mm. Embora admire também aquela luz redonda do Avedon. Como aquele fundo branco, sem nenhuma sombra, eu acho bonito também. Eu não me prendo, “tudo tem que ser assim”. É uma formatação que você pode achar conveniente ou não. É como a lente: em alguns anos descobri que a 50 é a “minha” lente. Quando eu tinha a M6, 35mm, só usava 50. Tive todas, mas só fiquei na 50, me identifiquei com aquele formato e com aquele corte. No 6X6, uso basicamente a 150 e a 80, e luz de flash. Tem que ter um fio, um fio que seja você. É fundamental, é isso que vai identificar a sua obra. Tem que experimentar, sim, mas é importante ter uma direção, senão você chuta para todo lado e não cria nada. 

SFC: PRESENÇA AUSÊNCIA
JE: De um montão de gente. Neste livro [Presença, lançamento de 2006], infelizmente, muita gente ficou de fora, gente até de outras épocas. Por exemplo, andando pela cidade ontem eu comprei duas gravuras, no Trovatore. Não sei como encontrei essas duas imagens, eu as estava procurando há muitos anos. Uma é da Edith Behring, uma gravadora do Rio, e outra é uma gravura rara da Anna Letycia Quadros, que está no meu livro. E a Edith Behring é uma gravadora que eu adoro, morreu em 1989, por aí. O Volpi estava vivo na época em que eu já estava no jornal, mas entre ele estar vivo e eu ter o projeto de fazer a foto… não é fácil. Este livro deu muito trabalho, muita gente morando fora do Brasil… E eu fiz por minha conta, eu mesmo o banquei. O patrocínio só veio quando ele estava pronto! E somente para custear tratamento, impressão e a exposição! Ganhei um cachê, mas não cobriu um décimo dos custos que tive! O momento de definir essa questão com a editora e com a fundação foi complicado, porque era algo meio imensurável, “quanto vale?” Mas ele já estava sendo um fardo para mim, tinha que sair logo. 

[...]
 

É mais fácil você publicar um livro sobre as meninas do BBB do que essa gente mais vivida, com detalhes demais, rugas demais… o povo não quer pensar. O Olívio falou que “a arte tem que provocar um estímulo”. A fotografia tem que provocar uma sensação! Se você olhar e ficar indiferente, não tem efeito, não é uma boa foto. Talvez eu não tenha acertado em todas, tem algumas que eu gostaria de ter trabalhado com outras soluções. Com o decorrer do projeto a gente vai ficando mais crítico. Mesmo com uma edição elaborada, mesmo com o cuidado em fazer e refazer, eu achei que eu poderia ter trocado algumas imagens.
 

SFC: MEMÓRIA
JE: O livro se tornou isso mesmo, a partir do momento em que eu começo a buscar gente que faz parte da história da arte e que não podia ficar de fora. Então era a luta para fazer aquele personagem. Em 2003, quando eu estava fazendo o livro da Academia Brasileira de Letras, aproveitei para fotografar todos que moravam no Rio de Janeiro. Tinha uma turma ali que parecia que não ia durar cinco anos! Espero que vivam muito mais! Mas, é inexorável! É um livro que vai continuar, espero! Só estou descansando um pouco disso, mas já estou pautando algumas figuras. 

SFC: [Estes contatos devem ter rendido muitas histórias...]
JE: Muitas! A idéia era transformar isso num filme, mas não tive como produzir. Eu queria fazer um depoimento falado. Até comecei a anotar, mas não é a mesma coisa, porque eles contando é muito melhor. Eu queria filmar eles mesmos contando suas histórias. São mil histórias, tristes e hilárias. Essa idéia surgiu no caminho, por influência do livro do Olívio [Tavares de Araújo], do Farnese [de Andrade]. Com o livro vem um CD, que é um curta-metragem que o Olívio fez com o Farnese, e é maravilhoso. Foi o primeiro filme brasileiro a entrar em Cannes e ganhou o prêmio de melhor curta-metragem em 1974. O Olívio tem filmes fabulosos. Documentou o [Marcello] Grassmann, o [Alfredo] Volpi, o Lívio Abramo… Mas sobre minha idéia do filme, passou, não dá para repetir, para pedir para o cara contar aquela história novamente, do jeito que havia contado para mim na época. Não seria a mesma coisa. Isso vai ficar só para a minha memória mesmo. £

Add comment 6 Dezembro 2008

Preguiça de escrever …. mas bate uma vontade…. então vai pela metade!

