Pesquisa de Campo

Vai Paraíba! Vai Pedro “Quem?”!!!
Vai Keirrison! Dá-lhe Edson Bastos!!!

Me dispus ontem a enfrentar um Couto Pereira pós-retorno-à-primeira-divisão para realizar, digamos assim, uma pesquisa de campo! Literalmente! [perdão pelo trocadilho!]

Há anos não freqüentava um jogo de futebol. Tive minha época áurea (rs), inclusive com destaque como artilheira do campeonato mais importante do colégio! Disso lá se vão mais de dez anos! Com o tempo, fui ficando chata, enjoada, e passei a detestar aquele povão todo gritando e xingando feito loucos toda a família do coitado do juiz e de alguns dos jogadores!

Mas, a convite de minha irmã, resolvi me arriscar nessa aventura novamente, com a idéia de apenas ver em que pé estava a coisa hoje em dia! Com um misto de medo e insegurança, fui. A gente escuta cada barbaridade que acontece dentro e fora de campo… Enfim, assim fomos nós duas, devidamente uniformizadas com as cores do verdão, em direção às cadeiras da Mauá! Cunhado ligando da Império, primos dando tchau da torcida oposta (os Porcos Palmeirenses), e eu quase fazendo xixi nas calças de tanto rir (mais uma vez peço desculpas, agora pelo mau jeito!) !

E esse riso exagerado me fez entender o porquê de estar lá, o porquê dessa algazarra (obrigada, vó, pelo empréstimo!), dessa loucura pelos campos! É o mesmo motivo do fascínio pelo Carnaval: duas festas que envolvem a todos, num clima de unidade, de segregação! Naquela hora, só o que importa é sermos todos brasileiros, unidos pelo amor à camisa ou amor ao que quer que seja! E vi isso ontem! Senti na pele e no coração batendo a cada um dos dois goooools!

Uma festa linda ontem no Couto, re-ple-ta de crianças com seus pais, todos juntos brincando sem violência e, pasmem, com poucos palavrões! Pelo menos na Mauá, o jogo correu bem e bonito! Parabéns às famílias da torcida Coxa Branca!

 

Add comment 12 Maio 2008

Santa Tina: nem virgem, nem mártir

Uma vida rodeada de mistérios. Como diz o escritor Paco Ignácio Taibo II, a italiana Tina Modotti (1896-1942) “viveu todas as histórias que fizeram História“. Foi estrela em Hollywood nos anos 20; foi amante e aluna do fotógrafo Edward Weston, o mesmo que a retratou na década de 20 e cuja fotografia foi comprada quatro décadas mais tarde pela cantora Madonna, que desembolsou a maior quantia já paga a uma fotografia até então; presenciou o assassinato de Julio Antonio Mella e sofreu o escândalo de ser acusada de sua morte; estava por perto quando do assassinato de Leon Trotsky; foi imortalizada nos famosos murais de Diego Rivera; influenciou Frida Kahlo; foi amiga de grandes nomes como Alexandra Kollontai, Maiakovski, Sandino, Sergei Einsenstein, Manuel Álvarez Bravo, Olga Benário e Luis Carlos Prestes; lutou na Guerra Civil Espanhola e serviu como espiã soviética na Berlim nazista; vivenciou o México pós-revolucionário; foi acusada de terrorismo, presa e expulsa do México; apoiou famílias de perseguidos trabalhando no Socorro Vermelho Internacional; teve muitos amantes e desiludiu muitos apaixonados; o epitáfio de seu túmulo foi escrito por, nada mais nada menos, Pablo Neruda. Sua própria morte, por infarto a bordo de um táxi em 1942, é polêmica.

Sua principal câmera, uma Graflex, foi comprada com a venda do exemplar de Ulysses (na Califórnia o livro era proibido e rendeu uma boa quantia) e da velha e pesada câmera Korona. Ao lado de Weston, explorou o sincretismo religioso na cultura mexicana. Ao final deste trabalho, ele estava orgulhoso de sua discípula. Ele dizia que era impossível afirmar quais imagens eram dele e quais eram de Tina. Na passagem por Moscou, Tina desiste da fotografia e se desfaz de sua câmera.

