Posts filed under 'diário'

a FOFOCA, agora, liberada!

Maravilha! Que alívio poder assumir com todas as letras SOU FOFOQUEIRA! Que delícia poder gritar as quatros cantos AMO UMA FOFOCA! Verdade!!! A mais pura verdade, do mais fundo do meu íntimo! A-DO-RO aquela conversinha cheia de segundas, terceiras e quartas intenções ao lado da pia da cozinha! Humm… e aquelas cheias de moral no meio do cafezinho do meio da tarde?! Hummm… Melhor que essas, só aquelas beeem apimentadas de mesa de boteco… ahh, aquelas sim!

Mas antes que eu esqueça, deixa eu te contar a última da vizinha do quinto andar: disse que descobriu uma fofoca pra lá de maldosa rodando por aí! E me contou, acredita?! Já sabe qual é? Quer que eu conte? Ai, mas jure que não vai comentar com ninguém! Andam falando que ela…. ééé… bem isso…. que ela ó… lá pra’quelas bandas… ééé…. meniiina, hoje em dia tá uma loucura mesmo… a gente não sabe mais por quem pôr a mão na fogo… Deeeeus me livre!

Bah, mas deixa eu te contar mais essa: sabe aquele escritor, liiindo, dos olhos azuis, que descreve a alma feminina como nenhuuuma mulher seria capaz? Qual o nome dele mesmo? Lembra? Esqueci… Então, aqueeele! Confessou em praça pública (aliás, que praça, hein?!) que o pai era um fofoqueiro de marca maior! Acredita? Não, é? Pois sim!

Maravilha, não? Que bênção daquela criatura ter nascido numa família assim, movida à fofoca! Família como a minha: sempre com uma fofoquinha (= histórinha maliciosa não-maldosa) que não faz - e  nem pretende fazer! – mal à ninguém!!! Uma família na qual, simplesmente e com a maior bondade do mundo, de geração a geração, CONTA-SE HISTÓRIAS! Amém!   ; ] 

* A liberdade veio da boca do Chico! Ele mesmo! O Buarque! Em Mesa literária HOJE na Flip, na linda e apaixonante Parati! “Papai gostava de contar muitas histórias e gostava muito de fofoca. [...] Reunia os amigos e contava coisas escabrosas”, confessou. Então, me identifiquei instantaneamente! Também descendo de uma família onde a CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS, nossas ou dos outros, é uma constante! Rs… E talvez, ou provavelmente, ou certamente, seja essa uma de minhas grandes inspirações para fazer nascer de dentro de minha caixola as minhas próprias histórias! E essa conversa toda, essa ladainha, esse falatório que não tem fim, sem dúvida, é uma bênção!
** A joaninha apareceu de novo! Ela sempre aparece quando surge na tela a palavra “Parati”! Mágico, como tudo o é!

1 comment 3 Julho 2009

Da lavanderia… A ALMA!

Fones de ouvido e o radinho FM.
Soool lindo, céu azul, alma verde e rosa e vermelha, descendo a ladeira,
e o quá-quá-rá-quá-quá quem riu quá-quá-rá-quá-quá fui eu
abriu a boca e mostrou os dentes.

Na calçada, chegou Elizeth. Voz torta já, a mulher. 
Perna lá outra cááááá ooolha a rua, sua doida!
Vivendo, a mulher. Sei lá, o limãozinho vai bem, também.
Mas fico com água!
Vivendo, a mulher.

Na outra esquina, a voz de vento Cáétãno, vinagre balsâmico.

Sem avisar, a carioca estoura a avenida no maior show da Terra.
E aí, me irmão, não tem voz que fique enclausurada, não tem mão que não batuque o pandeiro da coxa, não tem pé que não arrisque uns passinhos na calçada quebrada… nããão, não, ninguém ali mais feliz mesmo…
nem o que viu os braços abertos equilibristas de pés no meio-fio, nem o que ganhou do vento a música da voz desafinada da guria verde e vermelha e amarela, nem o que espiou da janela o sorriso e as cores dela…

Que beleza! Quanta beleza vinda de um só bloco… de um monobloco!