Saudade Embola Emboada Arpa Chão Calda Suada Vão
Onda Marcha Limpa Férias Verde Xadrez Limão
Cozinha Lembrança João
Vermelho Botão José
Pasta Quadro Folga Máscara
Preguiça….

Add comment 20 Novembro 2008

Opa! Quase duas mil visitas!

Valeu gente!

Add comment 20 Novembro 2008

A Serenata

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.

Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.

Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.

Quando ele vier, porque é certo que ele vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.

De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Adélia Prado

Add comment 17 Agosto 2008

Uma brisa de paixão… ?!


… Lua Cheia fica doida
Lua Cheia vamos namorar
Lua Nova vida boa
Lua Nova ela quer casar…

Lua Cheia (de Léo Henkin), Papas da Língua.


Nanets, pra vc, minha amiga!
Pra vc, pra mim e pra nossa eterna alegria de viver,
seja nas águas daqui, seja nas águas jamaicanas!
FOTO: Danielle Cristina, Guaratuba-PR, julho 2008.

1 comment 20 Julho 2008

Rotinas. E não é um papo-de-doido…

Mãe véio! Mãe veia. Mão. Mãe véia.
Um varal de vicissitudes.
Vasto, vago.
E venta, ainda.
Como veleja por virassóis.
(…)
Mãe, escrevê, mãe. Mãe, escrevê tuudo, mãe. Mãe, escrevê maais. Mãe véio!
Mooõe, não dêza mais, mõe! Qué bincá!

DC e Fê, ontem, ao acordar!

Add comment 10 Julho 2008

Hora do Almoço…

Tangerina Ponkan meia-estação: bastante popular, apresenta frutos grandes, fáceis de descascar, com gomos que também se separam facilmente. Tem paladar bastante agradável.

Add comment 4 Julho 2008

“Quando se pensa, ouve-se e…

… isso impede de achar a solução.”

Baita alívio escutar essa frase neste sábado, da boca de Didi, enquanto esperávamos por Godot! Que chatice esperar, esperar, esperar… mas… bah! Esse é o melhor! É isso a vida: esperar pela festa! Esta é a melhor parte! A única parte.

 


IMPERDÍVEL… Esperando Godot, até 29 de junho, de quinta a sábado às 21h e aos domingos às 19h, no Guaira.

Add comment 16 Junho 2008

Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)

1 comment 13 Junho 2008

Sexta-feira…

…11 da noite. Entro no carro. Ligo o som. Não recordo a estação que escolho… música latina. Sem dúvida da melhor qualidade. Entre outros, Chico Alvarez. E não precisou mais de um segundo para que aquelas melodias cubanas me inebriassem. Desço do carro, abro a porta e estou em casa. Cansada. No curto trajeto, muita dança com alma e olhar latinos de Frida Kahlo.

Add comment 8 Junho 2008

Presente…

São demais os perigos desta vida
para quem tem paixão,
principalmente quando uma Lua surge de repente
e se deixa no céu, como esquecida.

E se ao luar que atua desvairado
vem se unir uma música qualquer,
aí então é preciso ter cuidado
porque deve andar perto uma mulher.

Deve andar perto uma mulher que é feita
de música, luar e sentimento,
e que a vida não quer, de tão perfeita.

Uma mulher que é como a própria Lua:
tão linda que só espalha sofrimento,
tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Moraes

2 comments 28 Maio 2008

E a bananeira vingou!

Sensação de conclusão…

Já tive um filho. Já plantei uma árvore [duas, na verdade. A primeira, da qual não me lembro a espécie, foi no clube, quando criança, e está lá até hoje! A segunda, minha bananeira, no quintal de casa. Um pezinho discreto mas já dando ares de grandeza, uma folha imensa seguindo sua missão!]. E meu livro, se Deus quiser, está a caminho!

(…)

Que conclusão que nada… quero mais dois: um de barriga e outro de coração! Quero muitas mais, de todas as cores, aromas, texturas e gostos. Quero que venham vários, que acrescentem e que inspirem!

