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Sem dois, não há dança.

“Na mulher, é sempre o contrário, o oposto, o zigue-zague na trança da gafieira. Elas nascem sabendo de cor o convexo do côncavo, as duas imagens da ilusão de ótica, o yin do yang e o yang do yin. Tudo tão simples! A lógica é desnecessária. Quem tenta aprender lógica é aquele tolo confuso por tantas jogadas de cabelo, cruzadas de perna, oitos de costas, sims e nãos. Quem faz filosofia não se basta com a folha verde, com o rio cachoeira que ri, com tudo aquilo que se basta em si mesmo. Mas é no palco que rola a dança entre esses dois seres tão diferentes. É na arte que o feminino que se basta encontra com o homem que anseia por olhar, explorar e aproveitar. É no poema que a mulher jorra para alguém, se manifesta para alguém, aparece e brilha para alguém. E somos gratos por ser apenas alguém.”
- Do blog do Gustavo Gitti, dono de uma incrível sensibilidade para tentar entender as mulheres! E esse chega perto, hein! Vale a pena acompanhar: http://nao2nao1.com.br.
Add comment 8 Setembro 2009
Da lavanderia… A ALMA!
Fones de ouvido e o radinho FM.
Soool lindo, céu azul, alma verde e rosa e vermelha, descendo a ladeira,
e o quá-quá-rá-quá-quá quem riu quá-quá-rá-quá-quá fui eu
abriu a boca e mostrou os dentes.
Na calçada, chegou Elizeth. Voz torta já, a mulher.
Perna lá outra cááááá ooolha a rua, sua doida!
Vivendo, a mulher. Sei lá, o limãozinho vai bem, também.
Mas fico com água! Vivendo, a mulher.
Na outra esquina, a voz de vento Cáétãno, vinagre balsâmico.
Sem avisar, a carioca estoura a avenida no maior show da Terra.
E aí, me irmão, não tem voz que fique enclausurada, não tem mão que não batuque o pandeiro da coxa, não tem pé que não arrisque uns passinhos na calçada quebrada… nããão, não, ninguém ali mais feliz mesmo… nem o que viu os braços abertos equilibristas de pés no meio-fio, nem o que ganhou do vento a música da voz desafinada da guria verde e vermelha e amarela, nem o que espiou da janela o sorriso e as cores dela…
Que beleza! Quanta beleza vinda de um só bloco… de um monobloco!
E dá os 4km. Chão. Alma. Vento. Cheiro de sabão. Calçada lavada.
No portão de casa, um aviso: atenção, menina, ao dobrar uma esquina!
Atenção! Atenção! Atenção para o refrão!
Que cheiro de sabão!
1 comment 15 Junho 2009
Deusa Clarice: obrigada, obrigada, obrigada!
“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.” (Clarice Lispector)
1 comment 13 Junho 2008
Pra quem não gosta de Caetano
Ou odeia-se ou ama-se. Com Caetano Veloso não tem meio termo. E eu estava entre os partidários do primeiro time! Estava. Depois de assistir ao show Un Caballero de Fina Estampa tive de me render ao grupo dos que o veneram! O dvd não é nenhuma novidade, foi gravado em 1995 num show no Metropolitan, no Rio de Janeiro, e lançado em 2001. Mesmo assim, vale a pena indicar!
Caetano está incrível e o repertório divino, mesclando músicas cantadas em espanhol com canções brasileiras, inclusive releituras de Orlando Silva, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Fazem parte Lábios Que Beijei, Canção de Amor, O Samba e o Tango, Haiti, Vuelvo Al Sur, La Barca, além das clássicas e maravilhosas Chega De Saudade, O Leãozinho, Itapuã e um arrombo de palco com Soy Loco Por Ti, América!
Há quem diga que se existe uma regra na carreira de Caetano Veloso é a de não ter regra alguma. Talvez seja por isso, uma espécie de provocação adolescente, que ele faz exatamente o oposto do que esperam dele. O disco Fina Estampa, de 1994, inspirador do show do dvd, é um exemplo: antes mesmo de ser lançado, foi previsto pela crítica como um fiasco de vendas e de público. De tanto sucesso, rendeu, além do dvd, um cd ao vivo!
Filmado em película de cinema e gravado em som digital, Un Caballero de Fina Estampa é um bem-composto de música, poesia, pintura, excelente direção e fotografia e todo tipo de arte ao qual levar a sensibilidade do público. Pra começar, logo na capa, um fragmento de um mural pintado pelo artista mexicano Diego Rivera. Cultura completa!
Este e outros textos meus comporão o Jornal El Domingez, distribuído no Café Domingez, nova casa da boa música e da boa comida, recheadas de cultura, que abrirá em breve no Largo da Ordem (Dr, Muricy, 1111)!
Add comment 11 Junho 2008
Sexta-feira…
…11 da noite. Entro no carro. Ligo o som. Não recordo a estação que escolho… música latina. Sem dúvida da melhor qualidade. Entre outros, Chico Alvarez. E não precisou mais de um segundo para que aquelas melodias cubanas me inebriassem. Desço do carro, abro a porta e estou em casa. Cansada. No curto trajeto, muita dança com alma e olhar latinos de Frida Kahlo.

Add comment 8 Junho 2008