Nos idos de 1927, seu apartamento tornou-se um verdadeiro “salão da esquerda artística internacional”, praticamente a sede do partido. Após aliar-se ao partido comunista, a fotógrafa deixou de lado as cores para adotar um estilo mais reservado. Passou a vestir-se em tons de ocre e cinza e prendeu os cabelos negros e brilhantes em um discreto coque. Estilo discreto assim como deveria ser sua própria vida dali em diante, alternada entre realidade obscura e disfarces políticos. Suas fotografias também sofreram mudanças. O México recebeu outra leitura de Tina, a miséria daquele povo deixou de ser uma mera paisagem.

 

Leia mais…
Los fuegos, las sombras, el silencio… Pino Cacucci.
Modotti: uma mulher do século XX. Ángel de
la Calle.
Tina Modotti, a fragile life. Mildred Constantine.
Tina Modotti, between art and revolution. Letizia Argenteri.
Tina Modotti, photographs. Sarah Lowe.
Tinísima. Elena Poniatowska.
* Moby Dick (segundo Tina, o melhor livro que leu com Edward Weston, assim como Ulisses, de James Joyce e os poemas de Ezra Pound). 

Add comment 8 Maio 2008

Para mim, para minha mãe, para a mãe de minha mãe, para a mãe da mãe de…

Hoje (05 de maio) é aniversário de meu filho, Felipe. Dois aninhos! Em minha oração antes de dormir, ontem, peguei o livro “Uma Idéia Toda Azul” e o abri aleatoriamente, mentalizando que o conto em que eu abrisse seria uma homenagem minha a ele, algo que lhe enviasse boas energias! O escolhido por minhas mãos foi “Um Espinho de Marfim”.
 
Durante a caçada do rei, comecei a entender o recado. Eu, a princesa. Meu menino, o unicórnio. A vida, o rei. “Que animal era aquele de olhos tão mansos retido pela artimanha de suas tranças?” 
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Logo despertou minha atenção a prisão do unicórnio com a rede de ouro feita dos próprios cabelos da mãe, ops, da princesa. Uma prisão bonita, mas ainda uma prisão. O amor, quando muito muito cheio de cuidados e proteção, quando dono, também aprisiona. 

Quanto demorou a princesa para conhecer o unicórnio?
Quantos dias foram precisos para amá-lo?
(Colasanti, 2006, p. 26)
 
Como jamais conhecer o menino?
(Lispector, 1981, p. 142)

Do contrário da narradora da felicidade clandestina de Clarice, a princesa de Marina não precisou esperar o tempo de o unicórnio se deteriorar para conhecê-lo. Não precisou se afastar do animal. Ela se aproximou, olhou bem em seus olhos e o conhecimento - ou reconhecimento - veio de imediato. Com ele, o amor.
 
Em Marina, bastou o olhar. E o olhar com o coração. O unicórnio, livremente, fez-se entender pelo olhar, unicamente. Em Clarice, o olhar era inútil. O menino, em sacrifício próprio… “com urgência ele tem que se transformar numa coisa que pode ser vista e ouvida senão ele ficará só, tem que se transformar em compreensível senão ninguém o compreenderá, senão ninguém irá para o seu silêncio ninguém o conhece se ele não disser e contar”
(Lispector, 1981, p. 139)
 
O sacrifício presente nas três obras: na minha, na de Marina e na de Clarice. O sacrifício de três mães em nome de seus filhos, cumprindo a missão que o coração as impõe: amá-los acima de tudo, acima de si mesmas. Três mães em vida, em prosa e em poesia. Uma não menos mágica que a outra.
 

Leia:
COLASANTI, Marina. Um Espinho de Marfim, em Uma Idéia Toda Azul. São Paulo: Global, 2006.
LISPECTOR, Clarice. Menino a Bico de Pena, em Felicidade Clandestina. 1981. 

1 comment 6 Maio 2008

Para Felipe. Ponto.

Bola de Meia, Bola de Gude


Há um menino, há um moleque
Morando sempre em meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade,
palavra, respeito, caráter, bondade
Alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente
insiste em viver
E não posso aceitar
sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão…

 

 Milton Nascimento e Fernando Brant

Add comment 6 Maio 2008

Às lágrimas e ao bate-pé

Choro (o). Choro (eu).
Ele chora.
Ele tira e põe o choro.
E quanta melodia boa.

Às vezes, na mesa de bar,
o choro é de chorar.
Tudo vai do clima.
Vai da conversação.