[Mais um desabafo... na verdade, só pra me gabar de minha bananeira!!!]

2 comments 26 Maio 2008

Ai que saudade d´ocê…

Ai que saudade de Parati!
Que saudade imensa!
Aquelas ruelas de pedras centenárias que me acolheram tão maravilhosamente bem….
aquele céu nublado, lindo, como o dia de hoje em Curitiba…
aquele cheiro de liberdade…
Ai que saudade de Parati!
Quando chega nosso próximo encontro?
Quando a conversa mansa mais uma vez?
Relendo hoje meu Diário de Viagem tive o mesmo prazer, a mesma alegria, a mesma paz no coração. Uma viagem mágica, a melhor de todas, a mais consciente. De tudo.
Saudade d´ocê, Parati!
E que bom tê-la em mim, sempre, refletida o tempo todo!

w108paraty.jpg

1 comment 25 Maio 2008

Pesquisa de Campo

Vai Paraíba! Vai Pedro “Quem?”!!!
Vai Keirrison! Dá-lhe Edson Bastos!!!

Me dispus ontem a enfrentar um Couto Pereira pós-retorno-à-primeira-divisão para realizar, digamos assim, uma pesquisa de campo! Literalmente! [perdão pelo trocadilho!]

Há anos não freqüentava um jogo de futebol. Tive minha época áurea (rs), inclusive com destaque como artilheira do campeonato mais importante do colégio! Disso lá se vão mais de dez anos! Com o tempo, fui ficando chata, enjoada, e passei a detestar aquele povão todo gritando e xingando feito loucos toda a família do coitado do juiz e de alguns dos jogadores!

Mas, a convite de minha irmã, resolvi me arriscar nessa aventura novamente, com a idéia de apenas ver em que pé estava a coisa hoje em dia! Com um misto de medo e insegurança, fui. A gente escuta cada barbaridade que acontece dentro e fora de campo… Enfim, assim fomos nós duas, devidamente uniformizadas com as cores do verdão, em direção às cadeiras da Mauá! Cunhado ligando da Império, primos dando tchau da torcida oposta (os Porcos Palmeirenses), e eu quase fazendo xixi nas calças de tanto rir (mais uma vez peço desculpas, agora pelo mau jeito!) !

E esse riso exagerado me fez entender o porquê de estar lá, o porquê dessa algazarra (obrigada, vó, pelo empréstimo!), dessa loucura pelos campos! É o mesmo motivo do fascínio pelo Carnaval: duas festas que envolvem a todos, num clima de unidade, de segregação! Naquela hora, só o que importa é sermos todos brasileiros, unidos pelo amor à camisa ou amor ao que quer que seja! E vi isso ontem! Senti na pele e no coração batendo a cada um dos dois goooools!

Uma festa linda ontem no Couto, re-ple-ta de crianças com seus pais, todos juntos brincando sem violência e, pasmem, com poucos palavrões! Pelo menos na Mauá, o jogo correu bem e bonito! Parabéns às famílias da torcida Coxa Branca!

 

1 comment 12 Maio 2008

Poema para os gatos

Silêncio,
eis a tarefa
de todos os gatos.
Poucos sabem perscrutar
(talvez ninguém em plenitude)
o grau de solidão necessária
ao saber auto suficiente
para ser felino e doméstico
em sua tarefa de monge
guardião do inextricável
em quem o homem não percebe
a metafísica natural,
recolhimento
saber
sensualidade
e aceitação.

Artur da Távola

[Modelo: Paris, a gatinha manhosa da Wilminha!] 

1 comment 19 Abril 2008

Uma história coletiva…

Joana passava roupas. Joana passava o mundo. A limpo. Tudo passava enquanto ali, naquele canto, ela cuidava de suas roupas. E da roupa da família. E pensava quem estaria cuidando da roupa dos amigos. E… continue a história quem quiser!

1 comment 8 Abril 2008

Parabéns, coleguinhas!