E dá os 4km. Chão. Alma. Vento. Cheiro de sabão. Calçada lavada.

No portão de casa, um aviso: atenção, menina, ao dobrar uma esquina!
Atenção! Atenção! Atenção para o refrão!
Que cheiro de sabão!

1 comment 15 Junho 2009

Anote o protocolo, por favor:

2009-14-55-67-98-23-03-42-76-84-89-34-56-76-34-23-54-90-89-74-76-56-45. Um momento, senhora. Só mais um momento, senhora. Só mais um momeeento. Só mais uuum momento. Sóóó mais um momento. Só maaais um momento. Obrigado por aguardar. Estaremos transferindo a sua ligação para o departamento de relações especiais. Nome completo e CPF, por favor. Obrigado por confirmar seus dados, senhora. Anote o número de protocolo de atendimento, por favor. 2009-12-25-34-65-78-18-65-25-90-85-34-02-21-45-98-70-52-83-88-43-89-14. Agora sim: no que posso lhe ajudar? Ah, sim, oferta de aparelho? Realmente, senhora, entendo que a senhora já ligou onze vezes, que é o seu terceiro dia de tentativa, mas pedimos sua compreensão, porque nosso sistema realmente está muito lento, senhora. Só um momento, por favor, senhora. Obrigada por aguardar. Estarei dando entrada no meu sistema para lhe informar a lista de aparelhos em oferta no momento. Só um momento. Senhora. [...]
Obrigada por aguardar, senhora. Esse aparelho que a senhora informou, o F305768986324i, não está mais em oferta. Segunda-feira estava, hoje não está mais. Entendo, senhora, que a atendente possa ter lhe dito que a senhora poderia pensar na oferta e retornar mais tarde, e entendo também, senhora, que a senhora tentou retornar mais tarde porém que nosso sistema estava fora do ar ou estava lento demais. Entendo, senhora. Mas se a senhora tivesse conseguido falar conosco em 24 horas e definido a compra por este aparelho, daria tempo de adquirí-lo na oferta, ou seja, a custo zero. Agora, passadas 30 horas da oferta, ele tem custo de R$ 226,44. A senhora pode fazer em 12 parcelas de R$ 18,87. Tudo bem, senhora, peço que aguarde na linha novamente para que eu entre em contato com meu supervisor e verifique a possibilidade de extensão da oferta. Um momento, senhora. Só mais um momento, senhora. Só mais um momeeento. Só mais uuum momento. Sóóó mais um momento. Só maaais um momento. Obrigado por aguardar. Infelizmente, senhora, meu supervisor não autorizou a liberação da oferta. Em que mais posso lhe ser útil? A MIT agradece e lhe deseja um bom-dia. Anote o número do protoc… [01:09:43 depois!]

[...]

Início de Dia de Cão, seguido por crise de choro, conversas tensas, emoções em curto circuito e carro batido no final do dia. Ê lê lê! O bom é que amanhã passa!

Add comment 27 Maio 2009

As quatro estações, lá fora, aqui dentro

INVERNO. 10h30. Vontade alguma de sair da cama. Cabeça e todo o resto – corpo, ânimo, ideias, esperanças e emoções – enfurnadas debaixo das cobertas. Espio pela cortina, o cinza não me anima. Fecho os olhos.

PRIMAVERA. Conversas despretensiosas na cozinha. Conversas mansas, daquelas que gosto, trazem um pouco mais de cor. Tempo muda lá fora. Abre-se o céu. ”As quatro estações em um dia”, é a fala de Maria, olhando pela janela, enquanto almoça, de lado na mesa, recostada na parede, pensativa…

Segundo ato. Entra na cozinha a mãe. Lança um olhar cúmplice acompanhado de um sorriso próprio de quem sabe mais do que deveria saber. O comentário acerta no alvo. Escolhidas a dedo [ou a esmo?], as palavras desvelam o motivo de meu recolhimento invernal naquela manhã. Então, um sorriso da alma e alcanço, enfim, a primavera.

VERÃO. Fim de dia. Energia vibrante, pulsante, viva, do entardecer. Um grupo de pessoas reúne-se, com objetivos semelhantes. Sorrisos amigos. Olhares ternos. Abraços especiais, toques de troca.

