Posts filed under 'fotografia'
Simples assim…

- Como é que se faz para que nos amem?, perguntou o principezinho.
- Estás a ver aquela rosa que regaste? Como fazes para que ela não murche para sempre e se renove?, retorquiu-lhe a raposa.
- Não a arranco da terra, respondeu o principezinho.
– Mas o que é que isso tem a ver com o amor?
- Tem tudo a ver. Se não arrancares o coração de ninguém, se o regares e nele colocares as coisas de que gostas, como as ovelhas, as estrelas e os campos de trigo, então esse coração será sempre teu.
- Somente isso?, questionou o menino dos cabelos de sol.
- Tão somente isso, disse a raposa com um sorriso.
Add comment 10 Outubro 2009
Sem dois, não há dança.

“Na mulher, é sempre o contrário, o oposto, o zigue-zague na trança da gafieira. Elas nascem sabendo de cor o convexo do côncavo, as duas imagens da ilusão de ótica, o yin do yang e o yang do yin. Tudo tão simples! A lógica é desnecessária. Quem tenta aprender lógica é aquele tolo confuso por tantas jogadas de cabelo, cruzadas de perna, oitos de costas, sims e nãos. Quem faz filosofia não se basta com a folha verde, com o rio cachoeira que ri, com tudo aquilo que se basta em si mesmo. Mas é no palco que rola a dança entre esses dois seres tão diferentes. É na arte que o feminino que se basta encontra com o homem que anseia por olhar, explorar e aproveitar. É no poema que a mulher jorra para alguém, se manifesta para alguém, aparece e brilha para alguém. E somos gratos por ser apenas alguém.”
- Do blog do Gustavo Gitti, dono de uma incrível sensibilidade para tentar entender as mulheres! E esse chega perto, hein! Vale a pena acompanhar: http://nao2nao1.com.br.
Add comment 8 Setembro 2009
Finalmente…

A minha baía de Guaratuba começando a ter vida de novo!
A Secretaria da Cultura está de parabéns pela iniciativa de revitalização da área; transferância para o local da tradicional feirinha de artesanato (antes realizada na praça central, defronte à igreja matriz); criação da Casa da Cultura, no casarão abandonado de esquina; reedição do livro que conta a história do município e permanente coleta de dados históricos com moradores e turistas (a história do Cine Tamoio, antigo cinema de Guaratuba de posse de meu pai, está a caminho para também ser indexada a essas linhas)!
TURISMO CONSCIENTE E PREPARADO: A MELHOR FERRAMENTA PARA A EDUCAÇÃO, PRESERVAÇÃO E MEMÓRIA!
Fico feliz demais por ver esse trabalho na cidade!!! Meus sinceros parabéns a Prefeita Evani Justus e a Diretora de Cultura Maria do Rocio Bevervanso!
* Na foto, réplicas da Igreja Nossa Senhora do Bom Sucesso, confeccionadas por crianças da região.
Add comment 8 Setembro 2009
Cabecinhas pensantes!

— Mamãe, quando a gente for astronauta… a gente pode ir pra Lua?
— Claro, filho!
— Então temos que construir um foguete de madeira, lá no quintal da casa da vovó!
3 comments 31 Agosto 2009
Pingo
Pingo, excelente guia turístico da Pousada Recanto Nativo, em Campo Magro!
1 comment 13 Agosto 2009
Clã da Borboleta

De bom-dia, logo cedo, esta borboleta pequenina em minha janela!
De boa-noite, ainda, ela!
1 comment 23 Maio 2009
Dos vulcões…

A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois. Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz lembrando nós dois. Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas. Pois no dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
o último homem no dia em que o sol morreu.