Comemoração hoje! Dia do jornalista! Meu dia, com todo o orgulho do mundo! Uma profissão linda que, apesar das pedras no meio do caminho, me faz sentir mais humana. Encaro o jornalismo como minha essência: a velha, utópica e persistente vontade de mudar/melhorar o mundo! Um meio de educar, protestar, denunciar, elogiar e, sempre, inspirar!
 
Como uma espécie de Ação de Graças, homenageio e agradeço hoje a todos aqueles que cruzaram o meu caminho e, de uma forma ou de outra, enriqueceram-me. Faço questão de citar nomes. Seu Ário Taborda Dergint, que fortaleceu em mim o amor às artes. Helô [Heloísa Covolan] e HT [Hélio Teixeira]: generosos mestres meus, que mostraram-me o jornalismo e ensinaram-me muito mais do que a vida acadêmica. Grande Professor Pena, o mestre da ética, a quem tínhamos vontade de aplaudir a cada aula encerrada na faculdade. Ainda lá atrás, Professor Senzi, na 6ª ou 7ª série do Colégio Marista Santa Maria, que guardo com carinho pelas lições de amor ao português! Professoras Nanci Gonçalves da Nóbrega [da PUC-Rio] e Clarice Alves Martins [da PUC-PR e da aula particular de regência verbal em Guaratuba!], musas inspiradoras do amor à vida!
 
Também são muitos os “grandes nomes”, lógico. O primeiro de todos, Clarice. A conheci em sonho, ainda adolescente. Uns dias mais tarde descobri que aquela moça com quem me encontrei era a tal Lispector. A ela devo o meu despertar às letras. Também Machado de Assis, o melhor início que eu poderia ter. 
 
A todos os citados e aos demais amigos que, com participações diferentes em minha vida porém não menos importantes, me engradeceram e ainda me fazem crescer todos os dias, minha profunda admiração!

2 comments 7 Abril 2008

Por que escrever?

“‘Escrever é uma arte mágica: quando você põe palavras no papel, num texto autobiográfico ou não, você se mostra para si mesmo e se compreende melhor’, diz a escritora Sonia Belloto.”
Tenho recebido algumas mensagens inspiradas e bem escritas dos amigos que passam pela Aldeia. Desconfio que o ato de escrever não faz bem apenas a mim, mas deve ser algo geral… Encontrei uma matéria bastante esclarecedora na edição de março da revista Bons Fluidos. Espero que inspire mais amigos a postarem mensagens aqui e até mesmo a criarem seus próprios blogs, usando este canal como diário ou como suporte para publicação e divulgação de quaisquer literaturas e outras invencionices!

Um trechinho da matéria:
“Quando a boca cala, o corpo fala. Quando a boca fala, o corpo sara. Eis um ditado que mostra, de forma simples, a importância de verbalizar o que sentimos e pensamos, pois o que não é expresso tende, mais cedo ou mais tarde, a afetar nosso bem-estar e até nosso estado de alma. Segundo o psicólogo Waldemar Magaldi Filho, professor da Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo, ao entrar em contato com seu colorido interior, dispondo-se a abrir e a contar suas experiências, sejam elas boas ou ruins, muito do que foi vivenciado pela pessoa se ilumina. ‘Narrando os fatos, percebemos que eles talvez não sejam tão negativos quanto pensávamos, que a raiva que alguém despertou em nós diminuiu, que o trauma que sofremos já não assusta tanto, que nossas vitórias foram mais importantes do que pareciam’, explica o especialista. Da mesma maneira, o que a princípio foi visto como algo trágico pode, com o passar do tempo, se revelar uma grande oportunidade de crescimento. ‘Isso é o que chamamos de re-significar, ou seja, atribuir um novo sentido às coisas’, completa.”
Texto na íntegra AQUI.

[Postado originalmente em 24.03.2008, às 15:11, no blog-se.]

