Posts filed under 'história'

Finalmente…

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A minha baía de Guaratuba começando a ter vida de novo!
A Secretaria da Cultura está de parabéns pela iniciativa de revitalização da área; transferância para o local da tradicional feirinha de artesanato (antes realizada na praça central, defronte à igreja matriz); criação da Casa da Cultura, no casarão abandonado de esquina; reedição do livro que conta a história do município e permanente coleta de dados históricos com moradores e turistas (a história do Cine Tamoio, antigo cinema de Guaratuba de posse de meu pai, está a caminho para também ser indexada a essas linhas)!

TURISMO CONSCIENTE E PREPARADO: A MELHOR FERRAMENTA PARA A EDUCAÇÃO, PRESERVAÇÃO E MEMÓRIA!
Fico feliz demais por ver esse trabalho na cidade!!! Meus sinceros parabéns a Prefeita Evani Justus e a Diretora de Cultura Maria do Rocio Bevervanso!

* Na foto, réplicas da Igreja Nossa Senhora do Bom Sucesso, confeccionadas por crianças da região.

Add comment 8 Setembro 2009

a FOFOCA, agora, liberada!

Maravilha! Que alívio poder assumir com todas as letras SOU FOFOQUEIRA! Que delícia poder gritar as quatros cantos AMO UMA FOFOCA! Verdade!!! A mais pura verdade, do mais fundo do meu íntimo! A-DO-RO aquela conversinha cheia de segundas, terceiras e quartas intenções ao lado da pia da cozinha! Humm… e aquelas cheias de moral no meio do cafezinho do meio da tarde?! Hummm… Melhor que essas, só aquelas beeem apimentadas de mesa de boteco… ahh, aquelas sim!

Mas antes que eu esqueça, deixa eu te contar a última da vizinha do quinto andar: disse que descobriu uma fofoca pra lá de maldosa rodando por aí! E me contou, acredita?! Já sabe qual é? Quer que eu conte? Ai, mas jure que não vai comentar com ninguém! Andam falando que ela…. ééé… bem isso…. que ela ó… lá pra’quelas bandas… ééé…. meniiina, hoje em dia tá uma loucura mesmo… a gente não sabe mais por quem pôr a mão na fogo… Deeeeus me livre!

Bah, mas deixa eu te contar mais essa: sabe aquele escritor, liiindo, dos olhos azuis, que descreve a alma feminina como nenhuuuma mulher seria capaz? Qual o nome dele mesmo? Lembra? Esqueci… Então, aqueeele! Confessou em praça pública (aliás, que praça, hein?!) que o pai era um fofoqueiro de marca maior! Acredita? Não, é? Pois sim!

Maravilha, não? Que bênção daquela criatura ter nascido numa família assim, movida à fofoca! Família como a minha: sempre com uma fofoquinha (= histórinha maliciosa não-maldosa) que não faz - e  nem pretende fazer! – mal à ninguém!!! Uma família na qual, simplesmente e com a maior bondade do mundo, de geração a geração, CONTA-SE HISTÓRIAS! Amém!   ; ] 

* A liberdade veio da boca do Chico! Ele mesmo! O Buarque! Em Mesa literária HOJE na Flip, na linda e apaixonante Parati! “Papai gostava de contar muitas histórias e gostava muito de fofoca. [...] Reunia os amigos e contava coisas escabrosas”, confessou. Então, me identifiquei instantaneamente! Também descendo de uma família onde a CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS, nossas ou dos outros, é uma constante! Rs… E talvez, ou provavelmente, ou certamente, seja essa uma de minhas grandes inspirações para fazer nascer de dentro de minha caixola as minhas próprias histórias! E essa conversa toda, essa ladainha, esse falatório que não tem fim, sem dúvida, é uma bênção!
** A joaninha apareceu de novo! Ela sempre aparece quando surge na tela a palavra “Parati”! Mágico, como tudo o é!

1 comment 3 Julho 2009

NEY???

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É! Ney Matogrosso, sim, senhor!

Hoje me dei conta de que, realmente, com o passar dos anos, vamos ficando cada vez mais e mais parecidos com os nossos pais. Talvez isso seja inevitável, quem sabe… Fato é que [ai que raiva dessa expressão, ando usando muito... coisa mais jacu!!!], esta semana, me peguei “apreciando” a voz de Ney Matogrosso (realmente linda, única…). Ai ai ai… e como zoei da coitada de minha mãe aquela vez em que ela foi no show do dito cujo, no Guaíra! Ê lê lê!
Coisa boa os termos como referência… esses dois seres de outro mundo chamados PAI e MÃE! Só podem ser de outro mundo, porque não vejo a menor possibilidade física de um corpo humano abrigar um coração tão imenso como o deles. Ultrapassa, porque não tem limites. Como sei disso? Porque também sou mãe. Antes não sabia.
Como dizia uma propaganda de tevê, “quando nasce uma criança, nasce também uma mãe”. Traduzindo: nasce um ser capaz de AMAR. Detalhe: INCONDICIONALMENTE. O maior amor do mundo é este amor…
Hummm… voltando ao Ney… acho que gosto de perceber que estou ficando parecida com meus dois anjos (ou et´s?). Gosto de perceber a genética mostrando sua força… a herança do caráter dos dois refletida em minhas atitudes… o amor que recebo extrapolado ao que dôo a meu filho!

Uma singela e meiga [!] homenagem, atrasada, ao Dia das Mães, e adiantada, ao Dia dos Pais!

Add comment 14 Maio 2009

Uma Zélia de Amor

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Tecelagem primitiva em lã de carneiro. Pela delica destreza das mãos e pela força melódica dos pés de Dona Zélia Scholz, o novelo de lã vai se formando. E dele, os xales, os tapetes, os acolchoados e a singeleza de uma sabedoria acumulada por anos e anos nos “tempos pra filosofar” ao comando do tear.