No Último Pôr-do-Sol, de Lenine, a certeza de que a paixão é essencial, sempre, durante toda a vida! Paixão pelo outro, paixão por nós mesmos, paixão pela natureza, pela paisagem, por uma viagem, por conhecer, por crescer, por uma amizade, por um anônimo, por alguém perto, por alguém distante… paixões reais, paixões virtuais, paixões platônicas… paixões novas, paixões antigas… paixão de irmão, paixão de amigo, paixão de filho, paixão de bicho… paixão de não fazer nada, paixão de impulsos, paixão de correr atrás do que se pensa valer a pena… paixões que não valem, paixão que vale… paixão de vida real, de dia-a-dia, ou paixão de cinema… paixão de solidão, paixão de solitude… paixão de dia, paixão de noite…. do Sol, da Lua… da Terra, do Mar… paixão da Água, do Ar… paixão concreta, paixão de ilusão… perdição… encontro… certezas e dúvidas… é assim a vida com PAIXÃO! Um arrebatamento constante, por tudo, por todos, por si mesmo! E depois do vulcão, o silêncio morno, o azul da calmaria, o verde-água do sangue suspenso no ar! O último homem no dia em que o sol morreu.
Add comment 13 Abril 2009
No ninho…

Dias ensolarados, tardes luminosas, noites estreladas de brilho intenso no céu platinado. Dias de recolhimento, menos conversas e mais olhares, mais sensações e percepções, menos atitudes expressivas e mais reflexões. É importante respeitar o momento propício à introspecção. Tempo de aconchego, de ninho. Uma chance a mais de nos conectarmos com a Roda Sagrada da Vida. A oportunidade de percebermos a Mãe Terra nos envolvendo, na brisa suave e no tapete dourado de folhas secas que cobre o chão. Cores quentes nos mostrando novos caminhos. A Natureza se prepara para o inverno. As aves e os animais ficam mais silenciosos. Tudo convida ao descanso. É o outono que chega!
Com ele, novos aromas pelo ar! O salgado do verão cede lugar ao cheiro de bolo saindo do forno! A brincadeira na areia dá lugar ao sono no colo de mãe, na casa anoitecendo com as luzes do céu. A respiração da criança orienta o ritmo da casa. Cheiro de mãe. Aconchego entre os seios, lembrança do alimento primeiro. O lanche durante a brincadeira agora é mesa posta para o café da tarde. O rosa das flores agora é canela embrenhando-se pela casa.
Silêncio nas casas, silêncio nas mentes. Agora, nossos corações voltam-se para nós mesmos e pedimos a Mabon, Deus do Amor, proteção aos que amamos e força para superarmos o porvir, a escuridão do inverno. O fogo queima, em gratidão, os nomes das mulheres que nos antepassaram e, assim, resgatamos a energia acolhedora daquela que cuida e protege. Desde o Alban Elfed, “Luz do Outono” ou “Dia do Equilíbrio”, comemorado em 21 de março, nos voltamos ao agradecimento e nos aconselhamos com nossos sábios ancestrais. Nesta época, a Mãe Terra nos sopra a magia amarela e laranja e faz amadurecer os frutos que serão guardados para o inverno que se aproxima. É momento de colheita e de reserva de alimentos. É tempo de alinhar-se com a natureza para o equilíbrio dos corações!
Add comment 6 Abril 2009
Aberturas no Equinócio
— Pra Brasília, por favor!
[...]
Quarta visão. Câmeras são instrumentos do olhar, mas somente cumprem seu papel maior quando nossa visão do meio é ativada. As câmeras fotográficas, de alguma forma, nos estimulam a abrir cada vez mais esse “olho d´alma”. Nos estimulam a ver mais longe, mais perto, mais focado, mais fora de foco, mais colorido, mais preto-e-branco, mais macro, mais micro…
[...]

[...]
Um imenso Morpho menelaus tenuilimbata, mais conhecido como borboleta-azul-praia-grande, da mesma família que borboleteou nossa infância pelos arredores do Santa Maria, nos recebe na Ilha do Mel. As boas-vindas no trapiche!
Essa borboleta é cultuada pela tradição indígena do Brasil como a “alma do índio morto” e voa somente nos meses de março e abril.
Tento fotografá-la mas… desapereceu pelo caminho como se fosse uma entidade mágica, uma fada ou, realmente, a alma de um índio morto.
O dia começou, então, num azul brilhando!
[...]
Nossos pézinhos começam a nos guiar pela Ilha Mágica, sob o comando do coração. Uma parada para catar conchinhas na areia. Vício e delícia antiga. Peço licença e seleciono três jóias de Gaia. Também um pedaço de madeira ou osso que, observando agora, me lembra um garfo estilizado. Garfos alimentam.