Add comment 3 Abril 2008

O bom velhinho

Estou lendo – entre outros livros na minha bagunçada e misturada leitura -, As Curvas do Tempo, memórias de Oscar Niemeyer. Adoro biografias e memórias. Talvez seja minha literatura preferida. Sempre tiro algo de bom, algo de ruim, e isso vai ajudando a construir minha vida e minhas próprias memórias. Dessa vez, Niemeyer, esse bom velhinho que dá vontade até de levar pra casa, fez com que eu me sentisse uma pessoa mais “normal”, porque pude compartilhar de um mesmo sentimento descrito no livro. Depois de contar causos de sua juventude, bastante boêmia e de inúmeros amigos, ele conclui que “a vida continua e aqui vamos nós, caro leitor, fingindo acreditar em coisas sem maior importância, vestidos de arquiteto, a discutir arquitetura com uma devoção que este mundo injusto certamente não justifica.” É a mesma sensação que, de uns meses pra cá, venho sentindo em relação a minha profissão, o jornalismo, e aos meus ideais de “melhorar o mundo”! Há tantas coisinhas fúteis e inúteis que temos que nos entreter no dia-a-dia, para as quais temos que despender tempo… há tantas conversas e almas vazias… é tanto esforço dedicado ao que não é essencial… enfim, há tanta desilusão, dia após dia. Mas elas não podem nos abalar e nos esmorecer. É preciso ir adiante, sempre, porque destes sonhos, por mais escondidinhos que deixemos em nós, é que temos energia para continuar!

[Postado originalmente em 14.03.2008, às 19:46, no blog-se.]

Add comment 3 Abril 2008

Cazuza não combina com praia

No radinho, na tenda montada na beira da praia, “Boas Novas”. Duas gurias conversam. “Cazuza não combina com praia”, diz uma delas. Bingo! Um tema para o trabalho que eu deveria entregar para conclusão da disciplina de música, da pós-graduação de Leitura de Múltiplas Linguagens!
Realmente, “eu vi a cara da morte e ela estava viva”1 não combina com praia, mas talvez a guria tenha generalizado demais, porque “eu preciso dizer que eu te amo”2 ou “eu quero a sorte de um amor tranqüilo”3 são trechos que podem, sim, ressoar harmonicamente com as areias brancas de uma bela praia enquanto outra-guria-bobinha-sonha-acordada-em-uma-rede-pendurada-entre-dois-coqueiros.
A música é o clima. E a temperatura pode ser das mais baixas ou estar entre as mais altas, vai depender da música. Tudo na vida, coisas e pessoas, o universo enfim, tudo tem seu ritmo e é influenciado pelos ritmos ao redor. Nem refiro-me aqui ao mérito de freqüência de ondas, busco apenas enfatizar a importância da música em nossas vidas, a influência – negativa ou positiva – em nosso cotidiano.
A música nos envolve, desperta sentidos e faz oscilarmos entre diversos estados físicos e emocionais. Sendo assim, como arma poderosa, é utilizada em igrejas para fortalecer a fé de fiéis – e convencer infiéis! -; serve de instrumento de tratamentos psicólogicos; é utilizada em criadouros de animais para acalmá-los; é insistemente indicada a gestantes, a fim de que venha ao mundo um bebê tranqüilo, esperto e com ouvidos aguçados; entre muitos outros empregos.
Cada ouvinte traz uma bagagem musical e sensorial distinta. Para uns, “segue o seco sem sacar que o caminho é seco”4 é uma estrada longa e estafante, enquanto para outros, “ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais”5 é a estrada solitária e serena. “Longe de casa a mais de uma semana”6 pode trazer uma melancolia inexplicavelmente gostosa, da mesma agradável e despretensiosa sensação ao ouvir “eu gosto tanto de você que até prefiro esconder”7. Talvez este encare com revolta quando se escuta algo sobre “nas favelas, no senado“8, enquanto aquele sinta remorso ou algo parecido ao ouvir alguém anunciar “sou uma gota d’água, sou um grão de areia“9. Alguns deixam de acreditar que tudo é pra sempre quando percebem que “mudaram as estações”10, porém, mantêm uma ilusão, de bobeira mesmo, achando que detalhes “a toda hora vão estar presentes”11. Às vezes, a música convida a bailar pelas lembranças da infância, como quando chega um certo “ursinho querido”12 ou pelas lembranças de um tio querido que faz pensar na família maravilhosa que se tem, ao ouvir, sabe-se lá o porquê, “você não é doce de côco mas enjoei de você”13! Algumas canções têm o poder de nos remeter a lugares especiais guardados no coração, lugares que abrigam o que éramos e o que somos na essência… tais como quando o trio “começa na Ponta Grossa e termina ali na praça…”14. E pra alguns é tão fácil abrir a boca e cantarolar, em alto e bom som, quando no radinho toca “enquanto você se esforça pra ser”15, da mesma maneira que é até difícil respirar quando uma voz feminina, nada tímida, faz ressoar “por isso cuidado meu bem”16. Na música, alguns sabem a hora certa de perguntar “Do You Wanna Dance”17 e outros de dizer que, dançando bem ou mal, “na nossa festa vale tudo”18. E a saudade em “vai minha tristeza e diz a ela que sem ela não pode ser“19. E a prévia saudade, antecipada, em “menininha, não cresça mais não, fique pequenininha na minha canção”20.
Música é paixão pela vida. E é por isso que me emociono a cada vez que meu filho, com menos de dois anos, liga o som, aponta para um de seus cd´s de músicas preferido e escuta “Leão! Leão! Leão! És o rei da criação!”21 e dança comigo. E é por isso que me emociono a cada vez que escuto um fugidio “Pau, Edra, Im, Inho, Esto, Oco, Ouco, Inho, Acro, Idro, Ida, Ol, Oite, Orte, Aço, Zol…”22 Fugidio… tal como nossa alma, que escapa e viaja, quando envolvida por música. Pulsante… tal como as batidas de nosso coração, aceleradas ou retardadas pela música. Fluido… tal como nossa respiração.