E se todos querem choro…
Mas se não é nada daquilo…
Chora-se em outras bandas!
Sartei!

DC

[Arrisquei um poeminha...
minha homenagem ao Dia Nacional do Choro, ontem, dia 23 de abril!]

Add comment 24 Abril 2008

Poema para os gatos

Silêncio,
eis a tarefa
de todos os gatos.
Poucos sabem perscrutar
(talvez ninguém em plenitude)
o grau de solidão necessária
ao saber auto suficiente
para ser felino e doméstico
em sua tarefa de monge
guardião do inextricável
em quem o homem não percebe
a metafísica natural,
recolhimento
saber
sensualidade
e aceitação.

Artur da Távola

[Modelo: Paris, a gatinha manhosa da Wilminha!] 

1 comment 19 Abril 2008

Momento Flaneur [com o celular]

Que bonito ver o entardecer
Que bonito ver o sol se pôr
De Salvador
Dali
de Salvador
De lá de lá de cima do mar
De cima do mar

[ Dali de Salvador, Antônio Pedro/Evandro Mesquita, por Blitz ]

1 comment 9 Abril 2008

Uma história coletiva…

Joana passava roupas. Joana passava o mundo. À limpo. Tudo passava enquanto ali, naquele canto, ela cuidava de suas roupas. E da roupa da família. E pensava quem estaria cuidando da roupa dos amigos. E… continue a história quem quiser!

1 comment 8 Abril 2008

Parabéns, coleguinhas!

Comemoração hoje! Dia do jornalista! Meu dia, com todo o orgulho do mundo! Uma profissão linda que, apesar das pedras no meio do caminho, me faz sentir mais humana. Encaro o jornalismo como minha essência: a velha, utópica e persistente vontade de mudar/melhorar o mundo! Um meio de educar, protestar, denunciar, elogiar e, sempre, inspirar!
 
Como uma espécie de Ação de Graças, homenageio e agradeço hoje a todos aqueles que cruzaram o meu caminho e, de uma forma ou de outra, enriqueceram-me. Faço questão de citar nomes. Seu Ário Taborda Dergint, que fortaleceu em mim o amor às artes. Helô [Heloísa Covolan] e HT [Hélio Teixeira]: generosos mestres meus, que mostraram-me o jornalismo e ensinaram-me muito mais do que a vida acadêmica. Grande Professor Pena, o mestre da ética, a quem tínhamos vontade de aplaudir a cada aula encerrada na faculdade. Ainda lá atrás, Professor Senzi, na 6ª ou 7ª série do Colégio Marista Santa Maria, que guardo com carinho pelas lições de amor ao português! Professoras Nanci Gonçalves da Nóbrega [da PUC-Rio] e Clarice Alves Martins [da PUC-PR e da aula particular de regência verbal em Guaratuba!], musas inspiradoras do amor à vida!
 
Também são muitos os “grandes nomes”, lógico. O primeiro de todos, Clarice. A conheci em sonho, ainda adolescente. Uns dias mais tarde descobri que aquela moça com quem me encontrei era a tal Lispector. A ela devo o meu despertar às letras. Também Machado de Assis, o melhor início que eu poderia ter. 
 
A todos os citados e aos demais amigos que, com participações diferentes em minha vida porém não menos importantes, me engradeceram e ainda me fazem crescer todos os dias, minha profunda admiração!

2 comments 7 Abril 2008

Ser feliz: um aprendizado diário

“Eu estou aprendendo a ser feliz. Tem que se educar. Que nem [sic] você tem que aprender a ler, a escrever, tem que aprender a ser feliz.”
Cazuza, em 1988.
(apud Lucinha Araujo, em “Só as mães são felizes”, p. 384)

A busca pela felicidade é uma neurose da qual ninguém escapa. São tantos os meios, tantas as sugestões, tantos os conselhos furados. Eu mesma já me muni de grande arsenal pra ir atrás dela. Tentei yoga e escalada, li livros de auto-ajuda e espiritismo, estudei e pratiquei o xamanismo, quis ser hippie, pintei os cabelos, fiz teatro, meditei em baixo de uma pirâmide, casei, separei, viajei, me viciei em cinema, cantei em coral, dancei, comprei, comi, fotografei… e o que restou disso tudo foi a certeza de que a felicidade é não buscar a felicidade: é, simplesmente, encontrá-la acompanhada de cada erro que cometemos, de cada injustiça que sofremos e de cada bem que fazemos… e, com eles, da esperança de crescermos!