O jovem se aproxima e acha tudo “irado”. Quer pegar, quer conversar, quer saber como funciona. A criança, acanhada, observa de longe e se escusa do convite de Dona Zélia de sentir a intensidade da força que sua mão aplica na lã para formar o fio. Pela recusa do garoto (por desinteresse ou timidez), ela inicia um breve discurso sobre – concluí depois – o amor. Usa a lã de carneiro como metáfora da família e de todas as nossas relações. “Sem união”, diz ela, “é impossível formar o fio”. Neste caso, não somente a união faz a força, mas a força faz a união. A união das micropartículas de lã possibilita a existência de um fio forte e rijo. Por outro lado, é preciso que Dona Zélia aplique determinada força para que se consiga criar e manter essa união.

É assim no nosso dia-a-dia. Somos seres dependentes de uniões. Sem elas não construímos nada, nem externo nem interno a nós. E, para superar todas as agruras da vida, sem dúvida, precisamos de “determinada” força para nos mantermos unidos. É um caminho de mão dupla. Foi isso que, em outras palavras, Dona Zélia nos ensinou hoje.

Por fim, agradeço suas palavras e sua atenção e a parabenizo pelo trabalho. Mas, como se não bastasse sua própria presença entre nós e o seu dispôr em nos proporcionar aquele momento de  bênção, ela se despede nos agradecendo por “vê-la”. Com aquele sorriso de senhorinha meiga, nos conta que muitos passam, alguns a enxergam e poucos a vêem. Que pena dos desapercebidos…

Por isso minha conclusão de que o discurso de Dona Zélia foi, simplesmente, sobre o amor. Porque, como o igualmente sábio principezinho, pela fala de Saint-Exupéry, afirma que “só se vê bem com o coração”, Dona Zélia afirmou e provou que só o amor mesmo é capaz de unir, de nos dar forças e de nos fazer ver!

 

* Dona Zélia Scholz pode ser encontrada todos os domingos (“menos os que chovem” diz ela!) na feirinha do Largo da Ordem! Vale a pena bater um dedinho de prosa com essa criaturinha meiga e abençoada, que adora usar o tempo do tear, “quando a cabeça está vazia, para filosofar”!

1 comment 15 Março 2009

em atualização

Add comment 15 Agosto 2008

Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)

1 comment 13 Junho 2008

Santa Tina: nem virgem, nem mártir

Uma vida rodeada de mistérios. Como diz o escritor Paco Ignácio Taibo II, a italiana Tina Modotti (1896-1942) “viveu todas as histórias que fizeram História“. Foi estrela em Hollywood nos anos 20; foi amante e aluna do fotógrafo Edward Weston, o mesmo que a retratou na década de 20 e cuja fotografia foi comprada quatro décadas mais tarde pela cantora Madonna, que desembolsou a maior quantia já paga a uma fotografia até então; presenciou o assassinato de Julio Antonio Mella e sofreu o escândalo de ser acusada de sua morte; estava por perto quando do assassinato de Leon Trotsky; foi imortalizada nos famosos murais de Diego Rivera; influenciou Frida Kahlo; foi amiga de grandes nomes como Alexandra Kollontai, Maiakovski, Sandino, Sergei Einsenstein, Manuel Álvarez Bravo, Olga Benário e Luis Carlos Prestes; lutou na Guerra Civil Espanhola e serviu como espiã soviética na Berlim nazista; vivenciou o México pós-revolucionário; foi acusada de terrorismo, presa e expulsa do México; apoiou famílias de perseguidos trabalhando no Socorro Vermelho Internacional; teve muitos amantes e desiludiu muitos apaixonados; o epitáfio de seu túmulo foi escrito por, nada mais nada menos, Pablo Neruda. Sua própria morte, por infarto a bordo de um táxi em 1942, é polêmica.

Sua principal câmera, uma Graflex, foi comprada com a venda do exemplar de Ulysses (na Califórnia o livro era proibido e rendeu uma boa quantia) e da velha e pesada câmera Korona. Ao lado de Weston, explorou o sincretismo religioso na cultura mexicana. Ao final deste trabalho, ele estava orgulhoso de sua discípula. Ele dizia que era impossível afirmar quais imagens eram dele e quais eram de Tina. Na passagem por Moscou, Tina desiste da fotografia e se desfaz de sua câmera.

Nos idos de 1927, seu apartamento tornou-se um verdadeiro “salão da esquerda artística internacional”, praticamente a sede do partido. Após aliar-se ao partido comunista, a fotógrafa deixou de lado as cores para adotar um estilo mais reservado. Passou a vestir-se em tons de ocre e cinza e prendeu os cabelos negros e brilhantes em um discreto coque. Estilo discreto assim como deveria ser sua própria vida dali em diante, alternada entre realidade obscura e disfarces políticos. Suas fotografias também sofreram mudanças. O México recebeu outra leitura de Tina, a miséria daquele povo deixou de ser uma mera paisagem.

 

Leia mais…
Los fuegos, las sombras, el silencio… Pino Cacucci.
Modotti: uma mulher do século XX. Ángel de
la Calle.
Tina Modotti, a fragile life. Mildred Constantine.
Tina Modotti, between art and revolution. Letizia Argenteri.
Tina Modotti, photographs. Sarah Lowe.
Tinísima. Elena Poniatowska.
* Moby Dick (segundo Tina, o melhor livro que leu com Edward Weston, assim como Ulisses, de James Joyce e os poemas de Ezra Pound). 

Add comment 8 Maio 2008


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