Posts filed under 'filhos'

Lição de vida crucial

A árvore dos problemas

Certo fazendeiro resolve contratar um carpinteiro para uma série de reparos em sua propriedade. O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil. O pneu de seu carro furou, fazendo com que ele deixasse de ganhar uma hora de trabalho. Sua serra elétrica quebrou, e aí ele cortou o dedo. Como se não bastasse, no final do dia, seu carro não funcionou. Assim, o fazendeiro resolve oferecer carona para casa.

Percorrida a viagem, o carpinteiro convidou-o a entrar e conhecer sua família. Quando os dois se dirigiam à porta da casa, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou as pontas dos galhos com as duas mãos. Ao abrir a porta de casa, o carpinteiro já parecia outro: os traços tensos do seu rosto transformaram-se em um grande sorriso. Ele abraçou os filhos e beijou a esposa. Após uma alegre refeição, o fazendeiro agradeceu e despediu-se de todos.

O carpinteiro acompanhou seu convidado até o carro. Assim que passaram pela árvore, o fazendeiro questionou seu anfitrião sobre o motivo pelo qual ele tocara na planta antes de entrar em casa. – Ah! Esta é a minha planta dos problemas. Eu sei que não posso evitar todos os problemas no meu trabalho, mas eles não devem chegar até os meus filhos e minha esposa.

Então, toda noite, eu deixo meus problemas nesta árvore quando chego em casa, e só os pego de volta no dia seguinte. E o senhor quer saber de uma coisa? Toda manhã, quando volto para buscar meus problemas, eles não são nem metade daquilo que eu lembro de ter deixado na noite anterior.

* Fonte: Gazeta do Povo, 31/10/2009 às 12:16

Add comment 1 Novembro 2009

A grandeza de minha mãe

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Add comment 29 Outubro 2009

Cabecinhas pensantes!

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— Mamãe, quando a gente for astronauta… a gente pode ir pra Lua?
— Claro, filho!
— Então temos que construir um foguete de madeira, lá no quintal da casa da vovó!

3 comments 31 Agosto 2009

NEY???

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É! Ney Matogrosso, sim, senhor!

Hoje me dei conta de que, realmente, com o passar dos anos, vamos ficando cada vez mais e mais parecidos com os nossos pais. Talvez isso seja inevitável, quem sabe… Fato é que [ai que raiva dessa expressão, ando usando muito... coisa mais jacu!!!], esta semana, me peguei “apreciando” a voz de Ney Matogrosso (realmente linda, única…). Ai ai ai… e como zoei da coitada de minha mãe aquela vez em que ela foi no show do dito cujo, no Guaíra! Ê lê lê!
Coisa boa os termos como referência… esses dois seres de outro mundo chamados PAI e MÃE! Só podem ser de outro mundo, porque não vejo a menor possibilidade física de um corpo humano abrigar um coração tão imenso como o deles. Ultrapassa, porque não tem limites. Como sei disso? Porque também sou mãe. Antes não sabia.
Como dizia uma propaganda de tevê, “quando nasce uma criança, nasce também uma mãe”. Traduzindo: nasce um ser capaz de AMAR. Detalhe: INCONDICIONALMENTE. O maior amor do mundo é este amor…
Hummm… voltando ao Ney… acho que gosto de perceber que estou ficando parecida com meus dois anjos (ou et´s?). Gosto de perceber a genética mostrando sua força… a herança do caráter dos dois refletida em minhas atitudes… o amor que recebo extrapolado ao que dôo a meu filho!

Uma singela e meiga [!] homenagem, atrasada, ao Dia das Mães, e adiantada, ao Dia dos Pais!

Add comment 14 Maio 2009

… e foram felizes para sempre!