[...]
Placas. Fotos. Nuvens. Fotos. Siris. Fotos.
Plantas. Fotos. Ondas. Fotos. Nós. Fotos.
[...]
Banho de mar.
Crianças na arrebentação.
Crianças conversando a vida.
Crianças desfiando a vida.
Crianças brincando de correr, entre vaga-lumes…
[...]
Segue a caminhada. Farol e Fortaleza em relevo na parede de uma casa.
[...]
Vaga-lumes me iluminam (o dia todo a poesia prevalece e “Vagalumes”, música-presente, toma conta de mim).
E foi até estranho, a gente nem deu conta,
Talvez na outra ponta, alguém pudesse pensar:
Menino vaga-lume, flor, menino estrela, a brisa mais forte veio te buscar…
[...]
Forte de Nossa Senhora dos Prazeres. Pedras imponentes. Natureza fortaleza. E por de cima do muro, a gente enxerga o mundo.
[...]
Na natureza, na santa paz de Deus… “desce do coqueiro que o almoço tá esfriaaando”! O garçom acena pra saírmos do mar. Ducha doce no meio do verde. Um peixinho à dorê, no molho vermelho, acompanhado de salada e batata souté. Simplesmente de lamber os beiços (com o perdão do termo)!
[...]
Maré alta. Mas o medo não vence, pois não “tamos” só… O voo dos pássaros contagia. A cor e a temperatura d´água convencem. Não precisamos do pôr-do-sol do Farol, porque também no Istmo a poesia prevalece. A paz. No Passa-Passa ficamos. E ali demos a volta ao mundo!
E quando a gente apaga, tudo fica escuro!
No trapiche, a incerteza da ida. Na ruela das pousadas, delicadamente iluminada, a vontade de ficar. Garoa, como em toda boa viagem. As conversas mansas. Sotaque gostoso do caiçara. Escuridão plena. Apenas os pontos de luzes lá looonge, depois do horizonte. Sentadas na ponta do trapiche, sorriso no rosto e na alma, sorvemos os pingos da chuva. E a conversa também vai ficando looonge… só os pingos e a paz. O barquinho vem se aproximando. A metáfora real da passagem, agora com mais bagagem. Sozinhas na barca, travessia única, gratidão.
Na despedida, companhia: estrelas vagalumes dentro de uma caixa! Aquele serzinho, tão presente pela música durante todo o dia, agora pousado em minha mão, caminhando por mim, seguindo comigo para casa… ME ILUMINANDO!
[...]
… um final de semana cheio de presentes… diz “tia” Renata (herança da infância, pais de amigas serão sempre tios)! A bênção de estarmos num lugar maravilhoso, na companhia da melhor amizade, no convívio de uma bonita família, rodeadas de “coincidências” pelo caminho, integradas com os cinco elementos e abraçadas pela Mãe Terra e pelo Pai Cosmos, de mãos dadas com a Irmã Lua e o Irmão Sol… DIAS-PRESENTES DE DEUS!
[...]
Pra temperar os sonhos e curar as febres,
Inserir nas preces do nosso sorriso,
Brincando entre os campos das nossas idéias,
Somos vaga-lumes a voar perdidos…
A voar perdidos…
- Trechos de “Vagalumes”, d´O Teatro Mágico. Mais um presente que recebi nesses dias de março!
Add comment 1 Abril 2009
Uma Zélia de Amor

Tecelagem primitiva em lã de carneiro. Pela delica destreza das mãos e pela força melódica dos pés de Dona Zélia Scholz, o novelo de lã vai se formando. E dele, os xales, os tapetes, os acolchoados e a singeleza de uma sabedoria acumulada por anos e anos nos “tempos pra filosofar” ao comando do tear.