OUTONO. A volta, o recolhimento. Força potencializada diante da certeza dos novos invernos que virão.

Eis o teatro da vida.

1 comment 27 Abril 2009

Caleidoscopiando!

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Você sabia [estilo Guia dos Curiosos!] que para que uma pessoa pudesse ver todos os desenhos formados por um caleidoscópio feito com 20 pedaços de vidro, algo que gera dez novos desenhos por minuto, levaria 500 bilhões de anos? Não sei quem fez esse cálculo [coisas da internet!] muito menos como chegaram a essa conclusão [matemática nunca foi o meu forte!], fato é que o caleidoscópio, esse brinquedinho inglês com mais de 200 anos, pode nos ensinar um bocado!

O que me fez pensar num caleidoscópio hoje foi a bagunça que se instalou em minha casa, em questão de minutos! Almofadas e travesseiros jogados no meio da sala. Farelo de bolacha no sofá. Vum-vuns e mais vum-vuns pelo corredor. Papel, caneta, lápis espalhados. Filmes, livros, gibis embaralhados. Até que…. no chão recém limpo…  de repente… terra! Meu vaso de Melissa virado no chão. Por uns segundos paro, estagnada, digerindo. Não tiro meus olhos dos seus olhos. Meus lábios começam a se mordiscar. Jááá pro quarto e não quero ouvir neeem mais uuum pio seu! Rs… [ Essa do pio é herança da pré-escola. Tive uma professora que adorava acabar com a farra dos passarinhos! ]
Não lembro se alguma vez avisei ao pequeno que não deveria ficar pulando de um sofá para o outro nem fazer de cavalinho o braço do sofá, para evitar que se machucasse e derrubasse minhas plantas. Talvez tenha avisado, sim… São tantas coisas a dizer, tantos cuidados, tantos “olha isso-olha aquilo”…
Enquanto chora e esperneia no quarto, aproveito para jantar num relativo sossego [casa com criança não se pode dar ao luxo do silêncio]. A ausência de alguém pulando, dançando, girando, perguntando, perguntando, perguntando, gritando, cantando, jogando, batuc, batucan, batucando, falando, falando, falando… é momento raro, portanto, bem valorizado!
Depois de jantar ao som de resmungos e soluços, parto pra “conversa elucidativa”. Meu filho, pare de chorar e me diga o que você fez de errado? Você viu o que aconteceu com a florzinha? A mamãe já tinha te avisado sobre isso… [já?]
Moomõõe, q-qu-quero v-vo-voltar p-pra s-sa-sala…. Tá, Felipe, vai. Mas o que vc aprendeu com isso tudo? N-não vou m-mais f-fa-fazer i-is-isso… Ok…. vai.
Dormiu no sofá, me olhando com aqueles zóinhos de cachorrinho pidão, implorando por um sorriso que o fizesse dar aquelas suas gargalhadas deliciosas. E sorri. Rs… Te amo, momõe…. Te amo, meu anjo!

E fiquei a pensar o que ele pensou na hora de pensar sobre o que tinha feito de “errado”. Que ângulo suas ideiazinhas formaram dentro do caleidoscópio de sua mente? Qual o desenho que seu raciocínio de três anos formou? Foi o mesmo desenho que vi no meu caleidoscópio? Certo que não… isso exigiria alguns bilhões de anos…
Por isso é bom espreitarmos o mundo pelo buraco do caleidoscópio! Eficiente exercício de compreensão.
A terra ainda está ali…. vou limpar agora.

Add comment 7 Abril 2009

Aberturas no Equinócio

— Pra Brasília, por favor!
[...]
Quarta visão. Câmeras são instrumentos do olhar, mas somente cumprem seu papel maior quando nossa visão do meio é ativada. As câmeras fotográficas, de alguma forma, nos estimulam a abrir cada vez mais esse “olho d´alma”. Nos estimulam a ver mais longe, mais perto, mais focado, mais fora de foco, mais colorido, mais preto-e-branco, mais macro,  mais micro…
[...]