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A histórinha de ontem à noite era sobre Luciana e suas brincadeiras na pracinha!
Ela encontrava os amigos e ia interagindo de maneiras diferentes com cada um deles!
Luciana correu,
pulou corda,
virou estrelinha,
deu cambalhota, 
pulou amarelinha,
cantou na roda,
fez carinho no gato,
ficou amiga do pato,
se embalou na balança,
fez castelos de areia,
deu duas lambidas no sorvete, 
deu tchau pro homem da perna de pau,
se enfeitou com uma flor no cabelo,
seguiu uma borboleta,
fez novos amigos.

Pensam que assim terminou a história?!
[...]
Momõe…. “e eles foram felizes para sempre”!

[...]
Fui dormir, então, pensando na tal felicidade! Esse meu filho…. !!!

* Leitura antes do Fê nanar: Luciana na Pracinha, de Fernanda Lopes de Almeida e Agostinho Gisé. São Paulo: Ática, 1994.

1 comment 16 Abril 2009

Aos que criam pequenos reizinhos!

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É preciso deixar reinar a criança da casa, para que assim, poderosa, soberana, ela desperte a nossa própria criança, talvez há tempos guardada a sete chaves. É preciso ver as crianças como seres especiais que muito têm a nos ensinar. Um olhar, um sorriso… dizem mais que palavras de um catedrático. É sabedoria natural, da essência da alma, carregada de memórias ancestrais. É preciso buscarmos, dia após dia, o “Diploma de Pais”, a “Medalha de Melhores Alunos”, na árdua tarefa de educarmos com amor! É preciso, dia após dia, lutarmos contra a impaciência. Só assim, de coração e mente abertos, livres das amarras do relógio, das vontades e dos impulsos, é que conseguiremos enxergar nossos pequenos com os olhos do coração! Eles são transparentes. São sinceros, mesmo que nas entrelinhas! Basta um pouco de atenção, de olhar atento, de ouvido apurado, para fazermos uma auto-avaliação como pais, educadores, companheiros e exemplos. Eles nos dizem que tipo de pais estamos sendo. E para sermos bons, não precisamos da ajuda de mestres-gurus da “arte de criar e ensinar”. Muito menos devemos ser “super-heróis”. Precisamos fazer o que há de mais fácil: ESTARMOS POR INTEIRO, DE CORPO E ALMA, AO LADO DE NOSSOS FILHOS! E SÓ! 

3 comments 13 Abril 2009

Caleidoscopiando!

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Você sabia [estilo Guia dos Curiosos!] que para que uma pessoa pudesse ver todos os desenhos formados por um caleidoscópio feito com 20 pedaços de vidro, algo que gera dez novos desenhos por minuto, levaria 500 bilhões de anos? Não sei quem fez esse cálculo [coisas da internet!] muito menos como chegaram a essa conclusão [matemática nunca foi o meu forte!], fato é que o caleidoscópio, esse brinquedinho inglês com mais de 200 anos, pode nos ensinar um bocado!