[Postado originalmente em 26.03.2008, às 19:18, no blog-se.]

1 comment 3 Abril 2008

Por que escrever?

“‘Escrever é uma arte mágica: quando você põe palavras no papel, num texto autobiográfico ou não, você se mostra para si mesmo e se compreende melhor’, diz a escritora Sonia Belloto.”
Tenho recebido algumas mensagens inspiradas e bem escritas dos amigos que passam pela Aldeia. Desconfio que o ato de escrever não faz bem apenas a mim, mas deve ser algo geral… Encontrei uma matéria bastante esclarecedora na edição de março da revista Bons Fluidos. Espero que inspire mais amigos a postarem mensagens aqui e até mesmo a criarem seus próprios blogs, usando este canal como diário ou como suporte para publicação e divulgação de quaisquer literaturas e outras invencionices!

Um trechinho da matéria:
“Quando a boca cala, o corpo fala. Quando a boca fala, o corpo sara. Eis um ditado que mostra, de forma simples, a importância de verbalizar o que sentimos e pensamos, pois o que não é expresso tende, mais cedo ou mais tarde, a afetar nosso bem-estar e até nosso estado de alma. Segundo o psicólogo Waldemar Magaldi Filho, professor da Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo, ao entrar em contato com seu colorido interior, dispondo-se a abrir e a contar suas experiências, sejam elas boas ou ruins, muito do que foi vivenciado pela pessoa se ilumina. ‘Narrando os fatos, percebemos que eles talvez não sejam tão negativos quanto pensávamos, que a raiva que alguém despertou em nós diminuiu, que o trauma que sofremos já não assusta tanto, que nossas vitórias foram mais importantes do que pareciam’, explica o especialista. Da mesma maneira, o que a princípio foi visto como algo trágico pode, com o passar do tempo, se revelar uma grande oportunidade de crescimento. ‘Isso é o que chamamos de re-significar, ou seja, atribuir um novo sentido às coisas’, completa.”
Texto na íntegra AQUI.

[Postado originalmente em 24.03.2008, às 15:11, no blog-se.]

Add comment 3 Abril 2008

O bom velhinho

Estou lendo - entre outros livros na minha bagunçada e misturada leitura -, As Curvas do Tempo, memórias de Oscar Niemeyer. Adoro biografias e memórias. Talvez seja minha literatura preferida. Sempre tiro algo de bom, algo de ruim, e isso vai ajudando a construir minha vida e minhas próprias memórias. Dessa vez, Niemeyer, esse bom velhinho que dá vontade até de levar pra casa, fez com que eu me sentisse uma pessoa mais “normal”, porque pude compartilhar de um mesmo sentimento descrito no livro. Depois de contar causos de sua juventude, bastante boêmia e de inúmeros amigos, ele conclui que “a vida continua e aqui vamos nós, caro leitor, fingindo acreditar em coisas sem maior importância, vestidos de arquiteto, a discutir arquitetura com uma devoção que este mundo injusto certamente não justifica.” É a mesma sensação que, de uns meses pra cá, venho sentindo em relação a minha profissão, o jornalismo, e aos meus ideais de “melhorar o mundo”! Há tantas coisinhas fúteis e inúteis que temos que nos entreter no dia-a-dia, para as quais temos que despender tempo… há tantas conversas e almas vazias… é tanto esforço dedicado ao que não é essencial… enfim, há tanta desilusão, dia após dia. Mas elas não podem nos abalar e nos esmorecer. É preciso ir adiante, sempre, porque destes sonhos, por mais escondidinhos que deixemos em nós, é que temos energia para continuar!

[Postado originalmente em 14.03.2008, às 19:46, no blog-se.]

Add comment 3 Abril 2008

Meu filho: minha vida!

Hoje escrevo apenas para homenagear meu menino amado! Não há nada no mundo mais belo e mágico do que um filho, simplesmente porque são as únicas pessoas capazes de, sincera e efetivamente, nos tornar melhores a cada dia!
Com ele, viro criança todas as noites, rolando no sofá de tanto rir! Com ele viajo pelo mundo da fantasia, inventando e reinventando histórias! Com ele aprendo o que é ser SER HUMANO, buscando ser alguém melhor a cada erro ou deslize que percebo ter cometido. Com ele aprendo que amar é nortear, mas deixar livre para voar! Com ele aprendo que muito mais importante que palavras e gestos, é o olhar!
FELIPE, MEU FILHO, OBRIGADA POR ESTAR NA MINHA VIDA E FAZER DELA ALGO MÁGICO E DIVINO! TE AMO MAIS QUE TUDO!