O jovem se aproxima e acha tudo “irado”. Quer pegar, quer conversar, quer saber como funciona. A criança, acanhada, observa de longe e se escusa do convite de Dona Zélia de sentir a intensidade da força que sua mão aplica na lã para formar o fio. Pela recusa do garoto (por desinteresse ou timidez), ela inicia um breve discurso sobre – concluí depois – o amor. Usa a lã de carneiro como metáfora da família e de todas as nossas relações. “Sem união”, diz ela, “é impossível formar o fio”. Neste caso, não somente a união faz a força, mas a força faz a união. A união das micropartículas de lã possibilita a existência de um fio forte e rijo. Por outro lado, é preciso que Dona Zélia aplique determinada força para que se consiga criar e manter essa união.
É assim no nosso dia-a-dia. Somos seres dependentes de uniões. Sem elas não construímos nada, nem externo nem interno a nós. E, para superar todas as agruras da vida, sem dúvida, precisamos de “determinada” força para nos mantermos unidos. É um caminho de mão dupla. Foi isso que, em outras palavras, Dona Zélia nos ensinou hoje.
Por fim, agradeço suas palavras e sua atenção e a parabenizo pelo trabalho. Mas, como se não bastasse sua própria presença entre nós e o seu dispôr em nos proporcionar aquele momento de bênção, ela se despede nos agradecendo por “vê-la”. Com aquele sorriso de senhorinha meiga, nos conta que muitos passam, alguns a enxergam e poucos a vêem. Que pena dos desapercebidos…
Por isso minha conclusão de que o discurso de Dona Zélia foi, simplesmente, sobre o amor. Porque, como o igualmente sábio principezinho, pela fala de Saint-Exupéry, afirma que “só se vê bem com o coração”, Dona Zélia afirmou e provou que só o amor mesmo é capaz de unir, de nos dar forças e de nos fazer ver!
* Dona Zélia Scholz pode ser encontrada todos os domingos (“menos os que chovem” diz ela!) na feirinha do Largo da Ordem! Vale a pena bater um dedinho de prosa com essa criaturinha meiga e abençoada, que adora usar o tempo do tear, “quando a cabeça está vazia, para filosofar”!
1 comment 15 Março 2009
Da janela sem cortinas… da minha janela…
Hummm… saudade de casa, saudade da minha aldeia… vontade de ficar mais poquetinho nesse lar colorido e em paz!

Da minha janela …
Add comment 10 Março 2009
Bob Wolfenson POR Danielle Salmória
Como prometido (porém, com um atraso considerável!), minha entrevista com Bob Wolfenson, realizada há um ano e publicada na seção Simplesmente da primeira edição da revista Social Foto Clube, em 2007. Que este material seja útil a alguém ou que sirva como curiosidade sobre este que, quer queira quer não, é um dos maiores nomes da fotografia brasileira contemporânea! Segue….
Não pretendemos aqui uma entrevista tradicional, estilo perguntas e respostas. Sem blocos de perguntas pré-fixados, optamos por jogar algumas palavras ao nosso entrevistado com o intuito de conseguir um panorama o mais abrangente possível. Esse jogo de palavras são apenas referências. Os assuntos e as lembranças vão surgindo e formam um leque para que possamos conhecer um pouco melhor a vida desses grandes fotógrafos!
Arte: Difícil, não? Durante muitos anos, antes da década de 80 principalmente, a fotografia não era considerada arte por ser vista como uma representação muito literal da realidade. Eu acho que arte é transformação, é interpretação, é um viés. Era mais uma idéia errada sobre fotografia do que propriamente um problema intrínseco da fotografia. Então, como esse conceito era muito forte, as pessoas não viam a subjetividade que havia ali, em cada fotografia. Isso num senso comum… Os críticos já percebiam esse outro lado.
Há muitos fotógrafos que não se consideram artistas e afirmam isso, fazem disso um statement. Helmut Newton, que foi um grande fotógrafo alemão radicado na França, dizia que as duas piores palavras para a fotografia eram arte e bom gosto. Na verdade ele era exibido em museus e era colecionado, mas ele próprio não se considerava artista. E ele era um “baita” artista. Essa era uma das provocações dele. Ele era um provocador. Quando você tem a etiqueta de arte, quando está num museu, por exemplo, aquilo por si só já é considerado arte. Então ele gostava de desafiar.