O que me fez pensar num caleidoscópio hoje foi a bagunça que se instalou em minha casa, em questão de minutos! Almofadas e travesseiros jogados no meio da sala. Farelo de bolacha no sofá. Vum-vuns e mais vum-vuns pelo corredor. Papel, caneta, lápis espalhados. Filmes, livros, gibis embaralhados. Até que…. no chão recém limpo…  de repente… terra! Meu vaso de Melissa virado no chão. Por uns segundos paro, estagnada, digerindo. Não tiro meus olhos dos seus olhos. Meus lábios começam a se mordiscar. Jááá pro quarto e não quero ouvir neeem mais uuum pio seu! Rs… [ Essa do pio é herança da pré-escola. Tive uma professora que adorava acabar com a farra dos passarinhos! ]
Não lembro se alguma vez avisei ao pequeno que não deveria ficar pulando de um sofá para o outro nem fazer de cavalinho o braço do sofá, para evitar que se machucasse e derrubasse minhas plantas. Talvez tenha avisado, sim… São tantas coisas a dizer, tantos cuidados, tantos “olha isso-olha aquilo”…
Enquanto chora e esperneia no quarto, aproveito para jantar num relativo sossego [casa com criança não se pode dar ao luxo do silêncio]. A ausência de alguém pulando, dançando, girando, perguntando, perguntando, perguntando, gritando, cantando, jogando, batuc, batucan, batucando, falando, falando, falando… é momento raro, portanto, bem valorizado!
Depois de jantar ao som de resmungos e soluços, parto pra “conversa elucidativa”. Meu filho, pare de chorar e me diga o que você fez de errado? Você viu o que aconteceu com a florzinha? A mamãe já tinha te avisado sobre isso… [já?]
Moomõõe, q-qu-quero v-vo-voltar p-pra s-sa-sala…. Tá, Felipe, vai. Mas o que vc aprendeu com isso tudo? N-não vou m-mais f-fa-fazer i-is-isso… Ok…. vai.
Dormiu no sofá, me olhando com aqueles zóinhos de cachorrinho pidão, implorando por um sorriso que o fizesse dar aquelas suas gargalhadas deliciosas. E sorri. Rs… Te amo, momõe…. Te amo, meu anjo!

E fiquei a pensar o que ele pensou na hora de pensar sobre o que tinha feito de “errado”. Que ângulo suas ideiazinhas formaram dentro do caleidoscópio de sua mente? Qual o desenho que seu raciocínio de três anos formou? Foi o mesmo desenho que vi no meu caleidoscópio? Certo que não… isso exigiria alguns bilhões de anos…
Por isso é bom espreitarmos o mundo pelo buraco do caleidoscópio! Eficiente exercício de compreensão.
A terra ainda está ali…. vou limpar agora.

Add comment 7 Abril 2009

doces

Add comment 2 Abril 2009

Uma Zélia de Amor

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Tecelagem primitiva em lã de carneiro. Pela delica destreza das mãos e pela força melódica dos pés de Dona Zélia Scholz, o novelo de lã vai se formando. E dele, os xales, os tapetes, os acolchoados e a singeleza de uma sabedoria acumulada por anos e anos nos “tempos pra filosofar” ao comando do tear.

O jovem se aproxima e acha tudo “irado”. Quer pegar, quer conversar, quer saber como funciona. A criança, acanhada, observa de longe e se escusa do convite de Dona Zélia de sentir a intensidade da força que sua mão aplica na lã para formar o fio. Pela recusa do garoto (por desinteresse ou timidez), ela inicia um breve discurso sobre – concluí depois – o amor. Usa a lã de carneiro como metáfora da família e de todas as nossas relações. “Sem união”, diz ela, “é impossível formar o fio”. Neste caso, não somente a união faz a força, mas a força faz a união. A união das micropartículas de lã possibilita a existência de um fio forte e rijo. Por outro lado, é preciso que Dona Zélia aplique determinada força para que se consiga criar e manter essa união.

É assim no nosso dia-a-dia. Somos seres dependentes de uniões. Sem elas não construímos nada, nem externo nem interno a nós. E, para superar todas as agruras da vida, sem dúvida, precisamos de “determinada” força para nos mantermos unidos. É um caminho de mão dupla. Foi isso que, em outras palavras, Dona Zélia nos ensinou hoje.

Por fim, agradeço suas palavras e sua atenção e a parabenizo pelo trabalho. Mas, como se não bastasse sua própria presença entre nós e o seu dispôr em nos proporcionar aquele momento de  bênção, ela se despede nos agradecendo por “vê-la”. Com aquele sorriso de senhorinha meiga, nos conta que muitos passam, alguns a enxergam e poucos a vêem. Que pena dos desapercebidos…

Por isso minha conclusão de que o discurso de Dona Zélia foi, simplesmente, sobre o amor. Porque, como o igualmente sábio principezinho, pela fala de Saint-Exupéry, afirma que “só se vê bem com o coração”, Dona Zélia afirmou e provou que só o amor mesmo é capaz de unir, de nos dar forças e de nos fazer ver!