SELEÇÃO
1. Boas Novas, Cazuza.
2. Preciso Dizer Que Te Amo, Dé/Bebel Gilberto/Cazuza.
3. Todo Amor Que Houver Nessa Vida, Cazuza/Frejat.
4. Segue o Seco, Carlinhos Brown/Marisa Monte.
5. Ando Devagar, Zé Ramalho.
6. A Dois Passos do Paraíso, Evandro Mesquita/Ricardo Barreto.
7. Apenas Mais Uma De Amor, Lulu Santos/Nelson Motta.
8. Que País É Este?, Renato Russo.
9. Pais e Filhos, Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá.
10. Por Enquanto, Renato Russo.
11. Detalhes, Roberto Carlos/Erasmo Carlos.
12. Ursinho Pimpão, T.Landa/T.Cruz/Edgard Poças.
13. Doce de Côco, Cláudio Fontana/Wanderley Cardoso.
14. Hino da Banda de Guaratuba, Heitor Valente/César Costa Filho.
15. Maluco Beleza, Raul Seixas/Claudio Roberto.
16. Como Nossos Pais, Belchior.
17. Whisky à Go-Go, Michael Sullivan/Paulo Massadas.
18. Dancin Days, Nelson Motta/Ruban Barra.
19. Chega de Saudade, Vinicius de Moraes.
20. Valsa Para Uma Menininha, Vinicius de Moraes/Toquinho.
21. O Leão, Arca de Noé, Fagner/Vinicius de Moraes.
22. Águas de Março, Tom Jobim.

[Postado originalmente em 17.01.2008, às 16:20, no blog-se.]

1 comment 3 Abril 2008

Inspiração

Esta palavra vem rodeando minha vida há muito tempo. Volta e meia ela aparece, contundente. Voraz. Às vezes apaziguadora, sim. Mas normalmente voraz. Inspirar, inspira, inspire, inspirei, inspirarei, inspirou, inspiraram… inspiração talvez seja das palavras mais fortes da nossa língua. Forte porque instiga a uma atitude. Remete instantaneamente a um pensamento que leva a uma atitude imediata. E quando isso não acontece, quando a inspiração não vem, não dá sinal de existência… aí então “inspiração” torna-se “decepção”. Decepção com nós mesmos, com a falta de nós mesmos, com os outros e a falta de outros, com a presença e com a ausência, com o cheio e o vazio, com a vida medíocre que pensamos levar naquele momento. Como é difícil quando perdemos o trecho da caminhada e damos sequência em passos sem direção, desnorteados. Viver exige inspiração a todo momento. E como é difícil………

[Postado originalmente em 02.03.2007, às 12:49, no blog-se.]

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Minha Guaratuba…

guaratuba2.jpg

[Postada originalmente em 16.01.2007, às 14:22, no blog-se.]

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Inspirações

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