Lugar: Lugar não importa nem pra fotografar, nem pra existir, nem pra estar, nem pra ser. O que importa é o teu “em torno”, o que é você neste lugar, o que as pessoas fazem, a emoção que elas sentem… Não acho que sejam feitas fotos melhores em Paris do que em São Paulo, ou no Nordeste do que nos Estados Unidos. Tudo é subjetividade fundida com a realidade, com o contexto.
Caixa: É um bom cenário. Eu encaixoto muito as pessoas.
Antifachada: É uma visão muito pessoal de paisagens que ficaram impregnadas na minha cabeça desde a infância. Foi um nome que eu escolhi pra designar um jeito muito particular e singular de olhar. Antifachada é contra a fachada, é uma oposição à fachada. E eu achei que designava bem o que era aquele trabalho.
Eu faço análise, psicanálise. Foi minha psicanalista quem falou isso pela primeira vez. O termo me ajudou a desenvolver o trabalho porque aí eu comecei a enxergar também a partir dessa idéia de antifachada, disso não ser uma coisa muito real. Apesar de ser um trabalho aparentemente bastante realista, não é: ele é todo cortado, não tem céu, não tem chão, a luz é artificial, meio rarefeita. Eu arrumei aquilo pra ficar a sensação de [ “ahhhhh”, Bob faz-se de sufocado ] você não conseguir respirar.
Moda: Vou parafrasear o fotógrafo Irving Penn. “Toda fotografia de moda é um retrato assim como um retrato é uma fotografia de moda”. Eu não entendo de moda fora do meu contexto, não acompanho, não sou um seguidor. Acho que a moda se realiza no trabalho fotográfico, a moda se comunica no trabalho fotográfico. O final dela vai ser a revista. Então, nessa parte final é que eu entro. Eu não acompanho desde os materiais, os tecidos, as tendências, do que é isso do que é aquilo, não me interesso por isso. Me interessa a moda como possibilidade de imagem, de estar representado dentro de uma imagem.
Atitude: Acho que é um fotógrafo tentar ao máximo fotografar com sua própria personalidade. Ter atitude é assim: é você ser aquilo que você é. Lógico que eu digo isso do alto do meu pedestal, mas eu não cheguei até aqui, você não estaria me entrevistando agora se eu não tivesse isso como um norte: atitude, ética, responsabilidade pelo trabalho, seriedade… e usar isso numa forma não puramente comercial, não colocar o dinheiro na frente das coisas o tempo todo… às vezes é necessário, mas…
Talento: Talento é uma coisa que a pessoa tem mas que também pode ser desenvolvido. Às vezes alguém sem talento desenvolve um talento. Não é uma sentença. Agora… os sem-talento que me perdoem, mas talento é fundamental… pra muita coisa!
Margem: Gosto de estar… Quer dizer, se eu falar que estou à margem é uma aberração, porque mais inserido impossível. Mas eu gosto da idéia de estar perto da margem. Eu gosto da idéia de estar além ou um pouquinho aquém. Apesar que a idéia não significa a realidade. Eu aprecio, gosto, admiro, procuro, busco, vejo… Eu observo isso, essas pessoas que estão na…….
Vulgar: Não sou contra a vulgaridade, não. Eu acho que a vulgaridade às vezes é um valor. Depende muito, né? Todos os momentos de vanguarda que existiram, o próprio Tropicalismo no Brasil mais as vanguardas européias afirmavam, assim como Helmut Newton, que quando você vai contra essa idéia de bom gosto, de bom mocismo, você resbala na vulgaridade. Você tem que afirmar uma certa vulgaridade. Essa é uma vulgaridade. Agora a vulgaridade vulgar, a vulgaridade de consumir, da coisa barata pra vender, pra explorar as pessoas, dessa eu sou completamente contra. Mas a vulgaridade de atitude eu acho muito boa.