[Postado originalmente em 11.03.2008, às 11:28, no blog-se.]

10 comments 3 Abril 2008

Cazuza não combina com praia

No radinho, na tenda montada na beira da praia, “Boas Novas”. Duas gurias conversam. “Cazuza não combina com praia”, diz uma delas. Bingo! Um tema para o trabalho que eu deveria entregar para conclusão da disciplina de música, da pós-graduação de Leitura de Múltiplas Linguagens!
Realmente, “eu vi a cara da morte e ela estava viva”1 não combina com praia, mas talvez a guria tenha generalizado demais, porque “eu preciso dizer que eu te amo”2 ou “eu quero a sorte de um amor tranqüilo”3 são trechos que podem, sim, ressoar harmonicamente com as areias brancas de uma bela praia enquanto outra-guria-bobinha-sonha-acordada-em-uma-rede-pendurada-entre-dois-coqueiros.
A música é o clima. E a temperatura pode ser das mais baixas ou estar entre as mais altas, vai depender da música. Tudo na vida, coisas e pessoas, o universo enfim, tudo tem seu ritmo e é influenciado pelos ritmos ao redor. Nem refiro-me aqui ao mérito de freqüência de ondas, busco apenas enfatizar a importância da música em nossas vidas, a influência – negativa ou positiva – em nosso cotidiano.
A música nos envolve, desperta sentidos e faz oscilarmos entre diversos estados físicos e emocionais. Sendo assim, como arma poderosa, é utilizada em igrejas para fortalecer a fé de fiéis – e convencer infiéis! -; serve de instrumento de tratamentos psicólogicos; é utilizada em criadouros de animais para acalmá-los; é insistemente indicada a gestantes, a fim de que venha ao mundo um bebê tranqüilo, esperto e com ouvidos aguçados; entre muitos outros empregos.
Cada ouvinte traz uma bagagem musical e sensorial distinta. Para uns, “segue o seco sem sacar que o caminho é seco”4 é uma estrada longa e estafante, enquanto para outros, “ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais”5 é a estrada solitária e serena. “Longe de casa a mais de uma semana”6 pode trazer uma melancolia inexplicavelmente gostosa, da mesma agradável e despretensiosa sensação ao ouvir “eu gosto tanto de você que até prefiro esconder”7. Talvez este encare com revolta quando se escuta algo sobre “nas favelas, no senado“8, enquanto aquele sinta remorso ou algo parecido ao ouvir alguém anunciar “sou uma gota d’água, sou um grão de areia“9. Alguns deixam de acreditar que tudo é pra sempre quando percebem que “mudaram as estações”10, porém, mantêm uma ilusão, de bobeira mesmo, achando que detalhes “a toda hora vão estar presentes”11. Às vezes, a música convida a bailar pelas lembranças da infância, como quando chega um certo “ursinho querido”12 ou pelas lembranças de um tio querido que faz pensar na família maravilhosa que se tem, ao ouvir, sabe-se lá o porquê, “você não é doce de côco mas enjoei de você”13! Algumas canções têm o poder de nos remeter a lugares especiais guardados no coração, lugares que abrigam o que éramos e o que somos na essência… tais como quando o trio “começa na Ponta Grossa e termina ali na praça…”14. E pra alguns é tão fácil abrir a boca e cantarolar, em alto e bom som, quando no radinho toca “enquanto você se esforça pra ser”15, da mesma maneira que é até difícil respirar quando uma voz feminina, nada tímida, faz ressoar “por isso cuidado meu bem”16. Na música, alguns sabem a hora certa de perguntar “Do You Wanna Dance”17 e outros de dizer que, dançando bem ou mal, “na nossa festa vale tudo”18. E a saudade em “vai minha tristeza e diz a ela que sem ela não pode ser“19. E a prévia saudade, antecipada, em “menininha, não cresça mais não, fique pequenininha na minha canção”20.
Música é paixão pela vida. E é por isso que me emociono a cada vez que meu filho, com menos de dois anos, liga o som, aponta para um de seus cd´s de músicas preferido e escuta “Leão! Leão! Leão! És o rei da criação!”21 e dança comigo. E é por isso que me emociono a cada vez que escuto um fugidio “Pau, Edra, Im, Inho, Esto, Oco, Ouco, Inho, Acro, Idro, Ida, Ol, Oite, Orte, Aço, Zol…”22 Fugidio… tal como nossa alma, que escapa e viaja, quando envolvida por música. Pulsante… tal como as batidas de nosso coração, aceleradas ou retardadas pela música. Fluido… tal como nossa respiração.