[...]
Um imenso Morpho menelaus tenuilimbata, mais conhecido como borboleta-azul-praia-grande, da mesma família que borboleteou nossa infância pelos arredores do Santa Maria, nos recebe na Ilha do Mel. As boas-vindas no trapiche!
Essa borboleta é cultuada pela tradição indígena do Brasil como a “alma do índio morto” e voa somente nos meses de março e abril.
Tento fotografá-la mas… desapereceu pelo caminho como se fosse uma entidade mágica, uma fada ou, realmente, a alma de um índio morto. 
O dia começou, então, num azul brilhando!
[...]
Nossos pézinhos começam a nos guiar pela Ilha Mágica, sob o comando do coração. Uma parada para catar conchinhas na areia. Vício e delícia antiga. Peço licença e seleciono três jóias de Gaia. Também um pedaço de madeira ou osso que, observando agora, me lembra um garfo estilizado. Garfos alimentam. 
[...]
Placas. Fotos. Nuvens. Fotos. Siris. Fotos.
Plantas. Fotos. Ondas. Fotos. Nós. Fotos.
[...]
Banho de mar.
Crianças na arrebentação.
Crianças conversando a vida.
Crianças desfiando a vida.
Crianças brincando de correr, entre vaga-lumes…

[...]
Segue a caminhada. Farol e Fortaleza em relevo na parede de uma casa.
portal[...]
Vaga-lumes me iluminam (o dia todo a poesia prevalece e “Vagalumes”, música-presente, toma conta de mim).
E foi até estranho, a gente nem deu conta,
Talvez na outra ponta, alguém pudesse pensar:
Menino vaga-lume, flor, menino estrela, a brisa mais forte veio te buscar…

[...]
Forte de Nossa Senhora dos Prazeres. Pedras imponentes. Natureza fortaleza. por de cima do muro, a gente enxerga o mundo.
[...]
Na natureza, na santa paz de Deus… “desce do coqueiro que o almoço tá esfriaaando”! O garçom acena pra saírmos do mar. Ducha doce no meio do verde. Um peixinho à dorê, no molho vermelho, acompanhado de salada e batata souté. Simplesmente de lamber os beiços (com o perdão do termo)!
[...]
Maré alta. Mas o medo não vence, pois não “tamos” só… O voo dos pássaros contagia. A cor e a temperatura d´água convencem. Não precisamos do pôr-do-sol do Farol, porque também no Istmo a poesia prevalece. A paz. No Passa-Passa ficamos. E ali demos a volta ao mundo!
E quando a gente apaga, tudo fica escuro!
No trapiche, a incerteza da ida. Na ruela das pousadas, delicadamente iluminada, a vontade de ficar. Garoa, como em toda boa viagem. As conversas mansas. Sotaque gostoso do caiçara. Escuridão plena. Apenas os pontos de luzes lá looonge, depois do horizonte. Sentadas na ponta do trapiche, sorriso no rosto e na alma, sorvemos os pingos da chuva. E a conversa também vai ficando looonge… só os pingos e a paz. O barquinho vem se aproximando. A metáfora real da passagem, agora com mais bagagem. Sozinhas na barca, travessia única, gratidão.

Na despedida, companhia:
estrelas vagalumes dentro de uma caixa! Aquele serzinho, tão presente pela música durante todo o dia, agora pousado em minha mão, caminhando por mim, seguindo comigo para casa… ME ILUMINANDO!
[...]
… um final de semana cheio de presentes… diz “tia” Renata (herança da infância, pais de amigas serão sempre tios)! A bênção de estarmos num lugar maravilhoso, na companhia da melhor amizade, no convívio de uma bonita família, rodeadas de “coincidências” pelo caminho, integradas com os cinco elementos e abraçadas pela Mãe Terra e pelo Pai Cosmos, de mãos dadas com a Irmã Lua e o Irmão Sol… DIAS-PRESENTES DE DEUS!
[...]
Pra temperar os sonhos e curar as febres,
Inserir nas preces do nosso sorriso,
Brincando entre os campos das nossas idéias,
Somos vaga-lumes a voar perdidos…
A voar perdidos…

  • Trechos de “Vagalumes”,  d´O Teatro Mágico. Mais um presente que recebi nesses dias de março!