Emoção: Vou falar de uma coisa mais conceitual. Eu me emociono muito. A vida sem emoção não é vida. Tudo é emoção. A emoção de estar falando aqui é alguma emoção. O trabalho, o que está ocorrendo quando você está fotografando, o momento em que a pessoa está sendo fotografada… em tudo isso rola uma emoção cada vez diferente. Por mais que eu tenha muitas constantes em meu trabalho, pra evitar muitas emoções (tem o estúdio, tem a luz, tem os meus assistentes… tem o sistema. O sistema é anti-emoção. É uma garantia racional de que suas idéias vão se concretizar.), elas sempre estão no meio: a outra pessoa, as circunstâncias do lugar, a energia que está emanando dali e que provavelmente muda muito desse curso previsto anteriormente. Em 100% dos casos muda o curso. Você nunca consegue realizar uma idéia como havia pensado lá.
Livro: Pensando nos pilares da minha influência, os livros seminais pra mim vão desde literatura brasileira (Machado de Assis, óbvio) passando por Philliph Roth, Isaac Singer… Acabei de ler O Jogador, de Dostoievski e o da Fernanda Young, Vergonha dos Pés.
Filme: Filmes têm muitos. Terra em Transe, do Glauber, eu acho genial. Tarantino eu acho bom. Scorsese. Godard, “Une Femme est une Femme”, “Acossado”… dois filmes geniais. La Guerre est Fini…
[ INTERROMPIDOS PARA UMA FOTO PRA VOGUE .. chique eu, não?! “Só não me pega de boca aberta”, diz Bob! ]
Sonho: [ Toda a imprensa de cobertura do São Paulo Fashion Week almoçando também no Restaurante do MAM. Estar numa mesa junto com o Bob em pleno SPFW significa várias pausas na entrevista. Depois de sermos interrompidos pela Lilian Pacce, consultora de moda do GNT, me perdi na entrevista e esqueci de voltar à palavra SONHO! Não é desta vez que descobriremos “os sonhos” de Bob...]
[ INTERROMPIDOS MAIS UMA VEZ... AGORA O DIRETOR DO MAM ]
55 x S/Nº? A 55 era um projeto muito utópico. Utópico demais. Sempre tive vontade de fazer uma revista, principalmente quando me sentia muito mal representado nas revistas vigentes. Eu sentia que não só eu, mas que todo mundo era sub-aproveitado. Então, surgiu a oportunidade de fazer uma revista e as coisas foram ganhando uma dimensão. Pessoas foram se agregando, a gente acabou formando um grupo de quatro pessoas pra fazer a 55. E a gente tinha patrocínio, tinha um dinheiro, tinha anúncio. Aí fizemos a maluquice daqueles dois números que ficaram como marco, uma revista que ninguém esquece. Eu acho que o conteúdo ainda era fraco, mas a forma era genial. A S/Nº tem muito mais conteúdo que a 55, mas a 55 tinha uma forma melhor do que a S/Nº, até porque o conceito era esse: uma revista anárquica, totalmente experimental. A S/Nº já é muito mais dentro do clássico, dos parâmetros que deve ser uma revista. A 55 não era uma revista, era um objeto. O Millôr escreveu sobre a 55 número 1, a capa verde, dizendo que era uma revista belíssima… até a primeira briga! E foi premonitório!
P&B x Colorido? Eu já fui P&B, hoje sou cor. Antigamente eu tinha uma dificuldade técnica em resolver a cor. Me incomodava a coisa muito realista que a cor dava, era muito retrato da realidade. E pra criar uma magia, uma coisa que interessasse as pessoas e que me interessasse, era difícil. Eu achava complicado. Mas hoje em dia não acho. Até gosto da coisa bem realista da cor.
EXCERTOS
Uma idéia que defendo bastante é a de você ser fotógrafo “pobre”, “fazedor de imagens”, geral. E fotografia de moda é uma das coisas que eu faço, mas eu gosto da estrutura um pouco de discos. Caetano é um bom exemplo pra mim, porque ele canta uma música em inglês, ele canta um samba, ele canta uma balada… eu gosto dessa estrutura, entendeu? Se eu fizer um livro quero que ele tenha esse caráter. Não gosto muito de esgotar um tema. Já fiz livros temáticos. Daqui pra frente não os farei. Eu quero poder ser fragmento.