SELEÇÃO
1. Boas Novas, Cazuza.
2. Preciso Dizer Que Te Amo, Dé/Bebel Gilberto/Cazuza.
3. Todo Amor Que Houver Nessa Vida, Cazuza/Frejat.
4. Segue o Seco, Carlinhos Brown/Marisa Monte.
5. Ando Devagar, Zé Ramalho.
6. A Dois Passos do Paraíso, Evandro Mesquita/Ricardo Barreto.
7. Apenas Mais Uma De Amor, Lulu Santos/Nelson Motta.
8. Que País É Este?, Renato Russo.
9. Pais e Filhos, Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá.
10. Por Enquanto, Renato Russo.
11. Detalhes, Roberto Carlos/Erasmo Carlos.
12. Ursinho Pimpão, T.Landa/T.Cruz/Edgard Poças.
13. Doce de Côco, Cláudio Fontana/Wanderley Cardoso.
14. Hino da Banda de Guaratuba, Heitor Valente/César Costa Filho.
15. Maluco Beleza, Raul Seixas/Claudio Roberto.
16. Como Nossos Pais, Belchior.
17. Whisky à Go-Go, Michael Sullivan/Paulo Massadas.
18. Dancin Days, Nelson Motta/Ruban Barra.
19. Chega de Saudade, Vinicius de Moraes.
20. Valsa Para Uma Menininha, Vinicius de Moraes/Toquinho.
21. O Leão, Arca de Noé, Fagner/Vinicius de Moraes.
22. Águas de Março, Tom Jobim.

[Postado originalmente em 17.01.2008, às 16:20, no blog-se.]

1 comment 3 Abril 2008

Pergunta a Dona Tita

Ontem, no Jô, Dona Tita. Uma senhorinha com seus mais de 100 anos. De espírito jovem, disse que queria nascer de novo agora, com a sabedoria e as experiências acumuladas. E declamou a poesia preferida, decorada [perdi a aversão do “decorado” quando entendi que é algo vindo “de coração”]: o Velho Mestre. Então me vi aos 100 também [na verdade, não preciso e acho que não quero ir tão longe...], a sussurrar, volta e meia, para mim mesma, “são demais os perigos desta vida para quem tem paixão, principalmente quando……….” [...]

Me questiono, por fim: a entrevista foi fraca ou o melhor de toda nossa andança por aí é realmente assim: simples e brejeiro, como as perguntas a Tita?

[Postado originalmente em 15.12.2007, às 00:04, no blog-se.]

2 comments 3 Abril 2008

Porrada na mesa – Da importância de uma mão pesada

Nunca fui uma aluna brilhante. Mediana, com médias sempre beirando o seis, ou pra cima ou pra baixo, cresci me digladiando com a matemática. Aquilo não era número, era grego. Porém, tive alguém que batia – socava! – na mesa onde eu estudava, choramingando, a maldita matemática. E dá-lhe porrada, dá-lhe porrada [ na mesa! ] até eu compreender logaritmo, funções, geometria… até análise combinatória perfurar as grossas paredes de meu cérebro e conseguir um lugarzinho naquele monte de caraminholas.

DA IMPORTÂNCIA DE UMA MÃO…
O braço firme que sustentava aquela mão era de meu pai. E graças a ele, naquele vai-e-vem de choramingos meus e de porradas dele, nunca “rodei” de ano no colégio. Aprendi matemática na marra! Essas aulas particulares com meu pai vieram à lembrança esta semana pelo aparecimento de um outro “professor maluco” em minha vida! Assim como meu pai, ele também foi bancário. Está me orientando para uma prova de concurso para a carreira… bancária! Com ele, as mesas da sala de aula também estão sofrendo… Coincidência ou não, um bom sinal! Sinal de resultados, de entendimento. Acredito que sim!
(…)
Brincadeiras à parte… espero um dia também ser assim… de alguma forma poder retribuir a dedicação e o conhecimento compartilhado por meus “professores” de toda a vida, bancários e não-bancários.. ser uma boa e velha mão pesada na vida de alguém!