Add comment 1 Abril 2009

Os Silêncios

No meio do caos, o silêncio. A ausência de mim. O nulo. O nada.
A vontade de silêncio. Do só branco.
No barulho do motor do carro ao lado, no canto dos pássaros, na gargalhada dos moleques atravessando a rua, na conversa dos motoqueiros, no beijo e nas mãos dadas do casal… menos, menos de mim.
Exclusão.
{O nada.}
Como se tudo meu, mente, pele, sensações, voz… tudo meu tivesse sido engolido para dentro de mim e eu fosse o nada por alguns instantes. [...] Eu não fosse.
Foi o coração. Foi ele que me engoliu.

* Minha pira de hoje à tarde. Tive que estacionar o carro pra “vomitar” o texto. Tava me enchendo demais, enchendo o vazio.

Add comment 23 Março 2009

Uma Zélia de Amor

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Tecelagem primitiva em lã de carneiro. Pela delica destreza das mãos e pela força melódica dos pés de Dona Zélia Scholz, o novelo de lã vai se formando. E dele, os xales, os tapetes, os acolchoados e a singeleza de uma sabedoria acumulada por anos e anos nos “tempos pra filosofar” ao comando do tear.

O jovem se aproxima e acha tudo “irado”. Quer pegar, quer conversar, quer saber como funciona. A criança, acanhada, observa de longe e se escusa do convite de Dona Zélia de sentir a intensidade da força que sua mão aplica na lã para formar o fio. Pela recusa do garoto (por desinteresse ou timidez), ela inicia um breve discurso sobre – concluí depois – o amor. Usa a lã de carneiro como metáfora da família e de todas as nossas relações. “Sem união”, diz ela, “é impossível formar o fio”. Neste caso, não somente a união faz a força, mas a força faz a união. A união das micropartículas de lã possibilita a existência de um fio forte e rijo. Por outro lado, é preciso que Dona Zélia aplique determinada força para que se consiga criar e manter essa união.

É assim no nosso dia-a-dia. Somos seres dependentes de uniões. Sem elas não construímos nada, nem externo nem interno a nós. E, para superar todas as agruras da vida, sem dúvida, precisamos de “determinada” força para nos mantermos unidos. É um caminho de mão dupla. Foi isso que, em outras palavras, Dona Zélia nos ensinou hoje.

Por fim, agradeço suas palavras e sua atenção e a parabenizo pelo trabalho. Mas, como se não bastasse sua própria presença entre nós e o seu dispôr em nos proporcionar aquele momento de  bênção, ela se despede nos agradecendo por “vê-la”. Com aquele sorriso de senhorinha meiga, nos conta que muitos passam, alguns a enxergam e poucos a vêem. Que pena dos desapercebidos…

Por isso minha conclusão de que o discurso de Dona Zélia foi, simplesmente, sobre o amor. Porque, como o igualmente sábio principezinho, pela fala de Saint-Exupéry, afirma que “só se vê bem com o coração”, Dona Zélia afirmou e provou que só o amor mesmo é capaz de unir, de nos dar forças e de nos fazer ver!

 

* Dona Zélia Scholz pode ser encontrada todos os domingos (“menos os que chovem” diz ela!) na feirinha do Largo da Ordem! Vale a pena bater um dedinho de prosa com essa criaturinha meiga e abençoada, que adora usar o tempo do tear, “quando a cabeça está vazia, para filosofar”!

1 comment 15 Março 2009

É só o tempo que não volta…

“A criança sofre, o adolescente sofre. De onde nos vêm, então, a saudade e a ternura pelos anos juvenis? Talvez porque nossa fraqueza fosse uma força latente e em nós houvesse o germe de uma plenitude a se realizar. Não havia ainda o constrangimento dos limites, nosso diálogo com os seres era aberto, infinito. A percepção era uma aventura; como um animal descuidado, brincávamos fora da jaula do estereótipo. E assim foi o primeiro encontro da criança com o mar, com o girassol, com a asa na luz. Ficou no adulto a nostalgia dos sentidos novos.”