Quando alguém pode se considerar fotógrafo? Quando usa a fotografia como forma de expressão. É muito difícil essa questão da relação com o público. Quando se estabelece uma relação entre o que você deseja e o que o outro está vendo. Tem que ter qualidade pra você passar a mensagem. Um painel todo borrado… você pode fazer isso depois. Picasso pintava maravilhosamente, sabia todas as técnicas da pintura e depois desconstruiu o processo dele… tem muita gente que já começa borrando, dizem “nossa, que sacada”, sei lá o quê… Tem um senso comum da “sacada” também, da coisa fácil, surrealismo barato de esquina. Isso tem de graça por aí…
Vou parafrasear David Bailey, “não há tantas fotos ruins quanto as fotos ruins de moda”. Isso me irrita muito. Porque foto ruim de reportagem é uma coisa, o cara não é um pretensioso. Já o fotógrafo de moda é pretensioso, sempre é. E tem que ser mesmo. E quando a pretensão é pífia… isso me irrita.
Eu gosto quando estabeleço uma relação com aquilo, quando a fotografia me emociona, me toca, me transporta, me faz viajar, me move do lugar, me deixa perplexo, mexe comigo. Tem muita coisa que me emociona e muito. Muitos livros, muitos fotógrafos, muitas exposições.
2 comments 13 Setembro 2008
Boca silenciosa…
Add comment 27 Agosto 2008
E se a alma perguntar: quão mais longe?
Deves responder: do outro lado do rio,
Não este, o outro, logo adiante.
Alejandra Pizarnik
Add comment 11 Agosto 2008
Hora do Almoço…
Tangerina Ponkan meia-estação: bastante popular, apresenta frutos grandes, fáceis de descascar, com gomos que também se separam facilmente. Tem paladar bastante agradável.
Add comment 4 Julho 2008
Pra quem não gosta de Caetano
Ou odeia-se ou ama-se. Com Caetano Veloso não tem meio termo. E eu estava entre os partidários do primeiro time! Estava. Depois de assistir ao show Un Caballero de Fina Estampa tive de me render ao grupo dos que o veneram! O dvd não é nenhuma novidade, foi gravado em 1995 num show no Metropolitan, no Rio de Janeiro, e lançado em 2001. Mesmo assim, vale a pena indicar!
Caetano está incrível e o repertório divino, mesclando músicas cantadas em espanhol com canções brasileiras, inclusive releituras de Orlando Silva, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Fazem parte Lábios Que Beijei, Canção de Amor, O Samba e o Tango, Haiti, Vuelvo Al Sur, La Barca, além das clássicas e maravilhosas Chega De Saudade, O Leãozinho, Itapuã e um arrombo de palco com Soy Loco Por Ti, América!
Há quem diga que se existe uma regra na carreira de Caetano Veloso é a de não ter regra alguma. Talvez seja por isso, uma espécie de provocação adolescente, que ele faz exatamente o oposto do que esperam dele. O disco Fina Estampa, de 1994, inspirador do show do dvd, é um exemplo: antes mesmo de ser lançado, foi previsto pela crítica como um fiasco de vendas e de público. De tanto sucesso, rendeu, além do dvd, um cd ao vivo!
Filmado em película de cinema e gravado em som digital, Un Caballero de Fina Estampa é um bem-composto de música, poesia, pintura, excelente direção e fotografia e todo tipo de arte ao qual levar a sensibilidade do público. Pra começar, logo na capa, um fragmento de um mural pintado pelo artista mexicano Diego Rivera. Cultura completa!
Este e outros textos meus comporão o Jornal El Domingez, distribuído no Café Domingez, nova casa da boa música e da boa comida, recheadas de cultura, que abrirá em breve no Largo da Ordem (Dr, Muricy, 1111)!