 

* Dona Zélia Scholz pode ser encontrada todos os domingos (“menos os que chovem” diz ela!) na feirinha do Largo da Ordem! Vale a pena bater um dedinho de prosa com essa criaturinha meiga e abençoada, que adora usar o tempo do tear, “quando a cabeça está vazia, para filosofar”!

1 comment 15 Março 2009

Rotinas. E não é um papo-de-doido…

Mãe véio! Mãe veia. Mão. Mãe véia.
Um varal de vicissitudes.
Vasto, vago.
E venta, ainda.
Como veleja por virassóis.
(…)
Mãe, escrevê, mãe. Mãe, escrevê tuudo, mãe. Mãe, escrevê maais. Mãe véio!
Mooõe, não dêza mais, mõe! Qué bincá!

DC e Fê, ontem, ao acordar!

Add comment 10 Julho 2008

Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)

1 comment 13 Junho 2008

Para mim, para minha mãe, para a mãe de minha mãe, para a mãe da mãe de…

Hoje (05 de maio) é aniversário de meu filho, Felipe. Dois aninhos! Em minha oração antes de dormir, ontem, peguei o livro “Uma Idéia Toda Azul” e o abri aleatoriamente, mentalizando que o conto em que eu abrisse seria uma homenagem minha a ele, algo que lhe enviasse boas energias! O escolhido por minhas mãos foi “Um Espinho de Marfim”.
 
Durante a caçada do rei, comecei a entender o recado. Eu, a princesa. Meu menino, o unicórnio. A vida, o rei. “Que animal era aquele de olhos tão mansos retido pela artimanha de suas tranças?” 
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Logo despertou minha atenção a prisão do unicórnio com a rede de ouro feita dos próprios cabelos da mãe, ops, da princesa. Uma prisão bonita, mas ainda uma prisão. O amor, quando muito muito cheio de cuidados e proteção, quando dono, também aprisiona. 

Quanto demorou a princesa para conhecer o unicórnio?
Quantos dias foram precisos para amá-lo?
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Como jamais conhecer o menino?
(Lispector, 1981, p. 142)

Do contrário da narradora da felicidade clandestina de Clarice, a princesa de Marina não precisou esperar o tempo de o unicórnio se deteriorar para conhecê-lo. Não precisou se afastar do animal. Ela se aproximou, olhou bem em seus olhos e o conhecimento – ou reconhecimento – veio de imediato. Com ele, o amor.
 
Em Marina, bastou o olhar. E o olhar com o coração. O unicórnio, livremente, fez-se entender pelo olhar, unicamente. Em Clarice, o olhar era inútil. O menino, em sacrifício próprio… “com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o compreenderá, senão ninguém irá para o seu silêncio ninguém o conhece se ele não disser e contar”
(Lispector, 1981, p. 139)
 
O sacrifício presente nas três obras: na minha, na de Marina e na de Clarice. O sacrifício de três mães em nome de seus filhos, cumprindo a missão que o coração as impõe: amá-los acima de tudo, acima de si mesmas. Três mães em vida, em prosa e em poesia. Uma não menos mágica que a outra.
 

Leia:
COLASANTI, Marina. Um Espinho de Marfim, em Uma Idéia Toda Azul. São Paulo: Global, 2006.
LISPECTOR, Clarice. Menino a Bico de Pena, em Felicidade Clandestina. 1981. 

1 comment 6 Maio 2008

Para Felipe. Ponto.

Bola de Meia, Bola de Gude


Há um menino, há um moleque
Morando sempre em meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade,
palavra, respeito, caráter, bondade
Alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente
insiste em viver
E não posso aceitar
sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão…

 

 Milton Nascimento e Fernando Brant

Add comment 6 Maio 2008


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