Ontem assisti à colação de grau de um primo. Não faz taaanto tempo da minha formatura (uns cinco anos), mas durante toda a cerimônia fiquei com a impressão de que muita coisa mudou e que hoje há limites que antes não existiam. Profissionalmente e pessoalmente. Fisicamente e emocionalmente. Minha liberdade de ir e vir - principalmente em relação a sonhos, projetos e pensamentos -  parece não ser mais a mesma. Há uma preocupação, latente, chata, em não errar mais. Esse é o limite. E as palavras de Ecléa Bosi (citação acima), em Memória e Sociedade: lembrança de velhos (p. 83), cabem muito bem aí: há um constrangimento em perceber esses limites.

São tantos sonhos anunciados aos quatro ventos que simplesmente foram se desfazendo no ar, tantas decepções, tantas mudanças na rotina, tantos projetos escancaradamente falidos. A impressão – deve ser só impressão! – é que, por conta de todos esses nãos da vida (impostos pela ordem natural das coisas, ou impostos sem nosso consentimento mesmo ou ainda criados por nós mesmos), somos “analisados” e “definidos” por quem nos cerca e, pior, por nós mesmos. Certamente isso ocorre, lógico. Afinal, somos feitos daquilo que cativamos (e, talvez, também daquilo que “cativam em nós”)! Mas como é constrangedor!

Então talvez eu tenha sentido inveja daqueles formandos. Parece que ainda têm toda uma vida pela frente. Sei que estou exagerando, não sou nenhum ser jurássico, nem balzaquiana ainda, mas já com o peso de algumas – mesmo que poucas – limitações!

Não é pra ser um desabafo desanimador. Pretendo jamais desanimar os leitores da Minha Aldeia! São apenas algumas bobagens que passaram por minha caxola cheinha de caraminholas… ainda bem que essas bobagens vêm sempre acompanhas de muita paixão pela vida! E isso já basta pra seguir em frente, tentando sempre superar todo e qualquer limite!!! Rs…

Um abração em todos!
Dani

Add comment 22 Agosto 2008

em atualização

Add comment 15 Agosto 2008

Barthes é Perfeito

Estou fascinada por este carinha incrível chamado Barthes.
Roland Barthes está fundamentando com tal maestria e perfeição minha monografia [de conclusão de pós-graduação] que eu jamais suporia que encontraria tanto e tão perfeito respaldo para minhas idéias.  Em suas narrativas, parece que sinto Barthes sentindo. Parece que me torno Barthes, como se me embrenhasse por entre suas veias, ainda vivas, e passasse a sentir, ver e ouvir tudo o que ele narrou sentir, ver e ouvir.  Barthes está ordenando e preenchendo minhas idéias e esse complemento está sendo maravilhoso. Por isso achei que deveria escrever algo sobre esse Pensador da Vida em todas as suas nuances. Todas mesmo. No mínimo detalhe do meu dia-a-dia, encontro algo de Barthes. Por exemplo, neste final de semana que passou eu estava com muita vontade de jogar conversa fora em algum barzinho da cidade, rever os amigos e beber uma caipirinha boa pra espantar o frio! Mas, ao mesmo tempo, também era grande a vontade de fazer nada, de ficar em casa, de pijama, com os pés pro alto, só lendo, lendo, lendo… ao som de uma musiquinha boa que me embriagasse e espantasse o frio! Uma briga interna. Resposta para isso? Barthes me deu! ”Que corpo? Temos vários. Tenho um corpo digestivo, um corpo nauseabundo, um corpo com dor de cabeça, e assim por diante: sexual, muscular, humoral e sobretudo emotivo. Por outro lado (…) tenho um corpo parisiense (esbelto, fatigado) e um corpo camponês (repousado, pesado)” (Barthes, 1975, p. 70-71). Perfeito!