Add comment 11 Junho 2008
Santa Tina: nem virgem, nem mártir
Uma vida rodeada de mistérios. Como diz o escritor Paco Ignácio Taibo II, a italiana Tina Modotti (1896-1942) “viveu todas as histórias que fizeram História“. Foi estrela em Hollywood nos anos 20; foi amante e aluna do fotógrafo Edward Weston, o mesmo que a retratou na década de 20 e cuja fotografia foi comprada quatro décadas mais tarde pela cantora Madonna, que desembolsou a maior quantia já paga a uma fotografia até então; presenciou o assassinato de Julio Antonio Mella e sofreu o escândalo de ser acusada de sua morte; estava por perto quando do assassinato de Leon Trotsky; foi imortalizada nos famosos murais de Diego Rivera; influenciou Frida Kahlo; foi amiga de grandes nomes como Alexandra Kollontai, Maiakovski, Sandino, Sergei Einsenstein, Manuel Álvarez Bravo, Olga Benário e Luis Carlos Prestes; lutou na Guerra Civil Espanhola e serviu como espiã soviética na Berlim nazista; vivenciou o México pós-revolucionário; foi acusada de terrorismo, presa e expulsa do México; apoiou famílias de perseguidos trabalhando no Socorro Vermelho Internacional; teve muitos amantes e desiludiu muitos apaixonados; o epitáfio de seu túmulo foi escrito por, nada mais nada menos, Pablo Neruda. Sua própria morte, por infarto a bordo de um táxi em 1942, é polêmica.
Sua principal câmera, uma Graflex, foi comprada com a venda do exemplar de Ulysses (na Califórnia o livro era proibido e rendeu uma boa quantia) e da velha e pesada câmera Korona. Ao lado de Weston, explorou o sincretismo religioso na cultura mexicana. Ao final deste trabalho, ele estava orgulhoso de sua discípula. Ele dizia que era impossível afirmar quais imagens eram dele e quais eram de Tina. Na passagem por Moscou, Tina desiste da fotografia e se desfaz de sua câmera.
Nos idos de 1927, seu apartamento tornou-se um verdadeiro “salão da esquerda artística internacional”, praticamente a sede do partido. Após aliar-se ao partido comunista, a fotógrafa deixou de lado as cores para adotar um estilo mais reservado. Passou a vestir-se em tons de ocre e cinza e prendeu os cabelos negros e brilhantes em um discreto coque. Estilo discreto assim como deveria ser sua própria vida dali em diante, alternada entre realidade obscura e disfarces políticos. Suas fotografias também sofreram mudanças. O México recebeu outra leitura de Tina, a miséria daquele povo deixou de ser uma mera paisagem.
Leia mais…
Los fuegos, las sombras, el silencio… Pino Cacucci.
Modotti: uma mulher do século XX. Ángel de la Calle.
Tina Modotti, a fragile life. Mildred Constantine.
Tina Modotti, between art and revolution. Letizia Argenteri.
Tina Modotti, photographs. Sarah Lowe.
Tinísima. Elena Poniatowska.
* Moby Dick (segundo Tina, o melhor livro que leu com Edward Weston, assim como Ulisses, de James Joyce e os poemas de Ezra Pound).
Add comment 8 Maio 2008
Momento Flaneur [com o celular]

Que bonito ver o entardecer
Que bonito ver o sol se pôr
De Salvador
Dali
de Salvador
De lá de lá de cima do mar
De cima do mar
[ Dali de Salvador, Antônio Pedro/Evandro Mesquita, por Blitz ]
1 comment 9 Abril 2008
Minha Guaratuba…

[Postada originalmente em 16.01.2007, às 14:22, no blog-se.]
Add comment 3 Abril 2008
Ano-novo, blog novo!

Pronto! Abertos os caminhos para 2007!
Depois de longa jornada sem botar pra fora minhas idéias [ um tanto nonsense! ], cá estou com um blog novinho em folha! Não dava mais para continuar com o Village [www.village.blog-se.com.br]. Foram muitas as mudanças e o Village é de um tempo que já ficou lá atrás. Da Minha Aldeia surge sem compromissos, apenas da vontade de desenferrujar os dedos, as teclas e os miolos e pôr tudo pra funcionar!
Não sei o que pode sair dessa minha engenhoca, apenas sei que quero escrever, escrever e escrever! DESENFERRUJAR MESMO!!! E dar muita risada! E fotografar, SEMPRE! À labuta!
[Postado originalmente em 09.01.2007, às 02:42, no blog-se.]
Add comment 3 Abril 2008




