[Postado originalmente em 04.12.2007, às 17:54, no blog-se.]

1 comment 3 Abril 2008

Meu dia…

Ser mãe, querer ser a melhor mãe, perceber mil defeitos que me impedem disso, separar do marido, dar conta sozinha da casa, trabalhar dia e noite num projeto que — CENSURADO —, ter certeza de — CENSURADO —, cursar uma pós-graduação me sentindo a mais ignorante das criaturas, aguentar papinhos — CENSURADO —, — CENSURADO —, apenas querer uma paixão qualquer que me faça acordar todos os dias sorrindo mas… Ahhh. Preciso respirar. Parar. Olhar o céu e me divertir com uma das melhores brincadeiras que já inventaram: ver desenho em nuvens! Como é bom… como é bom brincar com elas enquanto o sol penetra na minha pele e resgata minha energia já escondidinha atrás de tantas lutas travadas comigo mesma.
Só um desabafo… — CENSURADO —

[Postado originalmente em 22.10.2007, às 00:02, no blog-se.]

2 comments 3 Abril 2008

O bom e velho papel almaço…

Há ritual mais forte que escrever em uma folha de papel almaço? Escrever, escrever… abrir a folha (que delícia)… e continuar escrevendo.
Estou freqüentando, semanalmente, o consultório de uma psicóloga. Tenho como “tarefa de casa” registrar frases direcionadas a mim e que me fazem ou fizeram mal. Também devo desenhar gráficos de humor diários! [Um processo bastante interessante para quem tem memória curta, como eu!] Não vi nada mais apropriado para suporte destas tarefas do que o bom e velho papel almaço. Uma folha como qualquer outra, porém com forte poder de nos remeter à infância e, com ela, à vivências boas e outras tantas as quais me levam ao consultório…

[Postado originalmente em 22.10.2007, às 00:02, no blog-se.]

Add comment 3 Abril 2008

Inspiração

Esta palavra vem rodeando minha vida há muito tempo. Volta e meia ela aparece, contundente. Voraz. Às vezes apaziguadora, sim. Mas normalmente voraz. Inspirar, inspira, inspire, inspirei, inspirarei, inspirou, inspiraram… inspiração talvez seja das palavras mais fortes da nossa língua. Forte porque instiga a uma atitude. Remete instantaneamente a um pensamento que leva a uma atitude imediata. E quando isso não acontece, quando a inspiração não vem, não dá sinal de existência… aí então “inspiração” torna-se “decepção”. Decepção com nós mesmos, com a falta de nós mesmos, com os outros e a falta de outros, com a presença e com a ausência, com o cheio e o vazio, com a vida medíocre que pensamos levar naquele momento. Como é difícil quando perdemos o trecho da caminhada e damos sequência em passos sem direção, desnorteados. Viver exige inspiração a todo momento. E como é difícil………

[Postado originalmente em 02.03.2007, às 12:49, no blog-se.]

Add comment 3 Abril 2008

Minha Guaratuba…

guaratuba2.jpg

[Postada originalmente em 16.01.2007, às 14:22, no blog-se.]

Add comment 3 Abril 2008

Ano-novo, blog novo!

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Pronto! Abertos os caminhos para 2007!
Depois de longa jornada sem botar pra fora minhas idéias [ um tanto nonsense! ], cá estou com um blog novinho em folha! Não dava mais para continuar com o Village [www.village.blog-se.com.br]. Foram muitas as mudanças e o Village é de um tempo que já ficou lá atrás. Da Minha Aldeia surge sem compromissos, apenas da vontade de desenferrujar os dedos, as teclas e os miolos e pôr tudo pra funcionar!
Não sei o que pode sair dessa minha engenhoca, apenas sei que quero escrever, escrever e escrever! DESENFERRUJAR MESMO!!! E dar muita risada! E fotografar, SEMPRE! À labuta!

[Postado originalmente em 09.01.2007, às 02:42, no blog-se.]

Add comment 3 Abril 2008


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