1 comment 7 Julho 2008

Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)

1 comment 13 Junho 2008

Para mim, para minha mãe, para a mãe de minha mãe, para a mãe da mãe de…

Hoje (05 de maio) é aniversário de meu filho, Felipe. Dois aninhos! Em minha oração antes de dormir, ontem, peguei o livro “Uma Idéia Toda Azul” e o abri aleatoriamente, mentalizando que o conto em que eu abrisse seria uma homenagem minha a ele, algo que lhe enviasse boas energias! O escolhido por minhas mãos foi “Um Espinho de Marfim”.
 
Durante a caçada do rei, comecei a entender o recado. Eu, a princesa. Meu menino, o unicórnio. A vida, o rei. “Que animal era aquele de olhos tão mansos retido pela artimanha de suas tranças?” 
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Logo despertou minha atenção a prisão do unicórnio com a rede de ouro feita dos próprios cabelos da mãe, ops, da princesa. Uma prisão bonita, mas ainda uma prisão. O amor, quando muito muito cheio de cuidados e proteção, quando dono, também aprisiona. 

Quanto demorou a princesa para conhecer o unicórnio?
Quantos dias foram precisos para amá-lo?
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Como jamais conhecer o menino?
(Lispector, 1981, p. 142)

Do contrário da narradora da felicidade clandestina de Clarice, a princesa de Marina não precisou esperar o tempo de o unicórnio se deteriorar para conhecê-lo. Não precisou se afastar do animal. Ela se aproximou, olhou bem em seus olhos e o conhecimento – ou reconhecimento – veio de imediato. Com ele, o amor.
 
Em Marina, bastou o olhar. E o olhar com o coração. O unicórnio, livremente, fez-se entender pelo olhar, unicamente. Em Clarice, o olhar era inútil. O menino, em sacrifício próprio… “com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o compreenderá, senão ninguém irá para o seu silêncio ninguém o conhece se ele não disser e contar”
(Lispector, 1981, p. 139)
 
O sacrifício presente nas três obras: na minha, na de Marina e na de Clarice. O sacrifício de três mães em nome de seus filhos, cumprindo a missão que o coração as impõe: amá-los acima de tudo, acima de si mesmas. Três mães em vida, em prosa e em poesia. Uma não menos mágica que a outra.
 

Leia:
COLASANTI, Marina. Um Espinho de Marfim, em Uma Idéia Toda Azul. São Paulo: Global, 2006.
LISPECTOR, Clarice. Menino a Bico de Pena, em Felicidade Clandestina. 1981. 

1 comment 6 Maio 2008

Meu dia…

Ser mãe, querer ser a melhor mãe, perceber mil defeitos que me impedem disso, separar do marido, dar conta sozinha da casa, trabalhar dia e noite num projeto que — CENSURADO —, ter certeza de — CENSURADO —, cursar uma pós-graduação me sentindo a mais ignorante das criaturas, aguentar papinhos — CENSURADO —, — CENSURADO —, apenas querer uma paixão qualquer que me faça acordar todos os dias sorrindo mas… Ahhh. Preciso respirar. Parar. Olhar o céu e me divertir com uma das melhores brincadeiras que já inventaram: ver desenho em nuvens! Como é bom… como é bom brincar com elas enquanto o sol penetra na minha pele e resgata minha energia já escondidinha atrás de tantas lutas travadas comigo mesma.
Só um desabafo… — CENSURADO —

[Postado originalmente em 22.10.2007, às 00:02, no blog-se.]

2 comments 3 Abril 2008

O bom e velho papel almaço…

Há ritual mais forte que escrever em uma folha de papel almaço? Escrever, escrever… abrir a folha (que delícia)… e continuar escrevendo.
Estou freqüentando, semanalmente, o consultório de uma psicóloga. Tenho como “tarefa de casa” registrar frases direcionadas a mim e que me fazem ou fizeram mal. Também devo desenhar gráficos de humor diários! [Um processo bastante interessante para quem tem memória curta, como eu!] Não vi nada mais apropriado para suporte destas tarefas do que o bom e velho papel almaço. Uma folha como qualquer outra, porém com forte poder de nos remeter à infância e, com ela, à vivências boas e outras tantas as quais me levam ao consultório…

[Postado originalmente em 22.10.2007, às 00:02, no blog-se.]

Add comment 3 Abril 2008


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